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A humanidade de ouvir

Se tem uma coisa que eu não sou, é objetivo. Esse, definitivamente, é um adjetivo que não me cabe. Salvo em situações muito específicas que envolvam demissão. Aí eu consigo ir direto ao ponto, sem dar voltas e voltas em diversos assuntos.

Mas, hoje, eu acho que vou precisar ser um pouco mais objetivo, afinal, já passa da meia-noite.

O dia, hoje, tinha tudo para não ser nada produtivo.

Acordei, tomei meu banho, arrumei minha cama e logo fui fazer o almoço (por volta das 9h30). Apesar da grande variedade de coisas que fiz para o almoço, tudo ficou pronto às 11h45m. Almoçamos cedo e isso me dá uma sensação de que o dia (a tarde) rende um pouco mais.

Após o almoço, peguei umas contas para pagar (pela conta do meu pai, porque eu não tenho um tostão furado para pagar sequer as minhas próprias contas) e, diante do computador, fui inventar de responder à minha amiga Carol, que perdeu a irmã recentemente (há cerca de um mês).

Foi ótimo poder servir como um amigo leal, um bom ouvinte (ou leitor, dependendo do ponto de vista), e estar ao lado de uma amiga que precisava de mim. O problema é que falar sobre luto, sobre perda de alguém amado, mexeu um pouco comigo, e eu acabei perdendo o ânimo para fazer qualquer outra coisa a seguir. Foi como se eu precisasse recuperar minhas forças após a conversa.

Mas, aprendi que amizade verdadeira é assim: A gente guarda nossa tristeza no bolso para cuidar da tristeza de quem amamos. Vem sendo assim desde que a Carol perdeu sua irmã. Eu já estava passando por todo o processo de internação e correria com a minha mãe, mas, não quis que ela soubesse. Chegando do hospital, após uma vivência numa Escola no Cosme Velho (RJ) para a qual eu nem fui selecionado, fui visitar minha amiga, pois sabia que ela precisava entender que poderia contar comigo.

Mais uma vez, me dei algum tempo. Fui para a sala, assisti TV e fiquei navegando pelas Redes Sociais. Quero dar um tempo (preciso). Tenho perdido muito tempo distraído nas Redes Sociais, com absolutamente nada relevante. Assisti ao Jornal Hoje, com meu pai, à novela "Chocolate com Pimenta", que está na reta final, o filme que passou na Sessão da Tarde foi "Como se fosse a primeira vez", e emendei em "Mulheres Apaixonadas".

Quando começou a novela das 18h, eu me levantei e propus ao meu pai jantarmos mais cedo. Ele concordou, então eu já comecei a mobilizar as coisas para o jantar.

No momento em que eu ia colocar o filé de peixe na panela, alguém chamou. Era a vizinha que perdeu a mãe recentemente (falei dela nesse texto aqui). Ela e o filho vieram procurando por minha irmã, mas ela não estava aqui.

Os convidei a entrar e ela disse que não demoraria, mas eu não estava com pressa. Chamei meu pai e ficamos ali, à mesa, ouvindo tudo o que ela tinha para contar sobre o momento de perda. Pudemos também falar um pouco sobre nossa experiência e me coloquei na condição de ouvinte empático, escutando atentamente, demonstrando interesse e fazendo perguntas para reforçar o assunto, ou abrir parêntesis para novos assuntos.

Eu senti que ela precisava conversar, colocar para fora, desabafar, se sentir compreendida por pessoas que estavam passando por algo semelhante ao que ela tem vivido mediante a perda.

O jantar esfriou e fomos comer lá pelas 21h, quando eles foram para casa.

Foi uma conversa muito leve, fluida e boa, onde ambas as partes se sentem compreendidas e acolhidas.

De quebra ainda tive diversas lembranças de infância, de quando eu ia lá na casa dela, assistir VHS e DVDs, quando aqui em casa ainda não tínhamos condições de ter esse tipo de aparelho. Foi como fazer uma viagem no tempo. Uma boa viagem a um lugar interior que eu não acessava há muitos anos.

É incrível perceber como as pessoas nem sempre sabem sobre as boas marcas que deixam em nossa vida, assim como a gente não sabe de todas as marcas que deixamos na vida das pessoas, sejam boas ou ruins. Precisamos fazer o bem nas pequenas ações, e eu fiquei feliz por receber uma vizinha aqui, hoje, para conversar. Deu uma movimentada na noite, afinal. 

Em seguida, senti um ânimo descomunal. Vim para o quarto, liguei o notebook e fui fechar as tais artes que já comentei aqui por diversas vezes, mas que não estavam caminhando muito (os pequenos passos que mencionei em textos anteriores). Em menos de DUAS HORAS, eu consegui fechar tudo e fazer o upload na nuvem para enviar ao cliente. Havia coisas que minha mente não estava processando ao longo de todos esses dias e que, num estalar de dedos, eu consegui pensar e falar: "Parecia que isso daria um trabalhão!" Como a mente da gente é... A minha não estava bem, a ponto de eu não conseguir raciocinar logicamente. É muito importante que nossa mente esteja bem, equilibrada, para que as coisas fluam.

Enquanto o arquivo carregava, decidi abrir essa aba e escrever sobre o meu dia. Pensei que não conseguiria escrever hoje, mas, graças a Deus, estou cumprindo com minha meta de hoje.

Quer dizer que, quando eu pensei que não renderia em nada, por ter dado prioridade a outros seres humanos que precisavam da minha atenção sincera, na verdade, eu estava fazendo exatamente o que deveria fazer. Era lá, naquelas conversas, que eu deveria estar, sentindo as horas passando, sentindo as "obrigações" paradas, mas vivendo a essência do que é ser humano. Afinal, sempre acreditei que a prioridade da vida humana não pode, nem deve ser o trabalho, mas as pessoas. Meu pai sempre discordou de mim, mas, não acredito que seja coincidência o fato de que justo hoje os dois relógios de casa pararam. Eu não deveria me prender no horário, deveria viver, e isso me fez fluir no trabalho.

Agora, eu vou me organizar para os próximos pontos que precisam de atenção amanhã. Ainda não estou com sono, mas já pensando em me preparar para dormir. Quem sabe, amanhã, finalmente eu consiga acordar mais cedo.

Por hoje é só isso.

Douglas ;)

Sobre joelhos e coração

Sempre fui uma criança sonhadora, criativa, espontânea... Mas, as pessoas, desde cedo, começaram a me podar, sem permitir que a voz do meu coração se expressasse de forma livre. Minha família já tinha um ideal de quem ela queria que eu fosse, e eu sentia que não se encaixava em absolutamente nada do que eu era.

Quando criança, eu adorava presentear as pessoas a quem amava. Lembro de uma vez que encontrei um pingente dourado no chão da sala de casa, fiz uma carta cheia de desenhos e declarações de amor à minha professora, e levei para a escola no dia seguinte.

Eu entreguei aquele presente com tanta sinceridade no meu coração, mas... Quando cheguei em casa, meus pais e minhas irmãs me repreenderam de forma bastante dura. Eu não tinha permissão para pegar o que não era meu, muito menos dar de presente a alguém. Acho que eles pensaram que eu havia roubado, mas eu não consegui explicar, então, por medo de piorar tudo, menti, dizendo que algum coleguinha de Turma havia me dado. Mas, piorou.

Como castigo, tive que me ajoelhar no milho durante algum tempo. Aquilo doía muito no corpo, mas nada se compara a dor que me deixou na alma. Meu coração estava partido, especialmente porque eu nunca imaginei que minha Professora me delataria aos meus pais, sem entender que minha atitude havia sido unicamente por amor.

Os mais velhos pensavam estar me educando, me ensinando a não fazer o que era errado, mas eles não conseguiram enxergar a intenção de uma criança de apenas quatro anos de idade, que ainda não sabia exatamente os limites entre o certo e o errado. Ali, eu estava aprendendo a não confiar totalmente nas pessoas, por mais importância ou significado que elas tivessem para mim.

Episódios como este ficaram tão marcados em quem eu sou (ou em quem deixei de ser), que permanecem vivos em minha mente até hoje.

Às vezes eu olho para mim mesmo, como sou, e penso em como eu seria se aquela criança tivesse crescido como realmente era, sem a interferência, reprovações, zombarias... Hoje, minha luta interior está baseada em conseguir ser quem eu sou, seguir meus próprios sentimentos, pensamentos, sem levar tanto em conta o que as pessoas esperam de mim.

É tão difícil! É difícil ter que ouvir as opiniões, as propostas de futuro, as expectativas antigas dos outros, que não têm absolutamente nada a ver com o que eu sempre imaginei pra mim, e ter que ignorar. É como se, mais uma vez, aquela criança estivesse tentando se expressar e as pessoas, sem conseguir compreender, a forçassem a se ajoelhar sobre o milho, tentando ensinar como deve, e como não deve agir.


Lembranças


Hoje eu estava me lembrando de quando era criança. Eu e Camila, minha sobrinha, temos praticamente um ano de diferença em nossa idade, então crescemos juntos. Por diversas vezes, tivemos as mesmas pessoas em nosso círculo de convivência e, na maioria das vezes, elas nos tratavam de formas diferentes.

Apesar de pouca diferença de idade, eu era o grandão. Camila era bem pequena, a ponto de receber o apelido de "nanicolina", na escola. Na relação familiar, ela era tratada como criança e eu como o tio responsável por ela.

A única pessoa que tentava nos tratar com igualdade era minha irmã mais velha, Mary (mãe da Camila), que tentava fazer com que a gente tivesse as mesmas oportunidades e as mesmas alegrias. Por exemplo: Se a Camila ia ganhar um CD de presente, eu ganhava o mesmo CD. Olhando por um outro ângulo pode parecer inútil, perda de dinheiro, uma vez que passávamos a maior parte do tempo juntos, mas ela fazia isso para que eu me sentisse tão especial quanto minha sobrinha, que sempre foi cercada de mimos por todos.

Não era a toa que minha irmã fazia isso. Ela, com certeza, percebia a diferença de tratamento que as outras pessoas tinham entre Camila e mim.

Eu confesso que eu percebia que estava ganhando o mesmo que a Camila pra não me sentir menos amado, inferior, etc. Mas era exatamente assim que eu me sentia.

Eu sentia que só estava ganhando o mesmo que ela, por pena. Quando ganhávamos os mesmos presentes, eu achava que não era digno dele. Só sentia que estava ganhando pra não "aguar". Tipo, "Temos que comprar dois, um pra ela e um pro Douglas".

É claro que, hoje, eu sei que não era essa a intenção, mas é incrível como a mente (mesmo a mente de uma criança) distorce as coisas. Parece algo diabólico, na tentativa de gerar complexos na mente de alguém, pra que cresça como uma adulto que se sente tolerado e não amado.

Por muito tempo foi assim que me senti. Como se as pessoas não sentissem amor real por mim. Como se não houvesse motivos para me amarem.

Isso passou? Confesso que não. Mas, eu aprendi a lutar contra meus próprios pensamentos. Aprendi que se eu me amar, vou conseguir enxergar o motivo de as pessoas também me amarem. Não que as pessoas devam me amar pelo que eu sei fazer, mas por quem sou. E é exatamente isso que tenho feito ao longo de todos esses anos. Tenho me conhecido intimamente, amado cada pequeno detalhe de minha personalidade, sido meu melhor amigo (nunca deixando de me cercar de pessoas especiais, mesmo que seja uma por vez), e assim, quando alguém parece me amar, eu sei que é de verdade, que é algo possível, pois eu também me amo.

Com toda essa reflexão, eu aprendo duas coisas: Os pais, irmãos mais velhos, responsáveis por alguma criança podem lutar com todas as forças para fazer com que ela veja o mundo colorido pintado por uma infância perfeita, mas nada está definitivamente sob seu controle. Não dá pra privar alguém da realidade da vida, pois todos nós estamos vulneráveis à maldade do mundo, desde bem pequenos.

O outro aprendizado é o seguinte: Toda história tem dois lados e, apesar de relatar o meu lado da história, hoje eu pensei no lado da minha sobrinha, a Camila. Que também teve seu lado ruim da história. Sempre tão comparada a mim em questões de aprendizagem. Sofreu uma cobrança injusta por parte das pessoas, quando eu continuei focado nos estudos e ela começou a ter tantas outras coisas chamando sua atenção.

A vida é isso aí... Vencendo nossa própria mente dia após dia. O segredo é enxergar a verdade nas intenções de quem nos ama. Essas distorções da realidade são naturais, coisas da fertilidade da nossa cabeça bagunçada.

No final de tudo, é só tentar arrumar.

Be yourself!

Quando eu era criança, não queria crescer.

Eu confesso que, às vezes, me perdia em pensamentos, imaginando como seria minha vida adulta e, apesar de todos os prós, havia muitos contras que, em maioria, me impediam de querer que o tempo passasse para mim.

Eu queria morrer cedo.

Minha expectativa de vida era de, no máximo, até os 18 anos. Mesmo assim, eu não conseguia me imaginar com essa idade.

Aconteceram muitas coisas boas ao longo da minha infância, mas também houve momentos ruins. O pior era quando esses "momentos" duravam longos períodos de tempo, às vezes dias, ou anos.

Crescer, para mim, significava ser obrigado a enfrentar a realidade da minha própria vida como ela é. Assumir a responsabilidade de ter uma história totalmente diferente das que eu costumava ler, assistir em desenhos animados, ou ouvir de outras pessoas.

As histórias alheias eram tão bonitas! Cheias de viradas favoráveis ao protagonista (quando este não se tratava de mim), e eu me envergonhava da minha própria trajetória. Eu não queria ser eu. Queria ser eles: os donos das boas histórias felizes e famílias aparentemente perfeitas. Na minha visão, eles eram filhos preferidos de Deus.

Mas, algo em mim mudou.

Antes, eu procurava culpados para minhas feridas, porém, com a maturidade, passei a encarar tudo como "o rumo que a vida tomou", aceitar que essa é a minha história e que eu não devo me envergonhar dela.

Chega uma hora em que você se sente pronto. Pronto para compartilhar com o mundo quem você realmente é, suas imperfeições, detalhes sobre sua história que podem servir de aprendizado se compartilhados com outras pessoas que, talvez, estejam vivendo algo parecido com o que você já viveu (ou esteja vivendo), e poderão perceber que não estão sozinhos nesse lugar que chamamos de mundo. Que podem te chamar de amigo e se sentir acolhidas, fortalecidas para continuar caminhando pelas estradas da vida.

É claro que também haverá muitos julgamentos, reprovações, etc, mas, hoje, suas intenções já não irão consistir em agradar a alguém além de você mesmo. Antes de tudo, ame-se, aceite-se, faça a si mesmo feliz.

O resto vem!

Douglas ;)

Meu Deus... Cresci!

Gostaria de saber quem foi que acelerou o relógio da vida. Parece que foi ontem que eu me pegava brincando com meus amigos no quintal de casa, em meio a muita correria e gritaria. Quando o quintal não nos comportava, íamos para alguma rua sem saída. Dependia de com quem queríamos brincar. Se queríamos assistir a bons desenhos e jogar vídeo game, íamos para a Rua Beatriz (onde as crianças tinham tudo). Se precisávamos ensaiar nossos shows de "circo", íamos para a Rua Valéria, onde o meio-fio era mais alto e se transformava em palco para nossas artes. A Rua Vitória era mais escura, ou seja, o lugar certo para fazer coisa errada. Quando a vontade era de jogar queimada, rir de bobeiras e até arrumar confusão, o melhor era a "Travessa Dona Tereza". Era a rua mais povoada por crianças (Ê, povo pra ter filho!). Eram primos de amigos, amigos de primos, amigos de amigos... E todos se divertiam muito como amigos e também como rivais.

Como era bom!
E, como eu falei, parece que foi ontem. Só que o problema é que parece ter passado tão pouco tempo desde aquela época... Por esses dias eu estava dizendo a um amigo que fez 18 anos como funciona o processo de alistamento e recrutamento. Falei pra ele, baseado em como havia sido comigo quando minha vez chegou. Ele gravou um vídeo após ser dispensado e disse as seguintes palavras: "Não estamos mais no século passado! As coisas não são mais como eram há DEZ anos atrás!", e descreveu um processo totalmente diferente do qual eu passei. Por um segundo, eu ouvi o barulho da ficha caindo e pensei: "Cara, ele tem 18 anos, e eu 24! Eu me alistei em 2008, ou seja, há longos SETE anos atrás! Eu já sou um velho!". #Drama

Agora há pouco fui comentar no Blog de um leitor daqui que mencionou "Meninas Malvadas", por causa deste Post. No comentário, eu disse que gosto dos filmes com a Lindsay Lohan, desde que eu era criança. Na hora em que eu pensei em perguntar se ele se lembrava de "Operação cupido", eu parei, olhei para a Bio dele e li "17 anos". "Não... Ele não assistia a esse filme na 'Sessão da Tarde'", foi o que pensei. E, mais uma vez, a sensação de velhice bateu.

O pior é que eu olho pra algumas pessoas que, assim como eu, "não cresceram" e penso: "Tadinho... Esse tipo de gente que não se manca que não é mais adolescente. Parece que esqueceu de crescer". Seria isso "perceber o próprio defeito nos outros"? 'Sim', ou 'Com certeza'?!

O fato é que eu sempre gostei tanto de ser criança e minha adolescência também foi tão marcante (apesar de todos os conflitos), que eu não sinto como se tivesse toda a idade que eu tenho... Mais uma vez eu digo: "Parece que foi ontem!". Foi o tempo que acelerou, ou fui eu quem esqueceu de crescer?

É claro que eu tenho responsabilidades de adulto. Só que, antes de assumi-las, meu inconsciente pensa: "Sou tão jovem para estar assumindo esta responsabilidade!". Só que, cara, na verdade eu não sou! Estou na idade certa. Meu cérebro que me engana. Talvez porque naqueles cadernos de perguntas (meu Deus!) eu tenha escrito por diversas vezes que me casaria aos 21, moraria em Londres e teria 7 filhos, só que aos 24 eu estou solteiro, morando na casa dos meus pais, ainda concluindo uma Pós-graduação. Será que é por isso que eu tô perdido no tempo?

Eu ainda leio livros de ficção, e prefiro esse tipo de leitura do que os jornais ou livros daqueles - de adultos... (me refiro a eles como se eu não fosse um deles...) Mantenho um Blog sobre minha vida. Deve ser por isso que a maioria dos blogueiros com quem interajo tem, no máximo 21 (e, no mínimo 14).

Tô me sentindo tão retrógrado agora que parei para pensar nisso tudo! Será que eu deveria trocar meus tênis por um sapato social, minha mochila por uma pasta, meus livros de ficção por leitura histórica ou científica? Será que eu deveria parar de brincar de 'pique' com as crianças e deixar de ser a alegria delas nas festas de família? Tenho vários vídeos ensinando brincadeiras novas para elas durante as festas.

Será que eu tô em crise existencial?

Meu Deus!

Pena que a vida não é um filme onde 30 é a "idade do sucesso", e a gente pode ver como nada disso é verdade e voltar pros 13, onde tudo realmente valia a pena.



(Tô loko)

Até amanhã.

Minha Sexta-feira 13


Há pouco eu olhei para o calendário e percebi que hoje é SEXTA-FEIRA 13!

Não sei por que alguém decidiu reservar logo a Sexta-feira 13 para ser um dia de azar, com tendência a trazer à existência coisas ruins. Até tentei descobrir a origem de tudo o que rodeia a "ocasião", mas as explicações que achei são tão idiotas que sequer merecem ser reproduzidas aqui.

O que sei é que na simples menção dessa data eu naturalmente lembro de filmes de terror, gatos pretos, algumas lendas urbanas - o que na minha opinião são a melhor parte das Sextas-feiras 13. Decidi então compartilhar algumas lendas que já me deram medo quando eu era criança. Desde já, aviso que não tem nada a ver com o Boneco do Fofão e o punhal que servia para segurar a cabeça, ou a Boneca da Xuxa (e seu pacto com o diabo) que mudava de posição para olhar as menininhas quando elas iam dormir.

Essas e muitas outras lendas (como a do Chupa-cabra, da Loira do Banheiro, e do Velho do saco) também já me deram medo, mas quero que conheçam minhas lendas particulares, que acho que só eu tinha medo! Então, preparem-se.

A PAMONHA
Por volta dos meus dois/três anos de idade, a tarde podia estar ensolarada e tranquila. Eu podia estar brincando alegremente com meus amiguinhos, ou com minha irmã mais velha. Porém, bastava ouvir, vinda da rua, aquela voz gritando: "OLHA A PAMONHA! OLHA A PAMONHA!". Eu corria desesperadamente e me escondia embaixo da mesa da cozinha. Não procurava por minha mãe ou pela proteção de nenhum outro adulto. Era como se a única coisa no mundo capaz de me proteger daquele monstro horrível, fosse a mesa da cozinha que, forrada por sua longa toalha, me escondia da PAMONHA. Cara! A voz só dizia "OLHA A PAMONHA", mas para mim, era "CORRA! SE ESCONDA! CUIDADO! A PAMONHA VEM AÍ!".

DONA JULIETA
Eu já era um pouco maior, com meus quatro/cinco anos e já tinha autorização dos meus pais para ir à casa do vizinho brincar. O vizinho morava nos fundos de uma vila e, para chegar à casa dele era preciso passar por um beco formado por outras casas. Em uma delas morava a Dona Julieta, uma senhora muito velha e de pele muito enrugada, de cabeços branquíssimos e voz rouca, que parecia voz de homem. Ela colocava cascas de ovos (desenhadas com carinhas sorridentes) em cima de uma planta chamada "espada-de-são-jorge". Além de eu já ter um medo natural diante de todas as características daquela mulher (e daquela casa), meu amigo ainda alimentava meu medo, dizendo que ela era bruxa, que já a tinha visto vestida com roupas de ritual e que aqueles ovos já haviam sido crianças que a perturbaram. O pior era quando, em meio às brincadeiras, ele dizia: "Cuidado para não acordar a Dona Julieta!".

A CASA DA TIA HÉLIA
Quando eu era criança, não me ligava muito em questão de lugares mal-assombrados. Mas, conforme fui crescendo, minha irmã (muito medrosa) começou a mostrar coisas que lhe davam medo, e o fato de ela falar, me faziam também ter medo. Um desses lugares era/é "A Casa da Tia Hélia", a irmã do meu pai, que mora no interior do Espírito Santo (num lugar que quando eu era criança não tinha sequer energia elétrica). O fato é que todos os velórios da família que morava no Espírito Santo eram feitos na sala daquela casa. O da minha avó, o do meu tio (irmão dela), meu tio (esposo dela). Esses são os que eu lembro. O pior é que além de eles serem velados no meio da sala (onde depois a gente tem que ficar), ela mantém retratos de cada pessoa que morreu expostos ao longo da casa. É sinistro! Uma vez eu acordei no meio da noite morrendo de vontade de ir ao banheiro, a casa estava um breu, porque ela apaga TODAS as luzes (parece até de propósito). Só sei que eu estava com tanto medo que preferi fazer xixi na cama do que encarar os defuntos da sala.

A "CHEIROSA"
Não lembro seu nome, sempre a conheci como "Cheirosa". Era uma mulher de meia-idade, desdentada, com um parafuso a menos que vivia de short curto e, de vez em quando mostrava os peitos na rua, em seus ataques de loucura. Ela vivia nos bares da vida. Os homens de lá sempre mexiam com ela e ela com uma voz esganiçada gritava e xingava. Quando a gente desobedecia, os adultos falavam: "Vou te levar na 'Cheirosa!'".

O NÊGO
Pra falar a verdade, quase não me lembro dele. Eu era muito novo. Só sei que era um andarilho negro, sujo e maltrapilho que vivia pelo bairro. Diziam que ele era o namorado da "Cheirosa", portanto, quando não nos ameaçavam de levar para ela, passavam a bola pro Nêgo: "Vou te levar pro Nêgo!". Ele era quase uma espécie de "Velho-do-Saco".

SEU MADRUGA
Na época em que comecei a ter medo do Sr. Madruga, eu não fazia ideia de que o ator (Ramón Valdes) já havia morrido desde 09 de agosto de 1988 - muito antes de eu nascer. Confesso que até hoje ainda sinto uns calos-frios, digo, calafrios quando vejo alguma foto/imagem dele sozinho no meio da noite. Não sei se tem alguma coisa por trás disso, mas é algo que me marcou muito na infância. O fato é que, certa vez, eu estava na casa da tia Hélia e tive uma espécie de sonho (que até hoje não sei dizer ao certo se foi sonho ou não). Eu e meu primo estávamos brincando no quintal dos fundos durante a tarde, a noite vinha chegando, mas ninguém havia acendido a luz da casa. Enquanto minha mãe e minha tia estavam na sala da casa, eu tive que voltar sozinho até o quintal para procurar meus chinelos e, quando olhei para o meio do mato, eu vi o Sr. Madruga na minha frente. Ele usava blusa preta e estava com cara de zangado.

O ABOMINÁVEL HOMEM DAS NEVES
Esse último é só uma consequência de ter medo do Sr. Madruga. Sempre tive medo desse episódio e até hoje não consigo assisti-lo sozinho. Só sei que aquela cara branca dele me mata de medo!

Pois é, conforme fui escrevendo, lembrei de muitas outras lendas e coisas que me davam medo na infância (entre elas, o "Quadro do Menino Chorando" - se quiser conhecer, clique aqui) mas o Post já está tão enorme, que me recuso a abusar de sua boa vontade em ler tudo. Só espero que tenham gostado e que tenham uma ótima SEXTA-FEIRA 13!