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Dia de quem?

Hoje é "Dia dos Namorados" e eu acordei fora do horário que havia pensado. O despertador até tocou, mas eu simplesmente ignorei. 

Também, pelo horário que eu fui dormir... 9h30m da manhã até que foi cedo.

Mas, eu não pude começar a fazer "minhas coisas" porque precisei ir aos Correios postar o livro que não consegui postar na sexta-feira.

Tomei meu banho e fui com minha mochilinha da dõTERRA para o ponto de ônibus. Coloquei a mesma roupa de ontem, porque não considero que estivesse suja. Afinal, quase não saio de casa. Ontem, só dei uma idinha ao mercado. Não é possível que eu fosse encontrar algum conhecido que tenha me visto.

Na passarela, encontrei com uma irmãzinha dos tempos de igreja. Ela justificou o motivo de não ter ido ao funeral da minha mãe e perguntou se eu estava indo à igreja, porque, segundo ela, é isso o que importa. Eu não queria muito assunto, então disse que sim. Falei que estou indo à ICC - Igreja Cristã Contemporânea, que é uma igreja inclusiva. Ela não deve saber do que se trata. Mas, a verdade é que eu morro de vontade de ir a essa igreja, mas nunca fui. Na hora certa, irei.

Chegando aos Correios, uma fila enorme e lenta. Lembram da ideia de que seria impossível encontrar algum conhecido que tivesse me visto ontem? Pois é, eu estava enganado. Ontem, no mercado, um rapaz dos tempos da igreja passou por mim e me cumprimentou. Hoje, adivinhem quem estava na fila do Correio? Sim. O mesmo rapaz que me viu ontem, na saidinha que dei para ir ao mercado. Mas, eu considerei que ele não tenha prestado atenção à roupa que eu estava usando ontem. Afinal, nem eu poderia dizer se ele estava usando, hoje, a mesma roupa de ontem. Gente! Olha como a minha cabeça funciona! Acho que sou louco.

Enfim... Aproveitei o tempo na fila para ler "A morte é um dia que vale a pena viver", no Kindle, enquanto estava esperando. Felizmente, a postagem no Correio foi tranquila.

Ao invés de ir direto para o ponto de ônibus, decidi passar numa farmácia Pacheco que tem do outro lado da rua dos Correios. Acabei me deparando com uma Professora que já fez parte de minha equipe, quando eu era Coordenador Escolar, na última escola onde trabalhei, até Setembro do ano passado.

Ela também perdeu a mãe (há um ano), e eu já me solidarizava com ela antes de perder a minha. Hoje, me solidarizei pelo fato de termos uma perda em comum. Indiquei o livro que estou lendo e ela agradeceu, pois está se relacionando com um viúvo que perdeu a esposa há seis meses. Quase contei a ela sobre mais esse ponto em comum, afinal, Rodrigo é viúvo há dois anos e quando nos conhecemos, havia apenas cerca de dois meses desde a partida de seu marido. Mas... Como sei que ela é Bolsonarista, um pouco religiosa tradicional, preferi não falar sobre esse detalhe.

Confesso que me senti um pouco culpado pela omissão, afinal, estou num processo de libertação da opinião dos outros sobre a minha vida. Mas, novamente, eu não estava disposto a prolongar o assunto, ou a inventar um assunto qualquer (que não iria render) depois do deslocamento de ar que acontece quando alguém que já me conhecia antes de eu começar a me relacionar com o Rodrigo, fica sabendo sobre minha orientação sexual.

Começo a querer me sentir culpado novamente, enquanto revisito esse momento, mas, acho que ficar me culpando não vai resolver isso.

Tem dias que eu me sinto tão ousado para ser quem eu sou, para ligar o "foda-se" para o mundo e viver minha vida, com minhas contas atrasadas, que ninguém se importa em pagar. Mas, tem dias que o simples fato de não querer assunto com pessoas que só querem saber da vida da gente por curiosidade, me faz sentir culpado.

Talvez, seja por isso que é tão latente meu desejo de sair desse lugar onde as pessoas pensam me conhecer. Quem eles conheceram foi uma versão minha que não se aceitava, que pensava poder viver uma vida de mentiras, como se vivesse em verdade.

Só sei que toda essa "mini crise" que eu tive me serviu de combustível, mais tarde. Já vou contar.

A Professora me perguntou sobre minha saída da escola, como se não soubesse. Eu falei a respeito dos fatos que me envolveram e ocasionaram minha demissão. Ela falou que já sabia. Nesse momento, eu senti um pouco mais de tranquilidade por não ter aberto ainda mais minha vida, pois achei esquisita essa atitude de perguntar sobre algo que já sabia, como se não soubesse. 

Nos despedimos, fui à Farmácia, comprei uma pomada que minha irmã me indicou para passar no couro cabeludo. Infelizmente, com minha demissão da Imobiliária onde trabalhei quando morei com o Rodrigo em Niterói, me causou uma coisa esquisita que parece caspa, mas não melhora nem com os melhores shampoos.

Dermatologista? Aceita um livro meu como pagamento? Porque é o que eu posso oferecer no momento.

Peguei o ônibus de volta para casa e a tarde correu bem. Já eram 13h quando cheguei.

Por volta das 14h, consegui ligar o notebook e me organizar para cumprir minhas tarefas. Não andei muito no que precisava fazer, mas dei alguns passos. Isso é muito significativo.

Peguei um caderno e fui pontuando as coisas que fiz, ao invés de pontuar as coisas que eu precisaria fazer. Isso me deu uma sensação de produtividade.

Entre as coisas que fiz, uma delas foi escrever uma publicação de "Dia dos Namorados" para o meu amor. Lembram que eu falei sobre a crise me servir de combustível? Então... Coloquei todo o meu amor, carinho e coragem nessa declaração. Usei todas as palavras "DIA DOS NAMORADOS", "MEU NAMORADO", para quem quisesse ver. Publiquei no Instagram e no Facebook, onde estão todos os conhecidos de conhecidos, amigos de amigos. Por muito tempo, eu me escondi, e não quero mais me esconder. Por mais que, hoje, num dia de fragilidade, pela falta do meu amor comigo, eu tenha precisado das Redes Sociais para me "proteger" no momento da declaração.

Esqueci de contar que o Rodrigo programou uma publicação no Instagram para as 8h da manhã. Foi um gesto lindo (mesmo que ele tenha confundido a ocasião das fotos que publicou)! Eu tenho muita sorte de ter o Rodrigo na minha vida. O texto que escrevi na publicação foi muito significativo para mim, pois nele eu falei do amor de Deus sobre nós, e como meu relacionamento com o Rodrigo é uma das provas desse cuidado e desse amor.

Ele disse que chegaria uma caixa de chocolates aqui no endereço dos meus pais, mas não chegou não. Deve ter acontecido algum imprevisto com a entrega, mas ele só vai poder saber disso no próximo fim de semana, quando eu for à Cerimônia de saída dele (nem sei se vou me lembrar de falar sobre isso).

Quando deu o horário de "Mulheres Apaixonadas", no Vale a Pena Ver de Novo, eu dei aquela paradinha para assistir (mesmo que já tenha assistido a toda ela no período de Pandemia e publicação do meu primeiro livro. Depois da novela, consegui voltar para o que estava fazendo. Cheguei a enviar umas provas de arte para aprovação e, depois disso, fiz o jantar para meu pai e mim.

Acho que o dia foi basicamente esse.

Foi um "Dia dos namorados" sem meu namorado (noivo), mas pude matar um pouquinho a saudade pelo vídeo que ele deixou programado para as 22h.

Depois do jantar, peguei o notebook para escrever esse texto e estou bem feliz pela rotina de escrever no mesmo horário, todos os dias. Mesmo sabendo que pode acontecer de eu não conseguir, ou não querer escrever algum dia.

Preciso voltar a mexer no novo Conto, mas... O momento, agora é para colocar tudo no lugar e, quando acabar esse período de retiro do Rodrigo, continuar escrevendo (talvez, não para o Blog, mas nos meus projetos literários).

Espero que vocês também tenham vivido um bom dia dos namorados, com ou sem um namorado, ou uma namorada. Que tenha sido um bom dia!

Douglas ;)

De tudo um pouco

Hoje é domingo. Véspera do dia dos namorados. Foi um dia comum, porém, não foi um dia ruim.

Ontem, fui dormir às 3h da manhã, porque a Rede Globo decidiu passar "Titanic" no Supercine, e eu fui para o Twitter comentar as cenas. Foi muito divertido sentir que não estava falando sozinho, que não estava assistindo ao filme sozinho. Isso é bem legal.

Normalmente, quando a gente decide assistir a um filme numa plataforma de Streaming, é pouco provável que outras pessoas também estejam assistindo exatamente aquele filme, naquele mesmo momento que nós. Especialmente pra quem adora assistir filmes repetidos (e antigos), como eu.

Minha experiência com o Twitter não costuma ser muito boa. Na grande maioria das vezes, minha sensação é a de estar falando sozinho. Mas, quando a gente vai nos assuntos do momento e encontra um assunto que nos interesse, fica mais fácil interagir com desconhecidos, porém, desconhecidos que têm interesses parecidos com os nossos. Assim, descobrimos gente legal para começar a seguir e até ganhamos novos seguidores.

Mesmo com essa boa experiência com o Twitter, eu sinto que preciso me desconectar um pouco do meu smartphone. Não é que eu fique o tempo todo conectado às redes sociais. Eu tenho conseguido ler, tenho conseguido assistir programas na TV, também tenho cumprido minhas obrigações domésticas, como preparar as refeições, lavar a louça e arrumar meu quarto. Mas, quando penso em pegar meu notebook para trabalhar nas minha devidas obrigações (citadas no texto anterior), eu acabo me desmotivando. Começo a mexer no smartphone e o notebook fica ali parado.

Apesar de ter caminhado um pouco mais no Conto, que ainda não tem previsão de lançamento, eu não estou muito motivado para me dedicar à escrita de longo prazo. Em contrapartida, estou amando essa retomada desse Blog, onde eu apenas falo sobre minhas próprias amenidades e pensamentos aleatórios.

De qualquer forma, decidi que amanhã será meu retorno ao trabalho. Vou acordar bem cedo, me organizar, como se fosse trabalhar em uma empresa (a minha) e colocar o máximo de minhas obrigações em dia. Eu preciso disso ($).

Hoje, minha cunhada (Juliana, irmã mais nova do Rodrigo) me mandou mensagem pedindo ideias de nomes para seu novo empreendimento de doces artesanais, sobremesas como cookies, brownies. Semana passada estávamos juntos e eles estavam pensando em possíveis nomes. Falei com ela que o ideal seria pensar nas possibilidades do que poderia ser usado de forma temática. Eles haviam pensado em "Doce Terapia", fazendo referência ao fato de comer doces ser algo meio terapêutico. Mas, quando falei sobre "Doce Magia", ela respondeu com um AMEI. A ideia é poder usar referências como Walt Disney e Harry Potter, para que as pessoas consumam os produtos não apenas pelo doce, mas pela imagem, por se identificarem com as personagens.

Fiquei empolgado para iniciar esse projeto, mas, preciso concluir os que já estão em andamento, antes de iniciar um novo.

Outra coisa que marcou meu dia de ontem foi ter atendido à ligação de um escritor que irá publicar o primeiro livro. Ele precisava de ajuda, orientação para saber quais caminhos poderia seguir na divulgação de seu projeto. Para mim, que sempre quis oferecer algum tipo de mentoria para quem deseja escrever e publicar seus livros, foi uma conversa capaz de trazer algum tipo de realização pessoal. Alguém estava me vendo como uma possível referência (mesmo por algumas horas), querendo aprender um pouco mais acerca de um caminho que eu já percorri.

Infelizmente, o rapaz chegou com muitas crenças prévias que iam de encontro às minhas experiências práticas. Por mais que eu tentasse explicar algumas questões relacionadas às práticas de editoras que mais se parecem com o processo de auto publicação, porém, cobrando do escritor uma quantia prévia e recebendo metade dos lucros dele pelas vendas futuras (sem qualquer garantia de apoio para que essas vendas aconteçam de forma efetiva), ele já estava com o pensamento formado e tinha certeza de que havia tomado a melhor decisão.

Em momento algum minha intenção foi convencê-lo a rescindir o contrato com a "Editora", mas mostrar a ele que há caminhos mais efetivos para receber o retorno que ele pode precisar para se manter publicando, para não se frustrar (como eu já vi pessoas desistindo da carreira de escritores por não terem conseguido o resultado que esperavam antes da primeira publicação de livro físico).

Felizmente, ele aderiu a algumas de minhas sugestões, especialmente quando eu contava com todos os detalhes sobre como havia sido minha experiência ao aplicá-la na minha vivência como escritor iniciante e independente.

Confesso que não foi uma conversa muito fluida e leve para mim, pois eu precisava ouvir muitas "certezas" dele e pensar em como eu poderia apresentar meu ponto de vista contrário, sem passar a impressão de estar discordando por discordar, por querer mostrar que sei mais (porque minha intenção não é essa). Mesmo assim, ao fim da conversa, o saldo foi positivo, pois ele relatou quais conselhos meus chamaram sua atenção a ponto de desejar usar no seu projeto.

Quem sabe, um dia, eu engaje nessa vida de agente literário e marketing editorial. Mas, eu sou muito bobo. Não consigo pensar que existem pessoas sonhando em publicar seus projetos e cobrar o preço absurdo que as agências cobram. Acabo fazendo por gostar dessa função. Me sinto útil, realizado enquanto ajudo.

Voltando a falar sobre hoje, acordei, fui para a sala, quando a fome começou a apertar, eu fui tomar meu banho e colocar uma roupinha digna de ir à rua. Até peguei meu Kindle e meu caderninho de anotações, pensando em me sentar em algum lugar, pegar um ônibus, ou apenas perceber que o lugar onde meus pais moram é péssimo, e não tem opção alguma para quem quer sentar e ler um livro. Foi exatamente a terceira opção a que aconteceu.

Percebi que havia muitos pontos de frango assado disponíveis pelas esquinas. Fui ao mercado e comprei algumas coisinhas pra um almoço digno (kkk) e passei no frango assado para comprar um. Mais uma vez, a moça que atende no caixa revirou os olhos com real satisfação e comentou sobre meu "perfume". É muito engraçado como as pessoas reagem ao cheiro do óleo essencial que eu uso, perguntam a marca, mas essa moça é a melhor de todas, porque parece que ela está sentindo as reações que o óleo promete (entre outras, ele é afrodisíaco). Enfim... Recebi um elogio pelo meu cheiro hoje, de novo.

Em casa, almocei e assisti ao "Como eu era antes de você", que a Globo decidiu passar na Temperatura Máxima. Gente! Como pode passar filmes tristes, onde os casais não ficam juntos, em plena véspera do "Dia dos Namorados"? É que a Dona Globo sabe que brasileiro gosta de sofrer. E, sim, eu sou um deles.

Deu até vontade de reler o livro. Lembrei de 2016, quando fui assistir sozinho, no cinema, ouvindo as pessoas ao redor fungando de tanto chorar.

Depois disso, meu pai chegou de viagem, trazendo minha tia. Comecei a fazer o jantar, para adiantar meu lado. Herdei o tablet que havia dado de presente à minha mãe, e tenho preferido cozinhar assistindo os canais ao vivo do Globoplay do que ouvindo a "JB FM" e a "Antena 1", como de costume. Assim, assisti ao "Domingão", enquanto cozinhava.

Minha tia gostou muito do jantar. Elogiou muito enquanto comia e até repetiu! Fiquei feliz por isso. É incrível como pequenas ações positivas têm o poder de mexer com nosso humor e autoestima.

A noite passou rapidamente. Não demorou para meu celular vibrar com a notificação de e-mail do Rodrigo.

Sim, ele ainda está fora, incomunicável. Mas, deixou alguns e-mails programados com links de vídeos, onde ele fala comigo como se estivesse falando em tempo real.

Hoje, eu chorei bastante enquanto assistia ao vídeo. Foi curtinho, mas a saudade apertou tanto! Esse tempo está sendo (e eu sei que ainda vai continuar sendo) um grande desafio pra mim. Mas, eu gosto tanto dele. É alguém que, antes de tudo, se tornou um grande amigo pra mim. Alguém que me fez olhar pra mim mesmo, ao invés de só olhar para quem está ao meu redor. Ele me faz sentir mais motivado, me inspira, sua companhia e companheirismo me fazem querer me tornar alguém cada vez melhor. E assim, a cada dia eu tenho mais certeza de que eu o amo. Como alguém que torna minha vida mais feliz, com mais significado, que me dá mais capacidade de acreditar em um futuro feliz, sem solidão.

É claro que a gente briga, que a gente se desentende, discute, mas... É nessas horas que eu tenho ainda mais certeza do quanto eu o amo. Porque sinto vontade de resolver logo nossos desentendimentos, pra gente poder voltar a sorrir junto, a conversar sobre toda e qualquer coisa, voltar a fazer o bem que faz um ao outro.

Bem... Confesso que, no início desse texto eu nem sabia sobre o que falaria hoje, mas... Acabou se tornando um texto sobre um monte de coisa.

Por hoje é isso. Espero que amanhã eu finalmente consiga retomar minhas obrigações. Eu vou me esforçar.

Douglas ;)

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Vou deixar aqui uma Playlist minha de 2016, já que me lembrei dessa época:

"Me liga", "Urgente", "Agora", "Por favor".

Já teve a sensação de que os dias estão passando cada vez mais rapidamente?

Faz um tempo que tenho esse sentimento, mas, hoje eu parei um pouco para pensar sobre isso. Parece que o dia, as horas têm passado tão rápido, que não dá pra fazer nem metade do que a gente fazia antigamente.

Ontem, recebemos a notícia de que a mãe de uma vizinha querida também partiu.

Ela estava internada há semanas, lutando pela própria vida, mas não resistiu. A notícia da morte de uma terceira pessoa próxima, em menos de um mês caiu como uma bomba. Felizmente, meu emocional não se abalou além do convencional. Mesmo assim, sabia que não faria muita coisa hoje, além de estar no funeral, ao lado da família que esteve ao lado da minha, na semana passada, quando perdi minha mãe.

Eu tenho a reciprocidade como um dos pilares da minha formação de caráter, sabe? Inclusive, pesou muito para mim, no momento de ver minha mãe em um caixão, não ter certas pessoas ao meu lado. Pessoas a quem chamei de amigos/amigas, de quem estive ao lado no momento de perda semelhante à minha. Mas, pensando por um lado positivo: que bom que estiveram ao meu lado apenas quem tem a mesma consideração por mim. Inclusive, tive gratas surpresas, pois havia pessoas por quem não esperava.

Por isso, eu fiz questão de estar ao lado da nossa vizinha. Contudo, o fato de eu estar lá me impediu de cumprir com outro compromisso.

É que eu já havia me comprometido com um de meus leitores e amigos, de que postaria nos Correios um livro meu, que ele comprou na quarta-feira, antes do feriado de ontem.

Pensei que conseguiria ir ao Correio pela manhã, antes de irmos ao funeral, mas, como eu mesmo passei a máquina no meu cabelo há dois (ou três) dias (e ficaram algumas pontas grandes nos lugares onde eu não enxergo), minha irmã ficou insistindo para corrigir. Como, hoje, precisaria sair de casa, não queria me dar ao ridículo. Assim, tive que esperar até que minha irmã terminasse de lavar o quintal (que estava muito sujo graças ao cachorro).

Quando ela finalmente acertou meu cabelo, já ia dar meio-dia.

Sairíamos de casa às 13h30m para o funeral, então, não daria tempo de ir aos Correios, porque aqui no bairro não tem um. É preciso pegar um ônibus para um bairro próximo. Até eu voltar, não conseguiríamos ir juntos, de UBER, já que nem eu, nem minha irmã dirigimos.

(Uma pessoa meu ex-cunhado chegou aqui e atrapalhou a fluidez do texto)

Enfim... Fomos ao funeral, que atrasou e só saímos de lá às 17h, e não consegui postar o livro no Correio.

O dia voou.

Agora, quero falar um pouco sobre o que senti agora, com a vinda da tal pessoa meu ex-cunhado aqui. Vamos?

Ele veio de outro país Portugal pra alguma visita aos familiares dele. Passou aqui pra pegar uma chave, ou algo do tipo. Disse que seria rápido, convidei para se sentar e ele não quis, afinal, seria rápido. Mas, começou a questionar o motivo de ainda estarmos aqui no Rio de Janeiro.

Questionou o motivo de eu ainda não ter me mudado para Santa Catarina, assim como duas de minhas irmãs, cunhados e vários sobrinhos fizeram.

"O que ainda te prende aqui no Rio?".

Eu tive que relembrar que minha mãe faleceu há APENAS uma semana, que AINDA estou vivendo o luto, que estive aqui, ao lado da minha mãe, virando noites no Hospital, auxiliando nos cuidados médicos.

Ele insistiu em dizer que eu deveria ir pra lá, fazer uma Pós-Graduação. E eu precisei contar que já tenho uma, e que estou na terceira graduação. Ou seja, o fato de eu ainda estar no Rio de Janeiro nada tem a ver com falta de qualificação, falta de estudos. O que me "prendia" aqui no Rio era minha mãe, que ainda estava viva e, quem leu o texto anterior sabe que ela se sentia mais feliz quando me tinha por perto.

Hoje, estou noivo do Rodrigo, que mora em Niterói, mas isso não significa que eu esteja preso. Eu sinto que as portas certas vão se abrir pra mim, na hora certa. Eu acho que a pessoa que esteve aqui sabe que eu estou noivo, mas não toquei no assunto, por se tratar de alguém extremamente religioso (no que diz respeito a vida dos outros).

Ele deu o próprio exemplo sobre como Deus honrou sua atitude de abandonar um emprego por uma viagem religiosa que ele fez, há muitos anos. E eu respondi que também espero que Deus honre minha atitude de ter me posicionado no meu último emprego, quando chamei minha ex-chefe para conversar sobre não estar de acordo com o modo como ela vinha me tratando.

Minha demissão se deu após uma reunião formal, solicitada por mim, onde ela não gostou de ser contrariada, mas fingiu que havia acolhido às minhas falas. "Divergir para convergir" foi o que a !@#$%¨&* falou antes de nos levantarmos da mesa, naquele dia. Eu já sentia que seria demitido e, no dia seguinte, foi exatamente o que aconteceu.

Quando, no ato de minha demissão, eu contei ao Vice-Presidente da empresa sobre o que havia acontecido, ele disse que não sabia daquela situação, mas que se a decisão estava tomada, não havia o que ele pudesse fazer.

Hoje, eu entendo que até essa demissão foi uma providência divina (Sim! Eu acredito MUITO em Deus) pra que eu pudesse passar mais tempo com minha mãe em seus últimos meses de vida. Se, hoje, estou em paz, com certeza, os últimos quatro meses ao lado dela têm grande importância para isso.

Foi como disse a ele: "Eu espero que Deus também me honre pela minha escolha".

Enquanto isso, vou colocar em dia alguns trabalhos independentes que peguei, e que ficaram incompletos, pendentes, devido aos últimos dias, de correria, internação, perdas, mas, eu espero que após pelo menos uma semana de luto, eu consiga retomar e tocar a vida para frente.

Eu ainda me surpreendo com a forma como as pessoas pensam que podem chegar na vida da gente arrotando tudo o que elas pensam que sabem sobre a vida. Esse costume que muitos têm, de anular nossa história, nossa participação no mundo, nossas cicatrizes, o que aprendemos, o que podemos até ensinar sobre a vida, e chegam falando tudo o que deveríamos estar fazendo da nossa vida.

Pode parecer simples. Minha própria mente fala: "Quem paga suas contas é você. Ninguém tem nada a ver com sua vida". Mas, na prática, as falas, as sugestões, os conselhos, as mentes muito fechadas que vêm acompanhadas de bocas muito abertas (não sei de quem é essa frase), ainda mexem comigo, ainda me desestabilizam.

Enquanto ele falava, eu me contorcia na poltrona, tentando escrever esse texto. Me contorcia, num incômodo infernal. Eu não sabia para onde olhar, não sabia em que me segurar, mas, sabia que queria continuar meu texto sobre um dia onde eu simplesmente não vi o tempo passar porque estive ao lado de uma pessoa querida, que esteve ao lado da minha família quando precisamos de amigos. Mas, esse texto se tornou mais um desabafo sobre questionamentos do que a sociedade espera de nós.

E, sinceramente? Foda-se a sociedade. Porque a sociedade não fez nada pra que as pessoas a quem eu vi morrer nos últimos dias tivessem uma vida melhor, mais feliz. A sociedade não impediu que elas se fossem, com suas crises, seus medos, seus traumas. Aqui é cada um por si. Então, a mim só importa a opinião de quem conhece minha história, de quem me conhece e me respeita como sou, de quem acompanha meu caminho e espera ansioso para saber qual vai ser o próximo passo que a vida vai me permitir dar em direção ao futuro.

O cara olhou para o meu livro sobre a estante e o usou como exemplo, dizendo "Não sei se é um VHS ou um livro". Não sabe nem que o livro que ele usou como exemplo foi escrito e publicado por mim, e quer chegar aqui na minha casa, questionando minhas decisões, e os rumos que minha vida tomou até aqui? Faça-me um favor...

Na hora, mandei mensagem pro meu amigo Sanderson:
"Me liga", "Urgente", "Agora", "Por favor".
Felizmente, ele viu as mensagens e ligou.

Só assim, me livrei da "conversa" (ou seria um monólogo?).
Pedi licença, saí da sala e fui conversar no telefone com alguém que me conhece e acabei lembrando que, sim, eu sei conversar. Eu não sou antissocial. Só que eu não vou sair por aí falando o que penso sobre as coisas e sobre a vida das pessoas, sem ouvi-las, sem conhecer os contextos, sem deixá-las à vontade para falar.

Que cansativo, né?

Nem sei se vocês vão ter paciência de ler tudo isso aqui, mas... É o que temos para hoje.

Pra finalizar, um conselho que me deram hoje: "Façam terapia!", já que as pessoas que precisavam fazer não fazem.

Um abraço ;)


Redescobrindo meu caminho


Estou querendo voltar a escrever.

Quando que me mudei do Rio de Janeiro para Santa Catarina, minha vida como escritor da história na qual trabalho há alguns (muitos) anos passou por diferentes fases. Desde o bloqueio inicial, devido ao período de adaptação no novo Estado, novo emprego, nova cultura, até o tempo de retomar a escrita, em que as páginas pareciam fluir, trazendo aquela sensação de "Agora vai!".

Infelizmente, depois desse período de fluidez na escrita, eu fiquei desempregado. Meu contrato como professor do Estado de Santa Catarina acabou e, apesar de fazer as provas - e passar em primeiro lugar -, eu não pude assumir as vagas. Isso, porém, é história para outro momento. Na verdade, já publiquei um textão no Facebook sobre isso, explicando tudo, nos mínimos detalhes.

Enfim... De volta ao Rio de Janeiro, começou todo um novo processo, agora de readaptação. Quem disse que eu conseguia construir uma rotina para escrever? Na casa dos meus pais, sem um espaço propício para a escrita, sem ambiente que estimulasse a concentração. Tudo parecia praticamente perdido. Como disse: Parecia... até o momento em que alguém me falou sobre um curioso livro chamado "O caminho do artista", que busca trabalhar contra o bloqueio criativo em todas as áreas artísticas, entre elas a escrita.

Quem me conhece sabe que não sou de ler rápido. Já cheguei a comentar que acho uma tremenda falta de respeito com o autor (que demora tantos meses para escrever), ler um livro em poucos dias. Mas, no caso de "O caminho do artista", eu devorei o livro! Foi inevitável. Não conseguia parar. Em cada momento de meu dia, sentia a necessidade de abri-lo para ler mais uma linha, um parágrafo, uma página (que se tornava em várias), e vários capítulos! Eu nem guardava o livro. Andava com ele na mão, para cima e para baixo, lia andando, atravessando a rua, esperando o ônibus... E foi incrível  me sentir tão compreendido enquanto realizava a leitura. Sinceramente, acho que nunca fui tão compreendido quanto me senti através desse livro.

Fato é que "O caminho do artista" oferece um programa de aplicação pessoal a ser seguido durante doze semanas. Eu comecei a aplicar as principais práticas (que eu já usava antigamente, sem saber que eram capazes de liberar/estimular a criatividade) mas deixei para realizar o programa semanal quando estivesse relendo o livro. E foi inevitável começar a reler no dia seguinte à finalização da primeira leitura.

Comecei a fazer as atividades propostas que  focam desde os fatos de nosso passado que possam ter causado bloqueios artísticos, até reprovações de nossas expressões durante a infância e falta de apoio familiar, que podem ter resultado em insegurança... Acima de tudo, o livro trabalha o autoconhecimento. Isso me fascina, me inspira! Afinal, é muito bom conhecermos a nós mesmos. É bom de mais saber quem somos. Sabermos nos controlar diante dos impulsos (ou da falta deles).

Eu acredito que, seguindo o processo sugerido por esse livro, vou conseguir (ou melhor, já estou conseguindo) me desbloquear. A vontade de escrever já voltou, afinal, foi assim que comecei esta publicação.

Creio que seja esse o caminho. Os primeiros passos para o retorno do dom, no sentido mais puro que ele tem. Afinal, qualquer tipo de arte deve ser natural, prazeroso, divertido! Quantas vezes entrei no meu quarto para brincar de escritor, e escrevi histórias fantásticas, criei mundos e personagens incríveis! Quantas vezes fui brincar de compositor, imaginando que estava compondo canções para meu álbum que seria lançado, e consegui compor canções belíssimas, que chegaram a ser produzidas e gravadas de verdade! A arte PRECISA se divertir. Ela não deve ser uma obrigação.

Infelizmente a gente cresce e começa a encarar o mundo, o mercado, a sociedade, e deixa de ser artista por prazer.

Como artistas que somos, nos sentiremos expostos, seremos alvo de críticas (boas e maldosas), devemos nos dar o direito de ser artistas "ruins", mas nos dar o direito de ser artistas, produzindo arte, criando, através de toda a nossa forma de expressão. Infelizmente, por muitas vezes, eu preferi deixar de ouvir meu coração, que dizia "Expresse sua arte", para ouvir aos críticos que me diminuíam ou diziam em tom de autoridade: "Apaga aquilo que você publicou!".

As pessoas que nos criticam, na verdade, gostariam de ter nossa coragem. Gostariam de estar em nosso lugar, mas têm medo, estão bloqueados.

Quem é artista, no entanto, não faz arte pelo aplauso, pela aprovação, nem pelo público. Quem é artista de verdade, faz arte por instinto, por sobrevivência. Pois o artista que não faz arte, deixa de existir, perde o sentido da própria vida.

Se eu fosse falar mais sobre esse livro, acabaria escrevendo outro livro sobre tudo de bom que ele me proporcionou na primeira leitura, sendo assim, prefiro deixar que aqueles que se interessarem o leiam e deixem que o efeito dele aconteça de acordo com sua necessidade. Fato é que eu estou com muita vontade de escrever, trabalhar na minha história. Finalizá-la,  não como um dever, mas pelo prazer de sentir a criatividade se movendo dentro de mim. Para dar à luz um filho (meu trabalho concluído) e dar lugar a novas criações, povoar novos mundos e contar novas histórias, todos gerados através de mim.

É só o princípio do recomeço. E eu não estou nem aí para o que irão dizer.

Sobre Escritores, Bloqueios e Ganha-pães...


Faz pouco mais de uma semana que estou "morando" em Concórdia - SC. Confesso que, vim para cá aberto ao que pudesse acontecer. Inclusive para a possibilidade de não dar certo e eu precisar/querer voltar para o Rio.

Conforme os dias foram passando, eu passei por aquele primeiro momento de adaptação, conhecendo a cidade, saindo com a Camila e com o Wallace, donos da casa onde estou hospedado, procurando emprego, e não conseguindo escrever uma linha sequer do livro. É... Pra quem (ainda) não sabe, eu trabalho numa história há mais de dez anos. Inclusive, famosa entre aqueles que sabem que estou escrevendo, mas nunca termino.

Dessa vez, eu me dei um desconto. Até comecei a querer me cobrar: "Você não está trabalhando no livro!", mas me dei conta de que era necessário passar pela adaptação inicial.

Foi pelo fato de não me punir psicologicamente por não estar trabalhando na história, que eu consegui escrever alguma coisa referente a ela (mais do que eu imaginava). Na verdade, rascunhar num bloco de notas. Algumas boas páginas desenvolvidas, prontas para serem melhoradas. Mas, isso nem se compara com o tanto que já foi descartado. O bom é que, com o tempo e a experiência, a gente aprende que o "descarte" de material é excelente para o escritor. Isso mostra que temos senso crítico de que não está bom o bastante para o nível de nossa história. Além de provar pra nós mesmos que sabemos onde queremos chegar, nos dá autonomia para entender que se aquela parte (por maior que seja) foge do nosso foco, sabemos tirá-la de jogo e escrever algo melhor.

Dá pra ler um pouquinho do andamento da história no Bloco. A folha em branco é um tipo de Roteiro, pra direcionar os fatos

Ultimamente, o que estava me atrapalhando bastante a escrever era a preocupação com minha estadia aqui. Com o tempo, o dinheiro vai saindo da conta, sem entrar nada (já que não havia recebido nenhum retorno sobre os curriculuns distribuídos) e ainda não resolvi nada sobre aluguel de casa ou compra de móveis e eletrodomésticos. Isso vai causando uma neura, sabe? Por mais que você saiba e sinta que não está sendo um peso para as pessoas onde está, mas é o senso de responsabilidade falando mais alto.

Meu plano inicial era, sim, ficar desempregado por seis meses para me dedicar exclusivamente ao livro, mas, isso morando na casa dos meus pais, tendo dinheiro guardado para esse período, sem grandes despesas. Não contava que me mudaria de Estado, tendo que encarar uma nova realidade nada "estável" (se é que me entendem).

Mas, creio que parte do "problema" já foi resolvido. Pois, desde semana passada, eu tenho ido à Secretaria de Educação daqui, e fiquei por dentro da Chamada Pública para professores da Rede Estadual de Ensino. Eram vagas remanescentes de professores que prestaram concurso e não compareceram para tomar posse das vagas. Sendo assim, eles chamam quem tiver formação ou esteja cursando a faculdade que habilita para cada disciplina, dando prioridade para os já formados.

Dentre todas as vagas, havia Ensino Religioso. Pouca gente sabe, mas eu sou formado em Teologia. Comumente, quem assume essas vagas são professores de História, Filosofia, Sociologia, que acabam "tapando o buraco" devido à escassez de gente formada nessa área específica, e, lá havia muitos interessados nas vagas. Mas, como a prioridade é para quem tem habilitação na área, a moça perguntou e eu fui o único a me apresentar.

Eu poderia ter pego cerca de 15 tempos em três escolas diferentes, mas eram longe e como eu (ainda) não dirijo. O que fez com que a moça me recomendasse não arriscar a me desgastar com transporte público toda semana para dar aula nessas escolas mais distantes. Assim, peguei 5 tempos numa única escola atrás da casa da Camila (onde estou hospedado). Chegando lá, a moça perguntou se eu tenho interesse em outras disciplinas, como Sociologia e Filosofia. E eu só respondi: "Claro! Podem contar comigo para o que precisar. Eu quero trabalhar.".

Então, é isso. Começo na segunda-feira, uma semana inteira de Seminário para os Professores, com 40 horas de duração, para iniciar o ano letivo. Eu sei que vou conseguir conciliar isso com o Projeto do livro. Eu sinto. Meu compromisso comigo mesmo é não abrir mão do meu objetivo principal por causa de qualquer emprego. Eu vou trabalhar para que o dinheiro não me falte, gerando recursos para a realização do meu projeto principal.

Se algum dia, vocês virem que eu estou perdendo o foco por causa de trabalho, por favor, me avisem, pois eu tenho coragem de largar tudo de novo, até acertar de vez e, finalmente, ver esse livro impresso.

Obrigado por lerem até aqui.
Um abraço!
Me desejem sorte.
Douglas =)

P.S.: Esse vídeo da JoutJout me motivou bastante, porque fala exatamente tudo o que eu acredito e tenho me inspirado a viver!






"Um belo dia resolvi mudar..."

Muita coisa mudou desde o último Post.

Eu fiquei de saco cheio do meu emprego que só me sugava e não estava me fazendo crescer em nada. Então, decidi pedir um reajuste na minha carga horária, o que foi negado. Sendo assim, eu pedi minha demissão, com o cumprimento do mês de aviso prévio.

Como trabalho (ou melhor, trabalhava) em escola, eu esperei o fim do ano para que tudo fosse favorável, afinal, não queria causar nenhum tipo de escândalo, ou mal estar para a Direção, só queria que o trabalho deixasse de ser o foco principal da minha vida, para voar aos lugares mais altos que todos dizem (e eu também sinto) que eu vou alcançar.

Pra ter uma noção, eu não estava conseguindo fazer mais nada além de trabalhar. Acordava extremamente cedo, chegava tarde, cansado mentalmente e sem disposição para mais nada. Fim de semana era para ficar em casa, vendo filme e reclamando da minha vida parada. Eu juro que tentava fazer algo para mudar, movimentar a minha vida, mas toda vez que eu tentava, o trabalho sofria e vinham as falhas, seguidas diretamente pelas cobranças.

Cheguei a pensar em fazer sessões no Psicólogo e, enquanto não chegava o dia marcado, eu estudava minha própria vida, para descobrir onde estava o ralo que sugava toda a minha alegria de viver. Eu pensei em me mudar, pensei em começar a estudar canto, pensei em fazer atividades físicas, e eu fiz tudo isso, mas nada resolvia a falta de vontade que eu tinha de me levantar da cama todos os dias.

Somente quando eu falei em voz alta que não queria continuar na mesma função no trabalho no ano de 2018, foi que um mundo fantástico se descortinou diante dos meus olhos. Eu fui para casa naquele dia como não ia há muito tempo. Eu sorria sem motivo, ou melhor, sorria porque estava sem o peso de toda a responsabilidade que jazia sobre meus ombros.

Se ainda fosse um emprego que me pagasse o suficiente para eu ter minha casa, meu carro, comprar tudo o que preciso e ainda conseguir guardar algum trocado pra uma viagem nas férias, tudo bem. Mas, por mais que eu economizasse, eu não tinha condição de fazer nada disso. Pra piorar, minhas férias caíam sempre em alta temporada, o que realmente impossibilitava qualquer pensamento de viajar para longe.

Só havia contras.

Por fim, durante o mês de aviso prévio, eu desenrolei tudo o que faltava no enredo do livro que eu escrevo desde 2007 em parceria com minha irmã (são mais de 10 anos num projeto que só vem sendo adiado por causa de trabalho e estudos). Em um mês, ou menos, eu finalizei todo o Roteiro da história dos pontos de vista dos diversos personagens. Depois disso, na véspera do Ano Novo, para ser mais exato, eu comecei a reescrever a história partindo de outro ponto, e a cada dia eu caminhava em um novo capítulo. Minha mente estava livre para fluir na escrita, para imaginar novos mundos, o lado criativo do meu cérebro havia sido liberado para criar, sem toda aquela burocracia e problemas teóricos do dia a dia do meu trabalho.

Deixei de viajar com a família, deixei de sair de casa, tudo para me dedicar 100% ao Projeto, na única intenção de vê-lo concluído.

Já estava novamente no Capítulo 10 quando minha irmã chegou com a proposta de eu me mudar do Rio de Janeiro para Santa Catarina (Concórdia), para morar com a Caren, minha sobrinha de 19 anos, que faz faculdade nessa cidade. Eu simplesmente aceitei. Dentro de mim, era como se mais uma parte de mim também voltasse a vida! Não havia nada que me prendesse. Eu tinha minhas economias e poderia, sim, atender à proposta, indo para uma cidade muito melhor estruturada do que onde cresci. Um lugar propício para me dedicar à escrita do livro.

Foi assim que, em uma semana, tudo se movimentou para que eu pudesse me mudar.

E posso dizer que, felizmente, a vida é feita de mudanças. Eu mesmo percebo o quanto mudei ao longo de todos esses anos. Antes eu sonhava em simplesmente ter uma casa própria, um carro, uma estante cheia de livros, tempo para fazer o que eu gosto, mas hoje eu percebo que se eu preciso negociar a minha felicidade em troca de uma (falsa) estabilidade, eu prefiro morar de aluguel, pegar UBER quando eu precisar sair (ou até mesmo o busão), prefiro não ter minha carteira assinada, desde que eu esteja fazendo aquilo que me realiza, que torna meus dias mais coloridos e felizes por dentro, mesmo que lá fora esteja tudo cinza e nebuloso.

Não consigo mais me conformar com uma vida "comum" se eu sei que diante de mim existe algo extraordinário aguardando para ser vivido. Basta o primeiro passo de ousadia, de desapego, de fé, para que possamos sair das águas rasas e nos aventurar em alto mar.

Este texto tomou um rumo totalmente diferente do que deveria, mas ele traduz exatamente a mim mesmo, como estou me sentindo por dentro.

Espero conseguir escrever mais vezes aqui, mesmo que ninguém leia.

Até o próximo Post.

Douglas
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Fotos tiradas do meu próprio ponto de vista durante a viagem de ônibus Rio x Santa Catarina

Passando por Jacareí, São Paulo, o cair da tarde com a chuva - 23 de janeiro

Parada de Ônibus no meio da madrugada chuvosa - 24 de janeiro

Vista do quarto onde estou hospedado, na tarde em que chegamos da viagem - 24 de janeiro

Foto do Primeiro dia oficial em Concórdia - 25 de janeiro


Meus chefes te agradecem...


A você que, um dia, me desiludiu no amor, gostaria de transmitir os sinceros votos de gratidão da parte de meus chefes.

É inexplicável a forma como o trabalho rende!

Assuntos inacabados são prontamente resolvidos. Papéis acumulados logo recebem um fim, tal quais as cartas, bilhetes e mensagens apaixonadas que trocamos.

Os telefonemas para agendamentos de reuniões que naturalmente deveriam ser feitos pela Secretária, os faço eu mesmo de bom grado, na tentativa de suprir a falta de discar seu número de telefone, ter alguém com quem marcar um encontro e desejar que tenha um bom dia.

Organizo a bagunça da minha própria sala com a mesma intensidade e rapidez que gostaria de conseguir organizar de uma vez por todas a bagunça que você deixou dentro de mim.

Meus chefes te agradecem pelas horas-extra que tenho feito. Tudo para ocupar minha mente com trabalho, já que o vazio de meus pensamentos só me levam de volta a você.

Por fim, eu mesmo preciso agradecer. É incrível como, logo que você se foi, voltei a pensar em prosseguir com meus estudos aos fins de semana, antes reservados a nós dois. (Já vi até o preço da Pós!).

O melhor disso tudo é que todo o meu compromisso com o trabalho pode me render uma promoção, quem sabe um aumento. E uma vez que o Dia dos Namorados se aproxima, terei condição suficiente para o presente que darei, e o jantar romântico que proporcionarei a mim mesmo.

Afinal, eu mereço, né?!

***

Playlist "Work"



Receita para um coração partido


Texto dedicado "aos corações que sonham, tolos como podem parecer. Para os corações que sofrem e para a bagunça que nós fazemos".

  • Primeiro, escolha alguém que prometeu a si mesmo não mais se apaixonar.
  • Torne-se presente no dia a dia dele, a ponto de sua presença poder ser sentida mesmo quando ausente.
  • Responda prontamente às suas mensagens, ligações e até mesmo àquelas figurinhas, com mensagens fofas de aprovação.
  • Faça com que ele eternize diversos momentos especiais que vocês tiverem ao lado um do outro.
  • Deixe que ele se abra para a sua amizade e dê muitas esperanças de que o interesse por algo mais seja mútuo.
  • Faça-o acreditar que você sente o mesmo que ele. Inclusive, que você sente como se o procurasse há muito tempo e finalmente o houvesse encontrado.
  • Espere até que ele não deseje nenhuma outra companhia além da sua.
  • É importantíssimo fazê-lo acreditar que TUDO é recíproco. Especialmente o fato de nada nele ser um incômodo ou um defeito aos seus olhos.
  • Ele precisa chegar a dizer que você tem sido seu melhor amigo nos últimos tempos, e que tem compartilhado toda a sua vida com você.
  • Aguarde até que ele fale de você para as pessoas mais especiais da vida dele.
  • Deixe que ele diga estar apaixonado. Aproveite para pedir que ele disserte sobre o próprio sentimento.
  • Adicione alguns dias sem se ver, dê esperança de algum dia possível e mude os planos para outro dia posterior.
  • Deixe-o esperando por respostas às mensagens. Especialmente àquelas mais sentimentais.
  • É fundamental demonstrar que ele não faz mais parte de suas prioridades.
  • Quando ele perceber a mudança e quiser conversar sobre, coloque a culpa no trabalho, na rotina, no estresse, no mundo! Mas, não entre em detalhes, afinal, ele precisa se afligir por dias e questionar o que pode ter feito de errado.
  • Adicione muito fermento aos menores vacilos dele, fazendo-os parecer grandiosos. Especialmente àqueles relacionados a pedidos por atenção, carinho e mensagens de saudade.
  • Passe a ser monossilábico em suas respostas, sem desenvolver muito (ou nada) os assuntos. Principalmente aqueles que, para ele, são mais importantes e que ele costumava compartilhar com você.
  • Deixe que somente ele te chame, demonstre, se preocupe, insista...
  • Bata tudo com canções que tragam a ele memórias passadas.
  • Dias frios e chuvosos, poucos afazeres/distrações e poucos amigos vão à gosto.
  • Pronto! Assim, você terá o que deseja.

Solitude?


Às vezes eu me sinto um bobo por não aproveitar as coisas que eu sei que me fazem bem. Escrever, por exemplo, sempre foi uma forma de extravasar. Eu nunca fui alguém de me abrir com pessoas, pelo contrário, me abria muito nas páginas de Agendas e Cadernos. Porém, conforme a vida foi me apresentando outras possibilidades, eu fui negligenciando a solitude.

Solitude é diferente de solidão. Na solidão, você pode estar rodeado de pessoas, porém, se sente sozinho, solitário, desamparado. No caso da solitude, mesmo que você esteja só, sem pessoas ao redor, você não se sente solitário. Você está acompanhado por você mesmo.

A solitude é fundamental para o bem estar da mente humana. Eu vivi isso na prática durante minha vida toda. As pessoas perguntavam como um menino tão jovem podia possuir uma sabedoria tão grande, conseguia pensar, refletir antes de agir. E eu sempre atribuí essa minha “sabedoria” aos meus momentos de solitude com um caderno e uma caneta, onde eu colocava todos os meus pensamentos no papel e os via de um novo ângulo.

Infelizmente, a sociedade desdenha de pessoas que passam tempo sozinhas. Acham que é triste você ter momentos consigo mesmo, mas essas pessoas não sabem que quanto melhor você estiver com você mesmo, melhor estará com o mundo ao seu redor, será mais dono de suas próprias atitudes, escolhas, obterá mais êxito.

A companhia das pessoas não pode gerar em nós uma dependência. Precisamos estar felizes em meio às multidões, mas, felizes também quando estivermos em nossa própria companhia.

Isso é SER feliz.

Sonhar + Projetar = Realizar


Quero escrever. Apenas escrever. Algo que faça sentido para mais alguém além de mim mesmo.

Às vezes eu me pergunto se escrever é algo "falido" nos tempos modernos, uma vez que as pessoas preferem assistir vídeos no YouTube ou acessar microblogs do que dedicar seu tempo a longos textos. Eu mesmo confesso que estou preferindo assistir Resenhas sobre os livros que leio do que ler as Resenhas, como fazia antigamente.

Certas vezes penso que nem tenho o que escrever, outras penso que existem diversos mundos dentro de mim, esperando para serem trazidos para fora.

Enfim... Não posso esquecer que a graça de ser escritor está no prazer da escrita, e não no improvável mérito que isso possa trazer.

Quem sabe, eu grave um vídeo por dia para descrever o meu processo criativo. Mas, para isso, terei que me desafiar a escrever todos os dias. Talvez eu possa registrá-los aqui para, lá na frente, quando estiver finalizando o processo de escrita, eu possa recordar minha trajetória.

Talvez, assim eu consiga. Mas, não posso (nem quero) desistir. Conto com a energia positiva de quem vier a ler esse pequeno desabafo sobre meus sonhos particulares.

Até a próxima atualização!

Douglas ;)


Sonha, menino, sonha...

"Ocean meets sky" - Terry Fan

Na vida podemos fazer planos... Ou não. Podemos simplesmente estagnar. Mas, sinceramente, não foi essa a vida que eu projetei para mim. O problema é que às vezes a gente olha pra si mesmo e se vê como alguém "não importante". Quem vai querer ler nossos textos, ouvir nossas composições, ou simplesmente nossa voz interpretando uma canção com todo o coração? "Infelizmente, você não tem o X que a gente procura...".

Muitas vezes, a falta de oportunidade nos faz desacreditar de que nossos sonhos possam se tornar realidade. Mas, tudo o que é construído (e bem construído), respeitando o tempo certo para seguir adiante, rumo à próxima etapa, é mais duradouro do que tudo o que se conquista facilmente. Quantas pessoas enriqueceram tão rapidamente e logo se perderam em meio à própria fortuna, por não saber administrá-la? Quantos explodiram em uma fama sem fundamento e logo desapareceram com a mesma rapidez com que surgiram?

No último fim de semana eu estava assistindo ao documentário de alguém a quem admiro, que tem uma vida bem sucedida, apesar de inúmeras frustrações, porém, alguém que sempre teve quem investisse e acreditasse em seu potencial. Comecei a pensar como é fácil você ter tudo quando tem condições de pagar por aquilo. É fácil as pessoas quererem fazer as coisas para você quando você já está no topo, no sucesso absoluto. Infelizmente, as pessoas só querem apoiar o que já está dando certo. É tão difícil encontrar alguém que acredite em você quando nem você mesmo acredita mais!

São tantos sonhos... E, às vezes parecemos tão egoístas em querer que eles se realizem. Afinal, ninguém pode ter tudo o que deseja. Aprenda a lidar com suas próprias frustrações! Todo mundo tem as suas! Mas, isso é uma grande mentira. Você pode, sim, conquistar seus sonhos.

Talvez você não tenha dinheiro para publicar um livro, mas nada te impede de se dedicar a escrever suas histórias, como se elas pudessem ser publicadas. E por que não imaginar que uma grande editora está aguardando avidamente para ler e revisar o que você escreve, devido aos inúmeros fãs que aguardam pela publicação? Por que não escrever suas próprias composições e gravá-las à capela até que alguém que acredite em sua capacidade potencial se interesse por arranjá-las? Por que não gravar seus próprios vídeos editados por você mesmo de forma totalmente amadora (e dar o seu melhor nisso) até que alguém que super entende de edição se prontifique a editar para você?

Só não deixe de sonhar. Não deixe de projetar. Alguém vai querer ouvir sua voz, ler seus textos, ver seu sorriso em uma foto.

Assim, quando a oportunidade, o dinheiro, as pessoas certas aparecerem na sua vida, você vai estar pronto, preparado para realizar seus sonhos. Faço minhas as palavras que li no Blog da Jéssica:

"o mundo precisa das suas ideias. Não importa quantas pessoas estejam fazendo a mesma coisa, não importa se te chamam de egoísta quando você segue os seus sonhos, egoísmo é você deixar o mundo sem as suas ideias. Se você tem uma ideia, compartilhe com as pessoas, talvez hajam pessoas precisando delas e você está sendo egoísta em não apresentá-las ao mundo." 

Estava com saudade de escrever aqui.
Até o próximo Post!
Douglas ;)

Esta música tem me acompanhado desde o último fim de semana



*Se alguma imagem utilizada para ilustrar esta ou outra postagem pertencer a você, terei o maior prazer em acrescentar os créditos.

Escreva!


Sabe quando vem aquela vontade de escrever, mas parece que a gente não tem o que escrever? Sei lá! É como se no cérebro da gente se formasse um emaranhado em meio a muitos (ou a nenhum) pensamentos. Daí, a gente se pergunta: "O que fazer quando queremos colocar uma história para fora, mas tudo o que conseguimos é olhar para aquela página em branco com o cursor piscando na tela?". Admito. Eu mesmo entrava em uma grande crise existencial quando isso acontecia. Isso mesmo! "Acontecia". Hoje, isso não me afeta mais.

Eu havia aprendido no Curso de "Composição" que escrever é a etapa final de um longo e amplo processo de reflexão, e esse processo começa com uma ideia. Até aí, tudo bem. Só que a professora também disse que não adianta pegar uma folha em branco e simplesmente começar a escrever sem antes refletir no que pretendemos fazer pois estaríamos apenas "enchendo linguiça". Eu acabei aderindo essa regra para todo e qualquer tipo de escrita. Só que o curso (como eu já disse) era de Composição, e escrever uma história é diferente de escrever uma música.

É claro que é importante ter uma ideia de sobre o que iremos escrever, mas e naqueles dias que você QUER escrever, mas o seu cérebro não colabora nada muito? O que a gente faz? Fica refletindo sobre o que gostaria de escrever? Como? Se não temos nada em mente, caramba?! O fato é que enquanto eu seguia à risca o conselho da professora de Composição, eu preferia jogar o computador pra um lado, caderno e caneta para o outro e ir tirar uma soneca. Pensei até em desistir da escrita.

Até o dia em que conheci Anne Lamott (olha ela aí de novo), que me desvendou o segredo: "escreva".


"Mas, escrever sobre o quê?", você pode se perguntar. "Escreva sobre qualquer coisa.", ela diz. Que tal começar pela sua infância? Descreva suas recordações, tente descrever as pessoas, como elas eram, como se vestiam, o cheiro que tinham. Descreva lugares onde você já esteve, ou o próprio lugar onde você está enquanto escreve. O importante é deixar fluir (naturalmente) de você a escrita. Se você fizer isso todos os dias, chegará ao ponto de ser pouco afetado pela falta do que escrever.

Eu tenho aplicado isso no meu dia a dia como escritor e confesso que no começo não foi fácil. Eu pensava: "Mas, eu não quero escrever sobre a sala onde estou, não quero escrever sobre minha infância, quero escrever aquela história na qual eu tenho trabalhado todo esse tempo!". Mas, quanto mais eu pensava assim, mais a história ficava parada, sem ideias do que escrever.

Depois de muito relutar (e xingar aquela ideia tosca de escrever sobre qualquer coisa), fui vencido pela falta de forças. Resolvi aderir à ordem da (queridíssima) Anne. Passei a escrever sobre o que me viesse à mente em qualquer folha de papel que tivesse à mão. Enquanto eu fazia isso, era como se tirasse os entulhos do meu cérebro, ia despejando no papel aquilo que estava impedindo que as novas ideias viessem à tona e fossem transformadas em história.

Foi incrível! Quase terapêutico.

Depois que eu finalizava o texto, dava uma volta, bebia uma água, fazia um xixi e voltava para ler o que havia escrito. Em meio à toda aquela informação, é claro que tinha coisa que eu lia, pensava: "What?!" e deletava sem pena, mas sempre (SEMPRE) havia coisas boas de se ler em meio a tudo aquilo. Bastava organizar as ideias, acrescentar algumas frases, palavras, retirar outras, e "voilà!". Você escreveu um bom texto.

Quando eu aceitei o desafio de ter um Blog, pela primeira vez eu não tive medo de não ter o que escrever. Fiquei bem tranquilo em saber que se o bloqueio viesse, era só começar a escrever, desentulhar as ideias e depois, ler tudo, retirando as partes ruins e aproveitando aquilo que fosse digno de ser publicado.

Faço minhas as palavras de Anne Lamott. Quando vier o bloqueio, escreva!

Até amanhã.

Douglas.


A tentação de ser uma cópia

Eu confesso que durante a escrita da história da qual falei neste Post eu queria que ela fosse o próximo "Harry Potter", "As Crônicas de Nárnia", "O Senhor dos Anéis". Eu passei a ler os livros dos meus autores favoritos com um olhar hiper clínico, na intenção de pescar a forma como eles descreviam os objetos, as personagens, como davam ação à uma cena. Isso não seria ruim de todo se eu apenas os tivesse como inspiração e não quisesse copiá-los.

Eu queria ser os escritores que eu mais admiro. Mas só tem um detalhe: eles já existem.

O que fez piorar tudo na minha vida de escritor foi a noite em que tive um sonho onde a professora de literatura/produção textual (seja qual for o nome da disciplina, era uma aula onde escrevíamos nossos próprios textos), era ninguém menos do que a própria J. K. Rowling (Jo, para os íntimos - mas, como eu não sou íntimo, vou continuar me referindo a ela como J. K. Rowling. [Risos]).

No sonho, ela conversava conosco (os alunos) sobre sua forma de escrever, dando várias "manhas" de nosso texto ser do nível dos dela, e eu olhava para ela com total admiração, dialogava com ela, às vezes tirando dúvidas que eu nem tinha, só pra mostrar que eu estava interessado na aula. Enfim, tê-la como minha professora era a "benção" que faltava para que meu livro realmente se tornasse o próximo "Harry Potter". Não demorou para eu perceber que tudo aquilo não passava de um sonho e mesmo tentando voltar para ele quando acordei, era simplesmente impossível.

Fato é que depois daquilo eu não queria mais escrever igual a mim mesmo. Eu queria fazer jus ao sonho e comecei a tentar escrever como minha querida professora, J. K. Rowling. Vocês podem imaginar no que deu: frustração sobre frustração. Especialmente quando eu mostrava para minha sobrinha (e leitora de tudo o que eu escrevo), Caren, e ela via algo pouco nada original em tudo o que eu escrevia. Eu não copiava nomes, ideias, nada disso, só não era eu quem estava escrevendo. Minha identidade não estava naquelas páginas.

O que eu quero dizer com tudo isso é que se você quer escrever seu próprio livro, precisa saber que a graça está na própria escrita, no prazer de poder imprimir no papel um pouco de você mesmo, mas se você trocar toda a sua espontaneidade por árduos esforços para se parecer com seu ídolo, escrever vai se tornar algo muito (eu disse MUITO) desgastante, e ao invés de se deleitar em sua própria escrita, você irá se enfadar só de pensar em todo o trabalho que terá para produzir mais uma página imaginando que quem está escrevendo é aquele outro escritor (a quem você venera).


As pessoas que costumam ler o que eu escrevo, sempre comentam comigo o quanto se sentem atraídas pela leitura dos meus textos. Amigos vêm até mim contar que riram horrores diante de seu computador com os "causos" que eu conto em um outro Blog, especialmente sobre o período em que estava no internato. O fato de eu não querer escrever como eu mesmo fez com que eu perdesse minha essência, minha identidade, e isso por um longo período. Mas, depois que percebi onde estava errando, eu decidi dar um basta e aceitar escrever como escrevo. E como é bom ser quem eu sou, e ainda poder usar as palavras para me expressar como só eu mesmo sei fazer!

Se meus escritos forem lidos por pucos, ou servirem para registrar algo apenas para mim mesmo, ficarei feliz. Se eles forem lidos (e se tornarem o próximo Harry Potter - o que, hoje, eu não faço a menor questão), ficarei feliz do mesmo jeito, porque o prazer de escrever está na própria escrita.

Até amanhã!