Já tem um tempão que não apareço por aqui. Tanto que já estamos em 2024! (Fogos)
Há algumas semanas eu vinha pensando em escrever algo. Tenho pensado em escrever sem publicar, como tenho feito em meus cadernos e bloco de notas do smartphone, mas, é diferente quanto a gente compartilha nossos sentimentos e pensamentos. Apesar de que eu acho que ninguém mais lê o que eu escrevo aqui no Blog.
As Redes Sociais, na atual versão de consumo, se tornaram algo tão raso e vazio. Parece que ninguém vem mais aqui para consumir um conteúdo que seja capaz de agregar para seu desenvolvimento pessoal, que seja capaz de transformar suas vidas de alguma forma. E eu sou das antigas. Sou de quando a gente passava mais tempo off-line do que on-line. E olha que eu nem sou tão velho assim.
Dia desses eu mandei mensagem pra dois amigos com quem não converso há tempos. Falei com eles que estava com saudade, mas que esse meu distanciamento não é necessariamente das pessoas, mas das redes sociais. E como a gente mantém mais contato com as pessoas pelas redes sociais, se a gente quiser se afastar das redes sociais, consequentemente, acaba se afastando também das pessoas.
Nossa memória afetiva também é capaz de ferrar com nosso psicológico, né? Porque faz parecer que, antigamente, no tempo do Orkut e do MSN, tudo era maravilhoso, a vida era melhor de ser vivida. Quando, na verdade, foi exatamente nesse tempo que eu tinha entrado em uma depressão fodida, e já não queria frequentar o Coleginho da Baixada Fluminense (Duque de Caxias) cheio de adolescentes esnobes que pensavam morar na Zona Sul do Rio e pertencer à nata da alta sociedade.
Nesse tempo, eu sofria fortemente por amor, porque me apaixonei pelo meu melhor amigo (um amor não correspondido, que me deixava confuso) e minha família ficava me vigiando, sem dizer exatamente com o que se preocupavam, sem me chamar pra conversar, mas falavam entre si sobre minha vida. Era como um enorme elefante branco no meio da sala.
Nesse tempo eu era alvo de deboche até na Igreja, uma vez que decidi me apegar à religião pra tentar encontrar saída para os dilemas que enfrentava sozinho, no meu coração e na minha mente.
Eu usava as roupas de segunda mão de meu irmão mais velho, porque meu pai não tinha muitas condições de comprar roupas novas pra mim (e, se tinha, não compreendia a importância disso no contexto da selva que é a adolescência [prefiro acreditar que ele não tinha condições]). Ou, posso me apegar ao fato de que eu estava extremamente acima do peso nesse tempo, e era dificílimo encontrar roupas legais para mim, por isso eu usava as roupas que meu irmão mais velho não queria mais.
Só sei que as coisas, hoje em dia, são sim diferentes, mas não são piores, nem melhores (no quesito sociedade). Acho que os problemas são outros, mas o ser humano continua se alienando. Antes, era por meio de novelas, programas de fofoca, revistas semanais. Hoje em dia, a gente se aliena na frente do smartphone, como zumbis (ou você pode escolher a figura com menos capacidade de raciocínio próprio).
Eu nunca fui de ficar extremamente ligado no noticiário, ou de dar muitos ouvidos a todas as teorias de conspiração. Eu era o menino que desenhava, escrevia histórias de fantasia e compunha músicas durante as aulas de Biologia. Mas, também nunca fui alguém que simplesmente liga o piloto automático e deixa a vida levar pra onde ela quiser. Isso eu já posso ter vivido quando experimenteis meus fundos de poço, mas não acredito que seja esse o tipo de vida ideal pra gente.
É muito importante pensar no que estamos fazendo da nossa vida, qual o diferencial fazemos na vida das outras pessoas e da sociedade em geral.
Nosso tempo aqui é limitado, mas não podemos apenas continuar contando dias, como se esperássemos pelo último deles. Até o dia de hoje, usufruímos de frutos do trabalho de outras pessoas. Pessoas que se importaram em deixar algo bom aqui. O que temos deixado para as futuras gerações? Ou estamos apenas nos distraindo da vida?
Isso aqui era pra ser só um texto sobre qualquer coisa, mas virou um textinho filosófico.
Hoje é "Dia dos Namorados" e eu acordei fora do horário que havia pensado. O despertador até tocou, mas eu simplesmente ignorei.
Também, pelo horário que eu fui dormir... 9h30m da manhã até que foi cedo.
Mas, eu não pude começar a fazer "minhas coisas" porque precisei ir aos Correios postar o livro que não consegui postar na sexta-feira.
Tomei meu banho e fui com minha mochilinha da dõTERRA para o ponto de ônibus. Coloquei a mesma roupa de ontem, porque não considero que estivesse suja. Afinal, quase não saio de casa. Ontem, só dei uma idinha ao mercado. Não é possível que eu fosse encontrar algum conhecido que tenha me visto.
Na passarela, encontrei com uma irmãzinha dos tempos de igreja. Ela justificou o motivo de não ter ido ao funeral da minha mãe e perguntou se eu estava indo à igreja, porque, segundo ela, é isso o que importa. Eu não queria muito assunto, então disse que sim. Falei que estou indo à ICC - Igreja Cristã Contemporânea, que é uma igreja inclusiva. Ela não deve saber do que se trata. Mas, a verdade é que eu morro de vontade de ir a essa igreja, mas nunca fui. Na hora certa, irei.
Chegando aos Correios, uma fila enorme e lenta. Lembram da ideia de que seria impossível encontrar algum conhecido que tivesse me visto ontem? Pois é, eu estava enganado. Ontem, no mercado, um rapaz dos tempos da igreja passou por mim e me cumprimentou. Hoje, adivinhem quem estava na fila do Correio? Sim. O mesmo rapaz que me viu ontem, na saidinha que dei para ir ao mercado. Mas, eu considerei que ele não tenha prestado atenção à roupa que eu estava usando ontem. Afinal, nem eu poderia dizer se ele estava usando, hoje, a mesma roupa de ontem. Gente! Olha como a minha cabeça funciona! Acho que sou louco.
Enfim... Aproveitei o tempo na fila para ler "A morte é um dia que vale a pena viver", no Kindle, enquanto estava esperando. Felizmente, a postagem no Correio foi tranquila.
Ao invés de ir direto para o ponto de ônibus, decidi passar numa farmácia Pacheco que tem do outro lado da rua dos Correios. Acabei me deparando com uma Professora que já fez parte de minha equipe, quando eu era Coordenador Escolar, na última escola onde trabalhei, até Setembro do ano passado.
Ela também perdeu a mãe (há um ano), e eu já me solidarizava com ela antes de perder a minha. Hoje, me solidarizei pelo fato de termos uma perda em comum. Indiquei o livro que estou lendo e ela agradeceu, pois está se relacionando com um viúvo que perdeu a esposa há seis meses. Quase contei a ela sobre mais esse ponto em comum, afinal, Rodrigo é viúvo há dois anos e quando nos conhecemos, havia apenas cerca de dois meses desde a partida de seu marido. Mas... Como sei que ela é Bolsonarista, um pouco religiosa tradicional, preferi não falar sobre esse detalhe.
Confesso que me senti um pouco culpado pela omissão, afinal, estou num processo de libertação da opinião dos outros sobre a minha vida. Mas, novamente, eu não estava disposto a prolongar o assunto, ou a inventar um assunto qualquer (que não iria render) depois do deslocamento de ar que acontece quando alguém que já me conhecia antes de eu começar a me relacionar com o Rodrigo, fica sabendo sobre minha orientação sexual.
Começo a querer me sentir culpado novamente, enquanto revisito esse momento, mas, acho que ficar me culpando não vai resolver isso.
Tem dias que eu me sinto tão ousado para ser quem eu sou, para ligar o "foda-se" para o mundo e viver minha vida, com minhas contas atrasadas, que ninguém se importa em pagar. Mas, tem dias que o simples fato de não querer assunto com pessoas que só querem saber da vida da gente por curiosidade, me faz sentir culpado.
Talvez, seja por isso que é tão latente meu desejo de sair desse lugar onde as pessoas pensam me conhecer. Quem eles conheceram foi uma versão minha que não se aceitava, que pensava poder viver uma vida de mentiras, como se vivesse em verdade.
Só sei que toda essa "mini crise" que eu tive me serviu de combustível, mais tarde. Já vou contar.
A Professora me perguntou sobre minha saída da escola, como se não soubesse. Eu falei a respeito dos fatos que me envolveram e ocasionaram minha demissão. Ela falou que já sabia. Nesse momento, eu senti um pouco mais de tranquilidade por não ter aberto ainda mais minha vida, pois achei esquisita essa atitude de perguntar sobre algo que já sabia, como se não soubesse.
Nos despedimos, fui à Farmácia, comprei uma pomada que minha irmã me indicou para passar no couro cabeludo. Infelizmente, com minha demissão da Imobiliária onde trabalhei quando morei com o Rodrigo em Niterói, me causou uma coisa esquisita que parece caspa, mas não melhora nem com os melhores shampoos.
Dermatologista? Aceita um livro meu como pagamento? Porque é o que eu posso oferecer no momento.
Peguei o ônibus de volta para casa e a tarde correu bem. Já eram 13h quando cheguei.
Por volta das 14h, consegui ligar o notebook e me organizar para cumprir minhas tarefas. Não andei muito no que precisava fazer, mas dei alguns passos. Isso é muito significativo.
Peguei um caderno e fui pontuando as coisas que fiz, ao invés de pontuar as coisas que eu precisaria fazer. Isso me deu uma sensação de produtividade.
Entre as coisas que fiz, uma delas foi escrever uma publicação de "Dia dos Namorados" para o meu amor. Lembram que eu falei sobre a crise me servir de combustível? Então... Coloquei todo o meu amor, carinho e coragem nessa declaração. Usei todas as palavras "DIA DOS NAMORADOS", "MEU NAMORADO", para quem quisesse ver. Publiquei no Instagram e no Facebook, onde estão todos os conhecidos de conhecidos, amigos de amigos. Por muito tempo, eu me escondi, e não quero mais me esconder. Por mais que, hoje, num dia de fragilidade, pela falta do meu amor comigo, eu tenha precisado das Redes Sociais para me "proteger" no momento da declaração.
Esqueci de contar que o Rodrigo programou uma publicação no Instagram para as 8h da manhã. Foi um gesto lindo (mesmo que ele tenha confundido a ocasião das fotos que publicou)! Eu tenho muita sorte de ter o Rodrigo na minha vida. O texto que escrevi na publicação foi muito significativo para mim, pois nele eu falei do amor de Deus sobre nós, e como meu relacionamento com o Rodrigo é uma das provas desse cuidado e desse amor.
Ele disse que chegaria uma caixa de chocolates aqui no endereço dos meus pais, mas não chegou não. Deve ter acontecido algum imprevisto com a entrega, mas ele só vai poder saber disso no próximo fim de semana, quando eu for à Cerimônia de saída dele (nem sei se vou me lembrar de falar sobre isso).
Quando deu o horário de "Mulheres Apaixonadas", no Vale a Pena Ver de Novo, eu dei aquela paradinha para assistir (mesmo que já tenha assistido a toda ela no período de Pandemia e publicação do meu primeiro livro. Depois da novela, consegui voltar para o que estava fazendo. Cheguei a enviar umas provas de arte para aprovação e, depois disso, fiz o jantar para meu pai e mim.
Acho que o dia foi basicamente esse.
Foi um "Dia dos namorados" sem meu namorado (noivo), mas pude matar um pouquinho a saudade pelo vídeo que ele deixou programado para as 22h.
Depois do jantar, peguei o notebook para escrever esse texto e estou bem feliz pela rotina de escrever no mesmo horário, todos os dias. Mesmo sabendo que pode acontecer de eu não conseguir, ou não querer escrever algum dia.
Preciso voltar a mexer no novo Conto, mas... O momento, agora é para colocar tudo no lugar e, quando acabar esse período de retiro do Rodrigo, continuar escrevendo (talvez, não para o Blog, mas nos meus projetos literários).
Espero que vocês também tenham vivido um bom dia dos namorados, com ou sem um namorado, ou uma namorada. Que tenha sido um bom dia!
Já teve a sensação de que os dias estão passando cada vez mais rapidamente?
Faz um tempo que tenho esse sentimento, mas, hoje eu parei um pouco para pensar sobre isso. Parece que o dia, as horas têm passado tão rápido, que não dá pra fazer nem metade do que a gente fazia antigamente.
Ontem, recebemos a notícia de que a mãe de uma vizinha querida também partiu.
Ela estava internada há semanas, lutando pela própria vida, mas não resistiu. A notícia da morte de uma terceira pessoa próxima, em menos de um mês caiu como uma bomba. Felizmente, meu emocional não se abalou além do convencional. Mesmo assim, sabia que não faria muita coisa hoje, além de estar no funeral, ao lado da família que esteve ao lado da minha, na semana passada, quando perdi minha mãe.
Eu tenho a reciprocidade como um dos pilares da minha formação de caráter, sabe? Inclusive, pesou muito para mim, no momento de ver minha mãe em um caixão, não ter certas pessoas ao meu lado. Pessoas a quem chamei de amigos/amigas, de quem estive ao lado no momento de perda semelhante à minha. Mas, pensando por um lado positivo: que bom que estiveram ao meu lado apenas quem tem a mesma consideração por mim. Inclusive, tive gratas surpresas, pois havia pessoas por quem não esperava.
Por isso, eu fiz questão de estar ao lado da nossa vizinha. Contudo, o fato de eu estar lá me impediu de cumprir com outro compromisso.
É que eu já havia me comprometido com um de meus leitores e amigos, de que postaria nos Correios um livro meu, que ele comprou na quarta-feira, antes do feriado de ontem.
Pensei que conseguiria ir ao Correio pela manhã, antes de irmos ao funeral, mas, como eu mesmo passei a máquina no meu cabelo há dois (ou três) dias (e ficaram algumas pontas grandes nos lugares onde eu não enxergo), minha irmã ficou insistindo para corrigir. Como, hoje, precisaria sair de casa, não queria me dar ao ridículo. Assim, tive que esperar até que minha irmã terminasse de lavar o quintal (que estava muito sujo graças ao cachorro).
Quando ela finalmente acertou meu cabelo, já ia dar meio-dia.
Sairíamos de casa às 13h30m para o funeral, então, não daria tempo de ir aos Correios, porque aqui no bairro não tem um. É preciso pegar um ônibus para um bairro próximo. Até eu voltar, não conseguiríamos ir juntos, de UBER, já que nem eu, nem minha irmã dirigimos.
(Uma pessoa meu ex-cunhado chegou aqui e atrapalhou a fluidez do texto)
Enfim... Fomos ao funeral, que atrasou e só saímos de lá às 17h, e não consegui postar o livro no Correio.
O dia voou.
Agora, quero falar um pouco sobre o que senti agora, com a vinda da tal pessoa meu ex-cunhado aqui. Vamos?
Ele veio de outro país Portugal pra alguma visita aos familiares dele. Passou aqui pra pegar uma chave, ou algo do tipo. Disse que seria rápido, convidei para se sentar e ele não quis, afinal, seria rápido. Mas, começou a questionar o motivo de ainda estarmos aqui no Rio de Janeiro.
Questionou o motivo de eu ainda não ter me mudado para Santa Catarina, assim como duas de minhas irmãs, cunhados e vários sobrinhos fizeram.
"O que ainda te prende aqui no Rio?".
Eu tive que relembrar que minha mãe faleceu há APENAS uma semana, que AINDA estou vivendo o luto, que estive aqui, ao lado da minha mãe, virando noites no Hospital, auxiliando nos cuidados médicos.
Ele insistiu em dizer que eu deveria ir pra lá, fazer uma Pós-Graduação. E eu precisei contar que já tenho uma, e que estou na terceira graduação. Ou seja, o fato de eu ainda estar no Rio de Janeiro nada tem a ver com falta de qualificação, falta de estudos. O que me "prendia" aqui no Rio era minha mãe, que ainda estava viva e, quem leu o texto anterior sabe que ela se sentia mais feliz quando me tinha por perto.
Hoje, estou noivo do Rodrigo, que mora em Niterói, mas isso não significa que eu esteja preso. Eu sinto que as portas certas vão se abrir pra mim, na hora certa. Eu acho que a pessoa que esteve aqui sabe que eu estou noivo, mas não toquei no assunto, por se tratar de alguém extremamente religioso (no que diz respeito a vida dos outros).
Ele deu o próprio exemplo sobre como Deus honrou sua atitude de abandonar um emprego por uma viagem religiosa que ele fez, há muitos anos. E eu respondi que também espero que Deus honre minha atitude de ter me posicionado no meu último emprego, quando chamei minha ex-chefe para conversar sobre não estar de acordo com o modo como ela vinha me tratando.
Minha demissão se deu após uma reunião formal, solicitada por mim, onde ela não gostou de ser contrariada, mas fingiu que havia acolhido às minhas falas. "Divergir para convergir" foi o que a !@#$%¨&* falou antes de nos levantarmos da mesa, naquele dia. Eu já sentia que seria demitido e, no dia seguinte, foi exatamente o que aconteceu.
Quando, no ato de minha demissão, eu contei ao Vice-Presidente da empresa sobre o que havia acontecido, ele disse que não sabia daquela situação, mas que se a decisão estava tomada, não havia o que ele pudesse fazer.
Hoje, eu entendo que até essa demissão foi uma providência divina (Sim! Eu acredito MUITO em Deus) pra que eu pudesse passar mais tempo com minha mãe em seus últimos meses de vida. Se, hoje, estou em paz, com certeza, os últimos quatro meses ao lado dela têm grande importância para isso.
Foi como disse a ele: "Eu espero que Deus também me honre pela minha escolha".
Enquanto isso, vou colocar em dia alguns trabalhos independentes que peguei, e que ficaram incompletos, pendentes, devido aos últimos dias, de correria, internação, perdas, mas, eu espero que após pelo menos uma semana de luto, eu consiga retomar e tocar a vida para frente.
Eu ainda me surpreendo com a forma como as pessoas pensam que podem chegar na vida da gente arrotando tudo o que elas pensam que sabem sobre a vida. Esse costume que muitos têm, de anular nossa história, nossa participação no mundo, nossas cicatrizes, o que aprendemos, o que podemos até ensinar sobre a vida, e chegam falando tudo o que deveríamos estar fazendo da nossa vida.
Pode parecer simples. Minha própria mente fala: "Quem paga suas contas é você. Ninguém tem nada a ver com sua vida". Mas, na prática, as falas, as sugestões, os conselhos, as mentes muito fechadas que vêm acompanhadas de bocas muito abertas (não sei de quem é essa frase), ainda mexem comigo, ainda me desestabilizam.
Enquanto ele falava, eu me contorcia na poltrona, tentando escrever esse texto. Me contorcia, num incômodo infernal. Eu não sabia para onde olhar, não sabia em que me segurar, mas, sabia que queria continuar meu texto sobre um dia onde eu simplesmente não vi o tempo passar porque estive ao lado de uma pessoa querida, que esteve ao lado da minha família quando precisamos de amigos. Mas, esse texto se tornou mais um desabafo sobre questionamentos do que a sociedade espera de nós.
E, sinceramente? Foda-se a sociedade. Porque a sociedade não fez nada pra que as pessoas a quem eu vi morrer nos últimos dias tivessem uma vida melhor, mais feliz. A sociedade não impediu que elas se fossem, com suas crises, seus medos, seus traumas. Aqui é cada um por si. Então, a mim só importa a opinião de quem conhece minha história, de quem me conhece e me respeita como sou, de quem acompanha meu caminho e espera ansioso para saber qual vai ser o próximo passo que a vida vai me permitir dar em direção ao futuro.
O cara olhou para o meu livro sobre a estante e o usou como exemplo, dizendo "Não sei se é um VHS ou um livro". Não sabe nem que o livro que ele usou como exemplo foi escrito e publicado por mim, e quer chegar aqui na minha casa, questionando minhas decisões, e os rumos que minha vida tomou até aqui? Faça-me um favor...
Na hora, mandei mensagem pro meu amigo Sanderson:
"Me liga", "Urgente", "Agora", "Por favor".
Felizmente, ele viu as mensagens e ligou.
Só assim, me livrei da "conversa" (ou seria um monólogo?).
Pedi licença, saí da sala e fui conversar no telefone com alguém que me conhece e acabei lembrando que, sim, eu sei conversar. Eu não sou antissocial. Só que eu não vou sair por aí falando o que penso sobre as coisas e sobre a vida das pessoas, sem ouvi-las, sem conhecer os contextos, sem deixá-las à vontade para falar.
Que cansativo, né?
Nem sei se vocês vão ter paciência de ler tudo isso aqui, mas... É o que temos para hoje.
Pra finalizar, um conselho que me deram hoje: "Façam terapia!", já que as pessoas que precisavam fazer não fazem.
Sempre fui uma criança sonhadora, criativa, espontânea... Mas, as pessoas, desde cedo, começaram a me podar, sem permitir que a voz do meu coração se expressasse de forma livre. Minha família já tinha um ideal de quem ela queria que eu fosse, e eu sentia que não se encaixava em absolutamente nada do que eu era.
Quando criança, eu adorava presentear as pessoas a quem amava. Lembro de uma vez que encontrei um pingente dourado no chão da sala de casa, fiz uma carta cheia de desenhos e declarações de amor à minha professora, e levei para a escola no dia seguinte.
Eu entreguei aquele presente com tanta sinceridade no meu coração, mas... Quando cheguei em casa, meus pais e minhas irmãs me repreenderam de forma bastante dura. Eu não tinha permissão para pegar o que não era meu, muito menos dar de presente a alguém. Acho que eles pensaram que eu havia roubado, mas eu não consegui explicar, então, por medo de piorar tudo, menti, dizendo que algum coleguinha de Turma havia me dado. Mas, piorou.
Como castigo, tive que me ajoelhar no milho durante algum tempo. Aquilo doía muito no corpo, mas nada se compara a dor que me deixou na alma. Meu coração estava partido, especialmente porque eu nunca imaginei que minha Professora me delataria aos meus pais, sem entender que minha atitude havia sido unicamente por amor.
Os mais velhos pensavam estar me educando, me ensinando a não fazer o que era errado, mas eles não conseguiram enxergar a intenção de uma criança de apenas quatro anos de idade, que ainda não sabia exatamente os limites entre o certo e o errado. Ali, eu estava aprendendo a não confiar totalmente nas pessoas, por mais importância ou significado que elas tivessem para mim.
Episódios como este ficaram tão marcados em quem eu sou (ou em quem deixei de ser), que permanecem vivos em minha mente até hoje.
Às vezes eu olho para mim mesmo, como sou, e penso em como eu seria se aquela criança tivesse crescido como realmente era, sem a interferência, reprovações, zombarias... Hoje, minha luta interior está baseada em conseguir ser quem eu sou, seguir meus próprios sentimentos, pensamentos, sem levar tanto em conta o que as pessoas esperam de mim.
É tão difícil! É difícil ter que ouvir as opiniões, as propostas de futuro, as expectativas antigas dos outros, que não têm absolutamente nada a ver com o que eu sempre imaginei pra mim, e ter que ignorar. É como se, mais uma vez, aquela criança estivesse tentando se expressar e as pessoas, sem conseguir compreender, a forçassem a se ajoelhar sobre o milho, tentando ensinar como deve, e como não deve agir.
Não sei se você, assim como eu, cresceu cercado pelo maravilhoso e mágico mundo de Walt Disney. Sim, eu sou daqueles que iam ao cinema acompanhados pela família (com direito a Big Mac após a sessão) e, quando as pessoas começaram a me achar grande de mais para gostar de desenhos, passei a ir sozinho mesmo, afinal, definitivamente, não concordava com elas.
Imagine! Um homenzarrão na sala de projeção escura, reclamando sozinho das mães que insistiam em levar crianças para ficarem chorando durante o filme. Que absurdo!
A questão aqui é: Eu sou do tempo em que os desenhos animados relatavam príncipes em busca de princesas que seriam o eterno amor de suas vidas. Criadas que, com muita sorte, ascendiam socialmente e bastava chorar em desespero para serem consoladas por suas fadas madrinhas.
Sou do tempo em que as personagens se conheciam, se apaixonavam à primeira vista e já sabiam que passariam o resto de seus dias ao lado de alguém (e que, assim, seriam FELIZES PARA SEMPRE).
Lamento informar, mas nada disso é verdade.
Nem mesmo os contos de fadas são tão belos quanto nas versões de Walt Disney. Acredite! O caçador não chegou a tempo de salvar a Chapeuzinho, nenhum beijo de amor trouxe alguém de volta à vida, nenhum príncipe salvou alguém de um sono de cem anos (apesar de muita gente por aí jurar que, se o desafio fosse dormir, o faria tranquilamente até por mais tempo).
As versões originais são completamente sombrias (macabras), e querem ensinar as pessoas sobre a realidade da vida. É como se os irmãos Grimm, ou tantos outros contadores de histórias, chegassem bem na sua cara e dissessem: "Acorda e se prepara, porque a vida não vai te ajudar em merda nenhuma!".
Tudo pode parecer muito mágico e perfeito quando vemos por alguns minutos de história, algumas fotos nas Redes Sociais, mas a verdade é completamente diferente. Dificilmente alguém vai esbarrar nos seus livros no meio da rua, te ajudar a catá-los do chão e te convidar para um jantar naquela mesma noite, dizendo que se apaixonou completamente por você.
Feliz mesmo deve ser essa geração que cresceu imersa na filosofia de que a princesa virou ogro, se salvou sozinha da torre e não espera absolutamente nada da fada madrinha, uma megera egocêntrica. Contudo, não vamos desanimar totalmente, ok? A vida pode, sim, imitar os contos de fadas. Eles realmente podem acontecer. Talvez, estejamos apenas esperando viver a versão errada.
Eu fiquei de saco cheio do meu emprego que só me sugava e não estava me fazendo crescer em nada. Então, decidi pedir um reajuste na minha carga horária, o que foi negado. Sendo assim, eu pedi minha demissão, com o cumprimento do mês de aviso prévio.
Como trabalho (ou melhor, trabalhava) em escola, eu esperei o fim do ano para que tudo fosse favorável, afinal, não queria causar nenhum tipo de escândalo, ou mal estar para a Direção, só queria que o trabalho deixasse de ser o foco principal da minha vida, para voar aos lugares mais altos que todos dizem (e eu também sinto) que eu vou alcançar.
Pra ter uma noção, eu não estava conseguindo fazer mais nada além de trabalhar. Acordava extremamente cedo, chegava tarde, cansado mentalmente e sem disposição para mais nada. Fim de semana era para ficar em casa, vendo filme e reclamando da minha vida parada. Eu juro que tentava fazer algo para mudar, movimentar a minha vida, mas toda vez que eu tentava, o trabalho sofria e vinham as falhas, seguidas diretamente pelas cobranças.
Cheguei a pensar em fazer sessões no Psicólogo e, enquanto não chegava o dia marcado, eu estudava minha própria vida, para descobrir onde estava o ralo que sugava toda a minha alegria de viver. Eu pensei em me mudar, pensei em começar a estudar canto, pensei em fazer atividades físicas, e eu fiz tudo isso, mas nada resolvia a falta de vontade que eu tinha de me levantar da cama todos os dias.
Somente quando eu falei em voz alta que não queria continuar na mesma função no trabalho no ano de 2018, foi que um mundo fantástico se descortinou diante dos meus olhos. Eu fui para casa naquele dia como não ia há muito tempo. Eu sorria sem motivo, ou melhor, sorria porque estava sem o peso de toda a responsabilidade que jazia sobre meus ombros.
Se ainda fosse um emprego que me pagasse o suficiente para eu ter minha casa, meu carro, comprar tudo o que preciso e ainda conseguir guardar algum trocado pra uma viagem nas férias, tudo bem. Mas, por mais que eu economizasse, eu não tinha condição de fazer nada disso. Pra piorar, minhas férias caíam sempre em alta temporada, o que realmente impossibilitava qualquer pensamento de viajar para longe.
Só havia contras.
Por fim, durante o mês de aviso prévio, eu desenrolei tudo o que faltava no enredo do livro que eu escrevo desde 2007 em parceria com minha irmã (são mais de 10 anos num projeto que só vem sendo adiado por causa de trabalho e estudos). Em um mês, ou menos, eu finalizei todo o Roteiro da história dos pontos de vista dos diversos personagens. Depois disso, na véspera do Ano Novo, para ser mais exato, eu comecei a reescrever a história partindo de outro ponto, e a cada dia eu caminhava em um novo capítulo. Minha mente estava livre para fluir na escrita, para imaginar novos mundos, o lado criativo do meu cérebro havia sido liberado para criar, sem toda aquela burocracia e problemas teóricos do dia a dia do meu trabalho.
Deixei de viajar com a família, deixei de sair de casa, tudo para me dedicar 100% ao Projeto, na única intenção de vê-lo concluído.
Já estava novamente no Capítulo 10 quando minha irmã chegou com a proposta de eu me mudar do Rio de Janeiro para Santa Catarina (Concórdia), para morar com a Caren, minha sobrinha de 19 anos, que faz faculdade nessa cidade. Eu simplesmente aceitei. Dentro de mim, era como se mais uma parte de mim também voltasse a vida! Não havia nada que me prendesse. Eu tinha minhas economias e poderia, sim, atender à proposta, indo para uma cidade muito melhor estruturada do que onde cresci. Um lugar propício para me dedicar à escrita do livro.
Foi assim que, em uma semana, tudo se movimentou para que eu pudesse me mudar.
E posso dizer que, felizmente, a vida é feita de mudanças. Eu mesmo percebo o quanto mudei ao longo de todos esses anos. Antes eu sonhava em simplesmente ter uma casa própria, um carro, uma estante cheia de livros, tempo para fazer o que eu gosto, mas hoje eu percebo que se eu preciso negociar a minha felicidade em troca de uma (falsa) estabilidade, eu prefiro morar de aluguel, pegar UBER quando eu precisar sair (ou até mesmo o busão), prefiro não ter minha carteira assinada, desde que eu esteja fazendo aquilo que me realiza, que torna meus dias mais coloridos e felizes por dentro, mesmo que lá fora esteja tudo cinza e nebuloso.
Não consigo mais me conformar com uma vida "comum" se eu sei que diante de mim existe algo extraordinário aguardando para ser vivido. Basta o primeiro passo de ousadia, de desapego, de fé, para que possamos sair das águas rasas e nos aventurar em alto mar.
Este texto tomou um rumo totalmente diferente do que deveria, mas ele traduz exatamente a mim mesmo, como estou me sentindo por dentro.
Espero conseguir escrever mais vezes aqui, mesmo que ninguém leia.
Hoje eu estava me lembrando de quando era criança. Eu e Camila, minha sobrinha, temos praticamente um ano de diferença em nossa idade, então crescemos juntos. Por diversas vezes, tivemos as mesmas pessoas em nosso círculo de convivência e, na maioria das vezes, elas nos tratavam de formas diferentes.
Apesar de pouca diferença de idade, eu era o grandão. Camila era bem pequena, a ponto de receber o apelido de "nanicolina", na escola. Na relação familiar, ela era tratada como criança e eu como o tio responsável por ela.
A única pessoa que tentava nos tratar com igualdade era minha irmã mais velha, Mary (mãe da Camila), que tentava fazer com que a gente tivesse as mesmas oportunidades e as mesmas alegrias. Por exemplo: Se a Camila ia ganhar um CD de presente, eu ganhava o mesmo CD. Olhando por um outro ângulo pode parecer inútil, perda de dinheiro, uma vez que passávamos a maior parte do tempo juntos, mas ela fazia isso para que eu me sentisse tão especial quanto minha sobrinha, que sempre foi cercada de mimos por todos.
Não era a toa que minha irmã fazia isso. Ela, com certeza, percebia a diferença de tratamento que as outras pessoas tinham entre Camila e mim.
Eu confesso que eu percebia que estava ganhando o mesmo que a Camila pra não me sentir menos amado, inferior, etc. Mas era exatamente assim que eu me sentia.
Eu sentia que só estava ganhando o mesmo que ela, por pena. Quando ganhávamos os mesmos presentes, eu achava que não era digno dele. Só sentia que estava ganhando pra não "aguar". Tipo, "Temos que comprar dois, um pra ela e um pro Douglas".
É claro que, hoje, eu sei que não era essa a intenção, mas é incrível como a mente (mesmo a mente de uma criança) distorce as coisas. Parece algo diabólico, na tentativa de gerar complexos na mente de alguém, pra que cresça como uma adulto que se sente tolerado e não amado.
Por muito tempo foi assim que me senti. Como se as pessoas não sentissem amor real por mim. Como se não houvesse motivos para me amarem.
Isso passou? Confesso que não. Mas, eu aprendi a lutar contra meus próprios pensamentos. Aprendi que se eu me amar, vou conseguir enxergar o motivo de as pessoas também me amarem. Não que as pessoas devam me amar pelo que eu sei fazer, mas por quem sou. E é exatamente isso que tenho feito ao longo de todos esses anos. Tenho me conhecido intimamente, amado cada pequeno detalhe de minha personalidade, sido meu melhor amigo (nunca deixando de me cercar de pessoas especiais, mesmo que seja uma por vez), e assim, quando alguém parece me amar, eu sei que é de verdade, que é algo possível, pois eu também me amo.
Com toda essa reflexão, eu aprendo duas coisas: Os pais, irmãos mais velhos, responsáveis por alguma criança podem lutar com todas as forças para fazer com que ela veja o mundo colorido pintado por uma infância perfeita, mas nada está definitivamente sob seu controle. Não dá pra privar alguém da realidade da vida, pois todos nós estamos vulneráveis à maldade do mundo, desde bem pequenos.
O outro aprendizado é o seguinte: Toda história tem dois lados e, apesar de relatar o meu lado da história, hoje eu pensei no lado da minha sobrinha, a Camila. Que também teve seu lado ruim da história. Sempre tão comparada a mim em questões de aprendizagem. Sofreu uma cobrança injusta por parte das pessoas, quando eu continuei focado nos estudos e ela começou a ter tantas outras coisas chamando sua atenção.
A vida é isso aí... Vencendo nossa própria mente dia após dia. O segredo é enxergar a verdade nas intenções de quem nos ama. Essas distorções da realidade são naturais, coisas da fertilidade da nossa cabeça bagunçada.
Fechei meu horário de aulas na escola de música. Não vou dizer o nome, porque não tô ganhando nem um centavo pra fazer propaganda... rs! Pelo contrário, estou tendo que pagar pra estudar lá. Enfim, foi o início de uma nova fase na minha vida, ou melhor, a continuação de uma fase paralisada, o despertar de um sonho adormecido. E eu não poderia ter feito escolha melhor!
É claro que não foi fácil o processo de inscrição e matrícula. Eu falei pra mim mesmo que só me inscreveria se alguém pagasse minha inscrição. Não que eu não tivesse o valor. Graças a Deus, estou trabalhando e tenho condição de pagar, mas decidi fazer assim pelo valor significativo que teria. Significava que alguém acreditava em mim. Alguém estava disposto a investir no meu talento musical (subestimado por mim mesmo). E, como eu acredito que nada acontece por acaso, quem pagou minha matrícula foi ninguém menos que meu pai.
Pra quem lê, talvez não seja tão especial assim, alguém que tem o costume de ver os pais pagando as coisas. Mas, deixe eu explicar o motivo de ser MUITO IMPORTANTE o fato de meu pai ter pago a matrícula?
Desde criança eu vejo minha irmã mais velha cantando, estudando música e recebendo todo tipo de investimento por parte do meu pai. Mas, em determinado ponto ela ficou um pouco desmotivada com tudo o que ocorre nos bastidores do meio musical e foi deixando um pouco de lado, vivendo mais para a vida do que para a música. Eu não sei quais foram os efeitos disso sobre meu pai, que sempre investiu nela, mas ele criou total resistência por pagar qualquer coisa relacionada a música para mim.
Ele nunca deu um centavo para aulas de canto, quando eu pedi para fazer fono, por estar em fase de mudança vocal (devido à puberdade), ele se negou veementemente a pagar pra mim. Eu chorava, implorava, mas ele estava totalmente fechado por fazer mais um investimento na área da música para outro filho dele. Acho que ele tinha medo de eu não dar retorno, virar um homem sem responsabilidade, porque realmente é essa a visão das pessoas em relação a quem trabalha com música (isso, aqui no Brasil). Acham que são um bando de desocupados (e muitos deles realmente dão razão a essa fala, né? Mas, deixa isso quieto).
Quando eu quis estudar música num internato em Minas Gerais, meu pai não deu nenhum tipo de apoio! NENHUM! Ele, inclusive, era contra. Falando palavras para me desmotivar, dizendo que eu não ia conseguir. Mas, quando fui informado de que não haveria vaga na Turma de Música, e que a outra opção era estudar na mesma escola fazendo outro curso, ele aceitou. Minha estratégia era trocar para a Turma de Música, dependendo das vagas de desistências, mas acabei não trocando.
O fato é que a reprovação do meu pai não estava em relação à minha ida, a deixar de ter um filho por perto, tanto que ele se abriu totalmente quando eu falei que não estudaria música no internato. Sua resistência era com a Música.
Entendeu por que foi tão significativo, ELE dizer que pagaria minha matrícula?
A sensação é de que aquele medo dele, que se revelava em sua rigidez quando o assunto era Música, ou qualquer coisa relacionada a ela, foi vencido. Ele viu quem eu me tornei e quem eu posso me tornar. Ele viu que realmente é meu sonho, pois, apesar de todos os conflitos que ocorrem nesse meio, depois de todos esses anos, foi algo do qual eu não desisti, e nem pretendo.
- Eu andei stalkeando seu Facebook. - disse alguém que não me conhece pessoalmente.
Nessa Era Tinder onde a gente costuma conhecer muita gente pela Internet, antes de conhecer pessoalmente, eu conheci alguém que acabou encontrando meu Perfil no Facebook, deu aquela analisada e chegou a uma conclusão: "Sabe o que eu achei?... Digo... Não leve para o lado pessoal, mas... Você parece ser alguém triste.", falou um pouco sem jeito.
Eu confesso que fui pego de surpresa, apesar de não ser a primeira vez que alguém diz isso sobre uma publicação minha na Rede Social.
- Você é assim? Alguém triste? - insistiu na pergunta.
Cara, eu costumo dizer que o meu facebook só mostra o que eu quero que as pessoas vejam, o que eu quero que elas saibam sobre mim.
Eu sou alguém muito reflexivo, costumo filosofar muito sobre a vida, o sentido dela, especialmente sobre a minha própria vida. Isso rende momentos em que vou até o facebook e escrevo algum desabafo (bem poucos), compartilho algo que, nesses momentos de reflexão tendem a ser um pouco mais melancólicos.
Só que eu comecei a pensar nos meus melhores momentos no último mês (Junho), momentos em que eu ri de gargalhar, abracei, beijei, me emocionei, cozinhei escutando música no último volume (e dançando descompassadamente), cantei no meu microfone de cabo de vassoura, enquanto varria a casa dos meus pais, fiz brigadeiro, assisti filme velho (dos anos 80) agarradinho com a minha mãe num dia frio, passei de mãos dadas, passei sem mãos dadas, reencontrei amigos, fiquei até 4h da manhã em ligação, pra acordar às 5h e ainda assim acordei com um sorrisão no rosto... Nossa! Foi tanta coisa! Eu nem consigo lembrar de tudo pra escrever aqui.
O fato é que se eu estiver realmente feliz, eu nem vou lembrar de pegar meu celular pra tirar uma foto ou atualizar minha localização no facebook, pra tentar (indiretamente) esfregar minha felicidade na cara de alguém.
Os melhores momentos da vida, a gente vive off-line. A vida real é muito melhor do que a virtual! E isso é maravilhoso!
Neurótico como sou, eu ainda fui perguntar para alguém que me conhece se essa pessoa me acha triste. E, apesar de passar por momentos de tristeza (como todo mundo deve passar), eu confirmei que minha vida realmente não tá no Facebook. Eu vivo a vida aqui fora e vou viver ainda mais, quando colocar em prática meus sonhos que estão voltando à tona.
Eu tô tão feliz por isso! (Mesmo não sentindo vontade de publicar uma foto ou um texto expressando essa felicidade no meu Facebook).
Eu confesso que, às vezes, me perdia em pensamentos, imaginando como seria minha vida adulta e, apesar de todos os prós, havia muitos contras que, em maioria, me impediam de querer que o tempo passasse para mim.
Eu queria morrer cedo.
Minha expectativa de vida era de, no máximo, até os 18 anos. Mesmo assim, eu não conseguia me imaginar com essa idade.
Aconteceram muitas coisas boas ao longo da minha infância, mas também houve momentos ruins. O pior era quando esses "momentos" duravam longos períodos de tempo, às vezes dias, ou anos.
Crescer, para mim, significava ser obrigado a enfrentar a realidade da minha própria vida como ela é. Assumir a responsabilidade de ter uma história totalmente diferente das que eu costumava ler, assistir em desenhos animados, ou ouvir de outras pessoas.
As histórias alheias eram tão bonitas! Cheias de viradas favoráveis ao protagonista (quando este não se tratava de mim), e eu me envergonhava da minha própria trajetória. Eu não queria ser eu. Queria ser eles: os donos das boas histórias felizes e famílias aparentemente perfeitas. Na minha visão, eles eram filhos preferidos de Deus.
Mas, algo em mim mudou.
Antes, eu procurava culpados para minhas feridas, porém, com a maturidade, passei a encarar tudo como "o rumo que a vida tomou", aceitar que essa é a minha história e que eu não devo me envergonhar dela.
Chega uma hora em que você se sente pronto. Pronto para compartilhar com o mundo quem você realmente é, suas imperfeições, detalhes sobre sua história que podem servir de aprendizado se compartilhados com outras pessoas que, talvez, estejam vivendo algo parecido com o que você já viveu (ou esteja vivendo), e poderão perceber que não estão sozinhos nesse lugar que chamamos de mundo. Que podem te chamar de amigo e se sentir acolhidas, fortalecidas para continuar caminhando pelas estradas da vida.
É claro que também haverá muitos julgamentos, reprovações, etc, mas, hoje, suas intenções já não irão consistir em agradar a alguém além de você mesmo. Antes de tudo, ame-se, aceite-se, faça a si mesmo feliz.
A você que, um dia, me desiludiu no amor, gostaria de transmitir os sinceros votos de gratidão da parte de meus chefes.
É inexplicável a forma como o trabalho rende!
Assuntos inacabados são prontamente resolvidos. Papéis acumulados logo recebem um fim, tal quais as cartas, bilhetes e mensagens apaixonadas que trocamos.
Os telefonemas para agendamentos de reuniões que naturalmente deveriam ser feitos pela Secretária, os faço eu mesmo de bom grado, na tentativa de suprir a falta de discar seu número de telefone, ter alguém com quem marcar um encontro e desejar que tenha um bom dia.
Organizo a bagunça da minha própria sala com a mesma intensidade e rapidez que gostaria de conseguir organizar de uma vez por todas a bagunça que você deixou dentro de mim.
Meus chefes te agradecem pelas horas-extra que tenho feito. Tudo para ocupar minha mente com trabalho, já que o vazio de meus pensamentos só me levam de volta a você.
Por fim, eu mesmo preciso agradecer. É incrível como, logo que você se foi, voltei a pensar em prosseguir com meus estudos aos fins de semana, antes reservados a nós dois. (Já vi até o preço da Pós!).
O melhor disso tudo é que todo o meu compromisso com o trabalho pode me render uma promoção, quem sabe um aumento. E uma vez que o Dia dos Namorados se aproxima, terei condição suficiente para o presente que darei, e o jantar romântico que proporcionarei a mim mesmo.
Era feriado. Os grandes centros culturais estavam lotados de pessoas que desfrutavam de tempo livre. As praças também dividiam espaço entre ambulantes, jovens em seus skates e patins, e pessoas que simplesmente caminhavam desfrutando da brisa gelada que contrastava com o sol que aquecia a pele. As ruas, porém, estavam praticamente vazias. O comércio permanecia fechado, com poucos restaurantes, cujas mesas se espalhavam pelas velhas ruas ladrilhadas do centro do Rio de Janeiro. Foi nesse cenário que eles se encontraram pela primeira vez. Um coração machucado e outro, cheio de vida, disposto a doar-se para sarar as feridas do primeiro. Entre conversas, surgiram os primeiros gestos de carinho, o coração ferido pôde ouvir por diversas vezes o que há muito não ouvia. Palavras que o fizeram se enxergar como já não conseguia. Ele olhava para o sorriso de seu companheiro e era iluminado por seu olhar vivo, sua sinceridade e a felicidade estampada em seu rosto. Será que ele poderia confiar? Ele poderia mostrar suas feridas? Ele acreditou que sim. Deu o primeiro passo. Pediu diversos abraços. Parecia mágica. Ia além do que ele poderia explicar. Ele realmente não se sentia assim há muito tempo. Quando os dois corações se encontraram, puderam ouvir o som de harpas célticas tocarem em meio à penumbra. Um calor os rondava, mas isso não os impediu de se aconchegarem no abraço um do outro. Eles não se importavam com nada, com ninguém ao redor. Só havia os dois ali. À medida em que o dia passava, a hora da despedida se aproximava. O coração ferido, sem habilidade para despedidas (depois de todas as que já teve que fazer ao longo da vida), não sabia o que sentir, o que fazer, o que sentir. Só sabia que, depois daquele dia, o que ficaria seria uma conhecida amiga, a quem ele chama intimamente de saudade.
Ontem eu comentava com um amigo sobre algo que aconteceu comigo, recentemente.
Vinha de uma semana cansativa de trabalho e atividades extras. Muita correria, um cansaço mental e estresse que me faziam não render, não desfrutar dos melhores momentos do dia, não viver.
Na primeira oportunidade que tive, eu não planejei nenhuma festa, passeio ou filme na companhia de alguém (por melhor que a companhia pudesse parecer). Na verdade, eu estava tão acabado, que não tinha cabeça sequer para planejar algo. Eu estava ansioso pelo meu mais que merecido descanso, que finalmente chegara.
Lembro de ter dormido até tarde, ficado na cama, ouvido música, tomado vários banhos e voltado (novamente) para a cama, devo ter lido alguma coisa, escrito algo. Enfim, vivi um dia desconectado e isolado no que, para mim, havia sido um dia, acima de tudo, feliz. Eu me sentia preenchido pela minha própria vida, na simplicidade de viver o que eu precisava ter vivido naquele dia.
Meu grande erro, porém, foi, ao fim daquele dia, até então, maravilhoso, ter entrado numa maldita rede social chamada Facebook (alguém aí já ouviu falar dela?). Eu comecei a zapear a tela do celular, mesmo deitado, pouco antes de dormir o sono da noite, e vi fotos de pessoas sorridentes, acompanhadas de outras pessoas sorridentes, em praias, festas, passeios, ou até mesmo em casa, na piscina, tomando sol naquela tarde de verão que havia passado.
Lembro que, instantaneamente, uma sensação de descontentamento com minha própria vida tomou conta do meu interior. Meu coração entrou num estado de desagrado com meu próprio dia. Minha mente me dizia que "aquilo sim (o que via nas fotos) era viver, e não o que eu 'vivi' durante meu dia de descanso", e eu comecei a me entristecer por ter "desperdiçado" meu dia dentro do quarto.
Naquele momento um estalo me salvou do sono que tentou paralisar minha alegria pela minha própria vida, e eu repreendi a mim mesmo pela forma como estava me permitindo pensar. O meu dia havia sido maravilhoso, SIM! E eu não deveria comparar minha vida com a de outras pessoas.
O dia delas poderia, sim, ter sido maravilhoso em suas praias, passeios e amizades, porém, isso não significava que o meu dia longe do celular ou das lentes de uma câmera a divulgar minha alegria nas Redes Sociais, tinha feito com que minha vida fosse considerada medíocre e inválida.
O problema que nós, seres humanos, precisamos consertar em nós mesmos (e em mais ninguém), é esse: parar de comparar nossa vida com a vida das outras pessoas.
Como diz uma querida mentora, estamos tão felizes com a nossa TV de 14 polegadas, até chegar o caminhão das Casas Bahia na casa do vizinho, com uma TV de 42. Começamos a não gostar tanto assim da nossa, de 14.
Meu desafio diário é viver minha própria vida, ser feliz ao meu próprio jeito, proporcionar alegria às pessoas ao meu redor, e não ficar invejando (sim, invejando - porque essa é a palavra ideal para esse sentimento) a felicidade alheia.
Portanto, sejamos mais gratos pelo que temos, sem questionar o motivo de alguém aparentemente possuir mais do que nós. Porque viver esse tipo de vida que compara e compete, é uma triste maneira de viver.
Enjoy the day! Enjoy the life! Be happy! Carpe Diem!
A cada ano que passa eu me convenço de que a vida precisa ser comemorada com mais frequência do que apenas uma vez por ano, nos aniversários. As pessoas precisam se sentir especiais mais e mais vezes ao longo de seus dias. Fazer o que gostam, reunir aqueles a quem amam, serem elas mesmas (sem julgamentos alheios), ouvirem o quanto são admiráveis aos olhos de alguém...
Isso tudo faz tão bem para a alma! Mas, infelizmente, a cultura da sociedade é a de declarar o bem a alguém apenas em ocasiões especiais.
Imagine se algum dia as pessoas conseguissem tratar umas às outras como se todos os dias fossem o dia de seu aniversário! Dizer palavras de carinho, distribuir abraços, olhares afetivos, escrever cartões e dar presentes, levar café da manhã na cama, sair pra passear, deixar mensagens inesperadas no facebook dizendo o quanto alguém é importante para sua história. Não há dúvida de que assim seríamos mais felizes e viveríamos em um mundo melhor.
Quanto ao dia de seu aniversário, ele precisa ser o mais parecido com seus demais dias. Não em relação à monotonia das obrigações e a falta de declarações de carinho. Muito pelo contrário. Se todos os seus dias forem recheados com tudo o que eu já falei antes, seu aniversário será apenas uma extensão de toda a alegria que você já está costumada a desfrutar (e distribuir) no dia a dia.
Só assim você terá a certeza de que é alguém feliz não por um único (e curto) dia, mas que todos os seus dias são plenamente felizes.
Na vida podemos fazer planos... Ou não. Podemos simplesmente estagnar. Mas, sinceramente, não foi essa a vida que eu projetei para mim. O problema é que às vezes a gente olha pra si mesmo e se vê como alguém "não importante". Quem vai querer ler nossos textos, ouvir nossas composições, ou simplesmente nossa voz interpretando uma canção com todo o coração? "Infelizmente, você não tem o X que a gente procura...".
Muitas vezes, a falta de oportunidade nos faz desacreditar de que nossos sonhos possam se tornar realidade. Mas, tudo o que é construído (e bem construído), respeitando o tempo certo para seguir adiante, rumo à próxima etapa, é mais duradouro do que tudo o que se conquista facilmente. Quantas pessoas enriqueceram tão rapidamente e logo se perderam em meio à própria fortuna, por não saber administrá-la? Quantos explodiram em uma fama sem fundamento e logo desapareceram com a mesma rapidez com que surgiram?
No último fim de semana eu estava assistindo ao documentário de alguém a quem admiro, que tem uma vida bem sucedida, apesar de inúmeras frustrações, porém, alguém que sempre teve quem investisse e acreditasse em seu potencial. Comecei a pensar como é fácil você ter tudo quando tem condições de pagar por aquilo. É fácil as pessoas quererem fazer as coisas para você quando você já está no topo, no sucesso absoluto. Infelizmente, as pessoas só querem apoiar o que já está dando certo. É tão difícil encontrar alguém que acredite em você quando nem você mesmo acredita mais!
São tantos sonhos... E, às vezes parecemos tão egoístas em querer que eles se realizem. Afinal, ninguém pode ter tudo o que deseja. Aprenda a lidar com suas próprias frustrações! Todo mundo tem as suas! Mas, isso é uma grande mentira. Você pode, sim, conquistar seus sonhos.
Talvez você não tenha dinheiro para publicar um livro, mas nada te impede de se dedicar a escrever suas histórias, como se elas pudessem ser publicadas. E por que não imaginar que uma grande editora está aguardando avidamente para ler e revisar o que você escreve, devido aos inúmeros fãs que aguardam pela publicação? Por que não escrever suas próprias composições e gravá-las à capela até que alguém que acredite em sua capacidade potencial se interesse por arranjá-las? Por que não gravar seus próprios vídeos editados por você mesmo de forma totalmente amadora (e dar o seu melhor nisso) até que alguém que super entende de edição se prontifique a editar para você?
Só não deixe de sonhar. Não deixe de projetar. Alguém vai querer ouvir sua voz, ler seus textos, ver seu sorriso em uma foto.
Assim, quando a oportunidade, o dinheiro, as pessoas certas aparecerem na sua vida, você vai estar pronto, preparado para realizar seus sonhos. Faço minhas as palavras que li no Blog da Jéssica:
"o mundo precisa das suas ideias. Não importa quantas pessoas estejam fazendo a mesma coisa, não importa se te chamam de egoísta quando você segue os seus sonhos, egoísmo é você deixar o mundo sem as suas ideias. Se você tem uma ideia, compartilhe com as pessoas, talvez hajam pessoas precisando delas e você está sendo egoísta em não apresentá-las ao mundo."
Estava com saudade de escrever aqui.
Até o próximo Post!
Douglas ;)
Esta música tem me acompanhado desde o último fim de semana
*Se alguma imagem utilizada para ilustrar esta ou outra postagem pertencer a você, terei o maior prazer em acrescentar os créditos.
Por um segundo, definiria essa fase pela qual estou passando como sendo um momento de silêncio. Minha vida mudou muito e o que sinto é que não devo satisfações dela a ninguém. Portanto, me dou ao direito de me calar.
Sabe aquela voz lá no fundo da alma que rastejava implorando a aprovação das pessoas? Também se calou! Talvez, por perceber que neste mundo definitivamente é cada um por si e Deus por todos.
A amabilidade, a gentileza e a cordialidade (e educação em geral) são princípios inabaláveis em mim, são bases sobre as quais meu caráter e minha personalidade foram construídos. Agora, não venha querer tomar contas de minha vida, se nos momentos em que eu mais precisei eu estive sozinho. Aliás, sozinho não. Porque Deus foi (e ainda é) real para mim em todos os momentos. Só a Ele eu pretendo prestar contas e, ainda assim, o Deus a quem conheço, que é muito diferente desse tão mencionado por seus "assessores oficiais" (funcionários da indústria da fé, do mercado Gospel, que se autointitulam Seus amigos, mas que nada têm com Ele).
O Deus a quem amo colocou sobre mim um "jugo suave e um fardo leve" (Mt. 11:30). É impossível não amá-lo e ser totalmente grato a Ele por isso.
Creio que para um silêncio eu já falei até demais (ou o suficiente). Estou apenas respeitando esse momento. Se você não pode respeitá-lo, por favor, afaste-se de mim... E será muito bem-vindo quando aprender a fazê-lo.
Tudo o que quero é estar em paz comigo mesmo e com Deus. Isso se refletirá nas demais áreas de minha vida e alcançará quem estiver disposto a ser contagiado pelo bem que isso me faz.
Nunca fui muito cinéfilo. Quando criança, assistia aos desenhos de Walt Disney ('Waldisney', para os íntimos) repetidas vezes, mas quanto a filmes, eu mal tinha paciência para assistir até a metade e logo queria que terminassem. Depois que cresci, meus filmes favoritos para assistir repetidamente foram "O Diabo veste Prada" e "De repente 30", e minha sobrinha sempre me 'zuava' por sempre assistir a estes filmes quando falava que estava com vontade de assistir a algum filme.
Em maio de 2015, peguei, sem compromisso ao "Garota Exemplar" na locadora pra assistir durante um feriadão (falei sobre isso neste Post). Assisti ao filme tão sem expectativa (pensando que fosse mais um daqueles filmezinhos em que investigam o desaparecimento da moça boazinha e no final o culpado era o marido que estava ali o tempo todo se fazendo de coitadinho) que, quando me deparei com o desfecho final da história, aquele filme se tornou incrível!
Gillian Flynn
Como todo bom escritor (modéstia à parte), eu quis entender como alguém teve aquela ideia fantástica para uma história e, como a autora (Gillian Flynn) havia escrito o enredo da história sem errar no andamento, para prender o leitor assim como o filme prende o expectador. Parecia algo difícil, na minha concepção. Na Bienal do Livro no Rio (2015) eu comprei o livro da história e, desde então, venho lendo cautelosamente, percebendo os detalhes e expressões da autora. Confesso que ainda não terminei, porque não quero perder nenhum detalhe.
O fato é que declarar simpatia por essa história tem me trazido consequências nada boas na minha vida pessoal. O que me leva a refletir sobre a maldade no coração das pessoas. Pelo pouco que vocês podem acompanhar aqui no Blog, ou na minha própria vida pessoal, devem perceber que eu sou só um cara querendo ser feliz e levar a vida numa boa. É claro que tenho minhas crises e paranoias inerentes à natureza humana, mas tudo o que eu quero é o bem (o meu próprio e o das pessoas ao meu redor).
Só que alguém a quem conheci há pouco tempo, começou a observar meu jeito de ser, de agir frente a algumas situações, minha tentativa de levar sempre as coisas na esportiva e também minha forma de querer agradar às pessoas, e começou a ficar desconfiada de mim, pensando que todo o bem que eu fazia era para entrar na vida dela e fazer algo ruim. A pessoa confessou que esses pensamentos começaram a brotar na mente dela depois que eu disse que meu filme preferido é 'Garota Exemplar'.
Confesso que fiquei chateado com a situação, porque eu só estava sendo eu mesmo o tempo todo, e não é legal você estar sendo você mesmo e ouvir de alguém a quem você pensava ser amigo (AMIGO) que ela não consegue confiar em você, por desconfiar que você seja um psicopata, pelo seu jeito "perfeito" de ser.
Quem me conhece há mais tempo, sabe que eu sou um perfeccionista assumido (e insatisfeito com essa condição). Gostaria de me cobrar menos, não querer impressionar tanto, surpreender tanto, agradar tanto, mas ao mesmo tempo, os lados bons do perfeccionismo me prendem e acabam fazendo de mim quem eu sou.
O que me entristece nisso tudo não é apenas o fato da minha entrega excessiva que me fez receber essa comparação injusta em troca, mas perceber que vivemos em um mundo tão acostumado com a maldade que as pessoas estão desconfiando dos atos bondosos. A que ponto chegamos... Mas, como eu li numa tirinha certa vez, quem está errado não é quem está sendo 'trouxa' em amar, mas aqueles que não sabem receber esse amor.
Ansioso por mudanças nos nossos padrões de avaliação interpessoal.