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"Ânimo! Cadê você?!"

Hoje é o primeiro dia, após esse tempo que eu estou sem vontade de escrever aqui. Já é tarde, e eu acabei perdendo muito tempo achando que estava atualizando o Windows do meu notebook antigo, mas, no final, ele resetou a atualização e voltou ao estágio inicial. Nessa brincadeira, perdi cerca de duas horas de vida.

Tirando isso, o dia foi produtivo. Consegui finalizar os ajustes finais nas artes encomendadas e já enviei ao cliente. Também me dediquei a me organizar para estudar para duas provas de um processo seletivo para contrato pela Secretaria Municipal de Educação de Maricá. Foi uma amiga do trabalho do Rodrigo que me mandou o Edital. Hoje, abriram as inscrições e, sem querer querendo, eu me inscrevi no primeiro dia.

Minha tia do Espírito Santo havia se hospedado na casa de um dos filhos dela, que mora aqui no Rio, mas hoje ela voltou para cá hoje. Uma prima minha também veio almoçar conosco. Foi uma manhã/tarde agradável. Modéstia à parte, eu arrebentei no almoço! Ficou uma delícia.

No momento de descanso pós almoço, assisti a mais um episódio de uma série documental na Netflix, que se chama "Filmes que marcam época". O episódio de hoje foi sobre o filme "Sexta-feira 13", mas já assisti a alguns muito bons, como "Dirty Dancing", "Uma linda mulher" e "Jurassic Park".

Depois disso, saí pela casa, gritando: "Ânimo! Cadê você?!". Acho que funcionou, porque o ânimo logo veio, e eu consegui fazer essas coisas que precisava.

Hoje, apesar das lembranças da minha mãe, e da saudade pelo espaço que ela deixou na minha vida, na casa (mas não no meu coração), foi um dia mais comum, onde minha mente conseguiu focar um pouco mais.

Para o fim do dia, fiz o jantar e pensei que não chegaria vídeo do Rodrigo, às 22h, mas teve. Que saudade que eu sinto dele! Fico lembrando dos trejeitos, vendo ele falando sobre o lugar onde está no momento em que gravou o vídeo, apontando o dedinho... kkk. Ele é alguém muito especial pra mim, vocês não têm noção. É alguém que parece que eu conheço a vida toda, e que eu espero ter comigo pelo resto da vida.

Assisti à reprise do "Que história é essa, Porchat?", com a Mari Gonzalez, Kondzilla e Polli Marinho. Foi bom pra dar boas risadas. Prestei atenção em coisas que não havia me atentado da vez em que assisti no Globoplay. Pra finalizar o dia, decidi ver ao 5º Episódio de "Os Outros", Série também do Globoplay. Nossa! Tá muito boa.

Amanhã já é quinta-feira e, cada vez mais se aproxima o dia em que vou rever meu amor. Confesso que estou um pouco ansioso, receoso pelo reencontro, pois não sei como será. Mas, estou mentalizando que devo ir de coração aberto, sem ficar pensando sobre como devo reagir mediante alguma situação. Estarei lá de corpo presente, irei observar (como sempre faço) e penso que, depois de ter visto minha mãe morta em um caixão, nada mais pode ser tão ruim.

Só vamos!

Por hoje é isso.

Douglas ;)

A humanidade de ouvir

Se tem uma coisa que eu não sou, é objetivo. Esse, definitivamente, é um adjetivo que não me cabe. Salvo em situações muito específicas que envolvam demissão. Aí eu consigo ir direto ao ponto, sem dar voltas e voltas em diversos assuntos.

Mas, hoje, eu acho que vou precisar ser um pouco mais objetivo, afinal, já passa da meia-noite.

O dia, hoje, tinha tudo para não ser nada produtivo.

Acordei, tomei meu banho, arrumei minha cama e logo fui fazer o almoço (por volta das 9h30). Apesar da grande variedade de coisas que fiz para o almoço, tudo ficou pronto às 11h45m. Almoçamos cedo e isso me dá uma sensação de que o dia (a tarde) rende um pouco mais.

Após o almoço, peguei umas contas para pagar (pela conta do meu pai, porque eu não tenho um tostão furado para pagar sequer as minhas próprias contas) e, diante do computador, fui inventar de responder à minha amiga Carol, que perdeu a irmã recentemente (há cerca de um mês).

Foi ótimo poder servir como um amigo leal, um bom ouvinte (ou leitor, dependendo do ponto de vista), e estar ao lado de uma amiga que precisava de mim. O problema é que falar sobre luto, sobre perda de alguém amado, mexeu um pouco comigo, e eu acabei perdendo o ânimo para fazer qualquer outra coisa a seguir. Foi como se eu precisasse recuperar minhas forças após a conversa.

Mas, aprendi que amizade verdadeira é assim: A gente guarda nossa tristeza no bolso para cuidar da tristeza de quem amamos. Vem sendo assim desde que a Carol perdeu sua irmã. Eu já estava passando por todo o processo de internação e correria com a minha mãe, mas, não quis que ela soubesse. Chegando do hospital, após uma vivência numa Escola no Cosme Velho (RJ) para a qual eu nem fui selecionado, fui visitar minha amiga, pois sabia que ela precisava entender que poderia contar comigo.

Mais uma vez, me dei algum tempo. Fui para a sala, assisti TV e fiquei navegando pelas Redes Sociais. Quero dar um tempo (preciso). Tenho perdido muito tempo distraído nas Redes Sociais, com absolutamente nada relevante. Assisti ao Jornal Hoje, com meu pai, à novela "Chocolate com Pimenta", que está na reta final, o filme que passou na Sessão da Tarde foi "Como se fosse a primeira vez", e emendei em "Mulheres Apaixonadas".

Quando começou a novela das 18h, eu me levantei e propus ao meu pai jantarmos mais cedo. Ele concordou, então eu já comecei a mobilizar as coisas para o jantar.

No momento em que eu ia colocar o filé de peixe na panela, alguém chamou. Era a vizinha que perdeu a mãe recentemente (falei dela nesse texto aqui). Ela e o filho vieram procurando por minha irmã, mas ela não estava aqui.

Os convidei a entrar e ela disse que não demoraria, mas eu não estava com pressa. Chamei meu pai e ficamos ali, à mesa, ouvindo tudo o que ela tinha para contar sobre o momento de perda. Pudemos também falar um pouco sobre nossa experiência e me coloquei na condição de ouvinte empático, escutando atentamente, demonstrando interesse e fazendo perguntas para reforçar o assunto, ou abrir parêntesis para novos assuntos.

Eu senti que ela precisava conversar, colocar para fora, desabafar, se sentir compreendida por pessoas que estavam passando por algo semelhante ao que ela tem vivido mediante a perda.

O jantar esfriou e fomos comer lá pelas 21h, quando eles foram para casa.

Foi uma conversa muito leve, fluida e boa, onde ambas as partes se sentem compreendidas e acolhidas.

De quebra ainda tive diversas lembranças de infância, de quando eu ia lá na casa dela, assistir VHS e DVDs, quando aqui em casa ainda não tínhamos condições de ter esse tipo de aparelho. Foi como fazer uma viagem no tempo. Uma boa viagem a um lugar interior que eu não acessava há muitos anos.

É incrível perceber como as pessoas nem sempre sabem sobre as boas marcas que deixam em nossa vida, assim como a gente não sabe de todas as marcas que deixamos na vida das pessoas, sejam boas ou ruins. Precisamos fazer o bem nas pequenas ações, e eu fiquei feliz por receber uma vizinha aqui, hoje, para conversar. Deu uma movimentada na noite, afinal. 

Em seguida, senti um ânimo descomunal. Vim para o quarto, liguei o notebook e fui fechar as tais artes que já comentei aqui por diversas vezes, mas que não estavam caminhando muito (os pequenos passos que mencionei em textos anteriores). Em menos de DUAS HORAS, eu consegui fechar tudo e fazer o upload na nuvem para enviar ao cliente. Havia coisas que minha mente não estava processando ao longo de todos esses dias e que, num estalar de dedos, eu consegui pensar e falar: "Parecia que isso daria um trabalhão!" Como a mente da gente é... A minha não estava bem, a ponto de eu não conseguir raciocinar logicamente. É muito importante que nossa mente esteja bem, equilibrada, para que as coisas fluam.

Enquanto o arquivo carregava, decidi abrir essa aba e escrever sobre o meu dia. Pensei que não conseguiria escrever hoje, mas, graças a Deus, estou cumprindo com minha meta de hoje.

Quer dizer que, quando eu pensei que não renderia em nada, por ter dado prioridade a outros seres humanos que precisavam da minha atenção sincera, na verdade, eu estava fazendo exatamente o que deveria fazer. Era lá, naquelas conversas, que eu deveria estar, sentindo as horas passando, sentindo as "obrigações" paradas, mas vivendo a essência do que é ser humano. Afinal, sempre acreditei que a prioridade da vida humana não pode, nem deve ser o trabalho, mas as pessoas. Meu pai sempre discordou de mim, mas, não acredito que seja coincidência o fato de que justo hoje os dois relógios de casa pararam. Eu não deveria me prender no horário, deveria viver, e isso me fez fluir no trabalho.

Agora, eu vou me organizar para os próximos pontos que precisam de atenção amanhã. Ainda não estou com sono, mas já pensando em me preparar para dormir. Quem sabe, amanhã, finalmente eu consiga acordar mais cedo.

Por hoje é só isso.

Douglas ;)

De tudo um pouco

Hoje é domingo. Véspera do dia dos namorados. Foi um dia comum, porém, não foi um dia ruim.

Ontem, fui dormir às 3h da manhã, porque a Rede Globo decidiu passar "Titanic" no Supercine, e eu fui para o Twitter comentar as cenas. Foi muito divertido sentir que não estava falando sozinho, que não estava assistindo ao filme sozinho. Isso é bem legal.

Normalmente, quando a gente decide assistir a um filme numa plataforma de Streaming, é pouco provável que outras pessoas também estejam assistindo exatamente aquele filme, naquele mesmo momento que nós. Especialmente pra quem adora assistir filmes repetidos (e antigos), como eu.

Minha experiência com o Twitter não costuma ser muito boa. Na grande maioria das vezes, minha sensação é a de estar falando sozinho. Mas, quando a gente vai nos assuntos do momento e encontra um assunto que nos interesse, fica mais fácil interagir com desconhecidos, porém, desconhecidos que têm interesses parecidos com os nossos. Assim, descobrimos gente legal para começar a seguir e até ganhamos novos seguidores.

Mesmo com essa boa experiência com o Twitter, eu sinto que preciso me desconectar um pouco do meu smartphone. Não é que eu fique o tempo todo conectado às redes sociais. Eu tenho conseguido ler, tenho conseguido assistir programas na TV, também tenho cumprido minhas obrigações domésticas, como preparar as refeições, lavar a louça e arrumar meu quarto. Mas, quando penso em pegar meu notebook para trabalhar nas minha devidas obrigações (citadas no texto anterior), eu acabo me desmotivando. Começo a mexer no smartphone e o notebook fica ali parado.

Apesar de ter caminhado um pouco mais no Conto, que ainda não tem previsão de lançamento, eu não estou muito motivado para me dedicar à escrita de longo prazo. Em contrapartida, estou amando essa retomada desse Blog, onde eu apenas falo sobre minhas próprias amenidades e pensamentos aleatórios.

De qualquer forma, decidi que amanhã será meu retorno ao trabalho. Vou acordar bem cedo, me organizar, como se fosse trabalhar em uma empresa (a minha) e colocar o máximo de minhas obrigações em dia. Eu preciso disso ($).

Hoje, minha cunhada (Juliana, irmã mais nova do Rodrigo) me mandou mensagem pedindo ideias de nomes para seu novo empreendimento de doces artesanais, sobremesas como cookies, brownies. Semana passada estávamos juntos e eles estavam pensando em possíveis nomes. Falei com ela que o ideal seria pensar nas possibilidades do que poderia ser usado de forma temática. Eles haviam pensado em "Doce Terapia", fazendo referência ao fato de comer doces ser algo meio terapêutico. Mas, quando falei sobre "Doce Magia", ela respondeu com um AMEI. A ideia é poder usar referências como Walt Disney e Harry Potter, para que as pessoas consumam os produtos não apenas pelo doce, mas pela imagem, por se identificarem com as personagens.

Fiquei empolgado para iniciar esse projeto, mas, preciso concluir os que já estão em andamento, antes de iniciar um novo.

Outra coisa que marcou meu dia de ontem foi ter atendido à ligação de um escritor que irá publicar o primeiro livro. Ele precisava de ajuda, orientação para saber quais caminhos poderia seguir na divulgação de seu projeto. Para mim, que sempre quis oferecer algum tipo de mentoria para quem deseja escrever e publicar seus livros, foi uma conversa capaz de trazer algum tipo de realização pessoal. Alguém estava me vendo como uma possível referência (mesmo por algumas horas), querendo aprender um pouco mais acerca de um caminho que eu já percorri.

Infelizmente, o rapaz chegou com muitas crenças prévias que iam de encontro às minhas experiências práticas. Por mais que eu tentasse explicar algumas questões relacionadas às práticas de editoras que mais se parecem com o processo de auto publicação, porém, cobrando do escritor uma quantia prévia e recebendo metade dos lucros dele pelas vendas futuras (sem qualquer garantia de apoio para que essas vendas aconteçam de forma efetiva), ele já estava com o pensamento formado e tinha certeza de que havia tomado a melhor decisão.

Em momento algum minha intenção foi convencê-lo a rescindir o contrato com a "Editora", mas mostrar a ele que há caminhos mais efetivos para receber o retorno que ele pode precisar para se manter publicando, para não se frustrar (como eu já vi pessoas desistindo da carreira de escritores por não terem conseguido o resultado que esperavam antes da primeira publicação de livro físico).

Felizmente, ele aderiu a algumas de minhas sugestões, especialmente quando eu contava com todos os detalhes sobre como havia sido minha experiência ao aplicá-la na minha vivência como escritor iniciante e independente.

Confesso que não foi uma conversa muito fluida e leve para mim, pois eu precisava ouvir muitas "certezas" dele e pensar em como eu poderia apresentar meu ponto de vista contrário, sem passar a impressão de estar discordando por discordar, por querer mostrar que sei mais (porque minha intenção não é essa). Mesmo assim, ao fim da conversa, o saldo foi positivo, pois ele relatou quais conselhos meus chamaram sua atenção a ponto de desejar usar no seu projeto.

Quem sabe, um dia, eu engaje nessa vida de agente literário e marketing editorial. Mas, eu sou muito bobo. Não consigo pensar que existem pessoas sonhando em publicar seus projetos e cobrar o preço absurdo que as agências cobram. Acabo fazendo por gostar dessa função. Me sinto útil, realizado enquanto ajudo.

Voltando a falar sobre hoje, acordei, fui para a sala, quando a fome começou a apertar, eu fui tomar meu banho e colocar uma roupinha digna de ir à rua. Até peguei meu Kindle e meu caderninho de anotações, pensando em me sentar em algum lugar, pegar um ônibus, ou apenas perceber que o lugar onde meus pais moram é péssimo, e não tem opção alguma para quem quer sentar e ler um livro. Foi exatamente a terceira opção a que aconteceu.

Percebi que havia muitos pontos de frango assado disponíveis pelas esquinas. Fui ao mercado e comprei algumas coisinhas pra um almoço digno (kkk) e passei no frango assado para comprar um. Mais uma vez, a moça que atende no caixa revirou os olhos com real satisfação e comentou sobre meu "perfume". É muito engraçado como as pessoas reagem ao cheiro do óleo essencial que eu uso, perguntam a marca, mas essa moça é a melhor de todas, porque parece que ela está sentindo as reações que o óleo promete (entre outras, ele é afrodisíaco). Enfim... Recebi um elogio pelo meu cheiro hoje, de novo.

Em casa, almocei e assisti ao "Como eu era antes de você", que a Globo decidiu passar na Temperatura Máxima. Gente! Como pode passar filmes tristes, onde os casais não ficam juntos, em plena véspera do "Dia dos Namorados"? É que a Dona Globo sabe que brasileiro gosta de sofrer. E, sim, eu sou um deles.

Deu até vontade de reler o livro. Lembrei de 2016, quando fui assistir sozinho, no cinema, ouvindo as pessoas ao redor fungando de tanto chorar.

Depois disso, meu pai chegou de viagem, trazendo minha tia. Comecei a fazer o jantar, para adiantar meu lado. Herdei o tablet que havia dado de presente à minha mãe, e tenho preferido cozinhar assistindo os canais ao vivo do Globoplay do que ouvindo a "JB FM" e a "Antena 1", como de costume. Assim, assisti ao "Domingão", enquanto cozinhava.

Minha tia gostou muito do jantar. Elogiou muito enquanto comia e até repetiu! Fiquei feliz por isso. É incrível como pequenas ações positivas têm o poder de mexer com nosso humor e autoestima.

A noite passou rapidamente. Não demorou para meu celular vibrar com a notificação de e-mail do Rodrigo.

Sim, ele ainda está fora, incomunicável. Mas, deixou alguns e-mails programados com links de vídeos, onde ele fala comigo como se estivesse falando em tempo real.

Hoje, eu chorei bastante enquanto assistia ao vídeo. Foi curtinho, mas a saudade apertou tanto! Esse tempo está sendo (e eu sei que ainda vai continuar sendo) um grande desafio pra mim. Mas, eu gosto tanto dele. É alguém que, antes de tudo, se tornou um grande amigo pra mim. Alguém que me fez olhar pra mim mesmo, ao invés de só olhar para quem está ao meu redor. Ele me faz sentir mais motivado, me inspira, sua companhia e companheirismo me fazem querer me tornar alguém cada vez melhor. E assim, a cada dia eu tenho mais certeza de que eu o amo. Como alguém que torna minha vida mais feliz, com mais significado, que me dá mais capacidade de acreditar em um futuro feliz, sem solidão.

É claro que a gente briga, que a gente se desentende, discute, mas... É nessas horas que eu tenho ainda mais certeza do quanto eu o amo. Porque sinto vontade de resolver logo nossos desentendimentos, pra gente poder voltar a sorrir junto, a conversar sobre toda e qualquer coisa, voltar a fazer o bem que faz um ao outro.

Bem... Confesso que, no início desse texto eu nem sabia sobre o que falaria hoje, mas... Acabou se tornando um texto sobre um monte de coisa.

Por hoje é isso. Espero que amanhã eu finalmente consiga retomar minhas obrigações. Eu vou me esforçar.

Douglas ;)

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Vou deixar aqui uma Playlist minha de 2016, já que me lembrei dessa época:

Sobre o sábado e meu direito de existir

Hoje é sábado.

Acordei, tomei meu banho, arrumei meu quarto e comi alguma coisa. Grelhei umas iscas de peito de frango e comi uma laranja.

Assisti ao "É de casa" que, por sinal, está muito bom com os apresentadores atuais (o que não inclui a forçada da Patrícia Poeta) e, de repente, já é meio-dia.

Vou me dar mais esse fim de semana para cuidar da mente. Fazer alguns nadas, antes de voltar a me dedicar às coisas na minha checklist.

Tenho muitas coisas a fazer. Estou me preparando psicologicamente para isso. Quem sabe, mais tarde, eu comece a rascunhar o que preciso fazer. 

Algumas dessas coisas são bem repetitivas, operacionais, como fechar artes para impressão. Mas, é um trabalho necessário.

Tenho um trabalho de faculdade para fazer (não da minha faculdade, mas de alguém que me pagou para fazer), e também tenho uma nova identidade visual para criar.

Estou prometendo para mim mesmo que, segunda-feira será um recomeço. Me dei esse direito.

Vou ver se leio alguma coisa. Se continuo a leitura de "A morte é um dia que vale a pena viver", livro que está me fazendo muito bem, especialmente no esclarecimento sobre o processo de passagem dessa vida para a eternidade, fala sobre humanização do momento da partida. Pretendo escrever uma resenha sobre ele. Tenho várias marcações, destaques de "quotes" que me chamaram atenção.

Não estou esperando grandes coisas desse dia. Apenas que seja um dia sem más notícias. Um dia comum, estável. (Se vierem boas surpresas, serão muito bem-vindas).

Antes de ir, quero apenas registrar que, ontem, uma pessoa (mulher, preta, de Campos dos Goytacazes) zombou com um "Bem feito", em resposta a um comentário meu sobre ter tentado denunciar as postagens do "Pastor" André Valadão, falando sobre odiar a homossexualidade.

Eu pensei em várias formas de responder à zombaria dela, mas não queria atacá-la, afinal, não acredito que possamos vencer o ódio e a intolerância usando ódio e intolerância. Queria contra-argumentar usando a estratégia do amor (que deveria ser a base da fé cristã).

Falei que é lamentável alguém cuja ancestralidade foi ferida e doutrinada para ser subjugada por um "cristianismo europeu", hoje, se unir a eles para zombar de quem só quer ter o direito de existir, sendo quem é. Não é possível mudar nossa sexualidade. Deus nos fez assim. "É difícil pra vocês amarem a gente, né?", perguntei. Lamentável.

Eu ia falar que é impossível mudar sexualidade, assim como é impossível mudar a cor da pele, e que pelo mesmo motivo, muitos ainda são perseguidos, segregados, assassinados. Por serem quem são. Mas, eu preferi não usar esse argumento, pois não queria que ela se sentisse atacada. Não queria dar qualquer brecha para ela mudar o foco da conversa, como se eu estivesse sendo um racista.

Como se não bastasse, a bonita ainda respondeu, dizendo falas clichês como "Meu melhor amigo é gay", e dizendo que quem quer a extinção da espécie humana somos nós, já que não procriamos.

É triste demais ler esse tipo de ignorância.

Deu muita vontade de responder, mas não quero mais render esse assunto. Prefiro que ela pense que fiquei sem argumentos.

A verdade é que nós, LGBTQIAP+ não queremos impedir ninguém de ser hétero, de ter suas famílias, de serem felizes. A nossa existência não visa destruir a existência alheia. A gente só quer viver e ter o direito de ser feliz, do jeito que a gente é.

Eu poderia dialogar a apresentar vários pontos, sabe? Mas, prefiro me calar. Espero que a vida ensine esse tipo de gente. Deve ser alguém muito infeliz, pra não conseguir suportar a felicidade das outras pessoas.

Desejo que o amor de Deus a alcance, algum dia. O mesmo amor que me alcançou e me fez entender que a Bíblia, a Lei, sem amor, não serve de nada.

Por hoje é isso ;)

"Me liga", "Urgente", "Agora", "Por favor".

Já teve a sensação de que os dias estão passando cada vez mais rapidamente?

Faz um tempo que tenho esse sentimento, mas, hoje eu parei um pouco para pensar sobre isso. Parece que o dia, as horas têm passado tão rápido, que não dá pra fazer nem metade do que a gente fazia antigamente.

Ontem, recebemos a notícia de que a mãe de uma vizinha querida também partiu.

Ela estava internada há semanas, lutando pela própria vida, mas não resistiu. A notícia da morte de uma terceira pessoa próxima, em menos de um mês caiu como uma bomba. Felizmente, meu emocional não se abalou além do convencional. Mesmo assim, sabia que não faria muita coisa hoje, além de estar no funeral, ao lado da família que esteve ao lado da minha, na semana passada, quando perdi minha mãe.

Eu tenho a reciprocidade como um dos pilares da minha formação de caráter, sabe? Inclusive, pesou muito para mim, no momento de ver minha mãe em um caixão, não ter certas pessoas ao meu lado. Pessoas a quem chamei de amigos/amigas, de quem estive ao lado no momento de perda semelhante à minha. Mas, pensando por um lado positivo: que bom que estiveram ao meu lado apenas quem tem a mesma consideração por mim. Inclusive, tive gratas surpresas, pois havia pessoas por quem não esperava.

Por isso, eu fiz questão de estar ao lado da nossa vizinha. Contudo, o fato de eu estar lá me impediu de cumprir com outro compromisso.

É que eu já havia me comprometido com um de meus leitores e amigos, de que postaria nos Correios um livro meu, que ele comprou na quarta-feira, antes do feriado de ontem.

Pensei que conseguiria ir ao Correio pela manhã, antes de irmos ao funeral, mas, como eu mesmo passei a máquina no meu cabelo há dois (ou três) dias (e ficaram algumas pontas grandes nos lugares onde eu não enxergo), minha irmã ficou insistindo para corrigir. Como, hoje, precisaria sair de casa, não queria me dar ao ridículo. Assim, tive que esperar até que minha irmã terminasse de lavar o quintal (que estava muito sujo graças ao cachorro).

Quando ela finalmente acertou meu cabelo, já ia dar meio-dia.

Sairíamos de casa às 13h30m para o funeral, então, não daria tempo de ir aos Correios, porque aqui no bairro não tem um. É preciso pegar um ônibus para um bairro próximo. Até eu voltar, não conseguiríamos ir juntos, de UBER, já que nem eu, nem minha irmã dirigimos.

(Uma pessoa meu ex-cunhado chegou aqui e atrapalhou a fluidez do texto)

Enfim... Fomos ao funeral, que atrasou e só saímos de lá às 17h, e não consegui postar o livro no Correio.

O dia voou.

Agora, quero falar um pouco sobre o que senti agora, com a vinda da tal pessoa meu ex-cunhado aqui. Vamos?

Ele veio de outro país Portugal pra alguma visita aos familiares dele. Passou aqui pra pegar uma chave, ou algo do tipo. Disse que seria rápido, convidei para se sentar e ele não quis, afinal, seria rápido. Mas, começou a questionar o motivo de ainda estarmos aqui no Rio de Janeiro.

Questionou o motivo de eu ainda não ter me mudado para Santa Catarina, assim como duas de minhas irmãs, cunhados e vários sobrinhos fizeram.

"O que ainda te prende aqui no Rio?".

Eu tive que relembrar que minha mãe faleceu há APENAS uma semana, que AINDA estou vivendo o luto, que estive aqui, ao lado da minha mãe, virando noites no Hospital, auxiliando nos cuidados médicos.

Ele insistiu em dizer que eu deveria ir pra lá, fazer uma Pós-Graduação. E eu precisei contar que já tenho uma, e que estou na terceira graduação. Ou seja, o fato de eu ainda estar no Rio de Janeiro nada tem a ver com falta de qualificação, falta de estudos. O que me "prendia" aqui no Rio era minha mãe, que ainda estava viva e, quem leu o texto anterior sabe que ela se sentia mais feliz quando me tinha por perto.

Hoje, estou noivo do Rodrigo, que mora em Niterói, mas isso não significa que eu esteja preso. Eu sinto que as portas certas vão se abrir pra mim, na hora certa. Eu acho que a pessoa que esteve aqui sabe que eu estou noivo, mas não toquei no assunto, por se tratar de alguém extremamente religioso (no que diz respeito a vida dos outros).

Ele deu o próprio exemplo sobre como Deus honrou sua atitude de abandonar um emprego por uma viagem religiosa que ele fez, há muitos anos. E eu respondi que também espero que Deus honre minha atitude de ter me posicionado no meu último emprego, quando chamei minha ex-chefe para conversar sobre não estar de acordo com o modo como ela vinha me tratando.

Minha demissão se deu após uma reunião formal, solicitada por mim, onde ela não gostou de ser contrariada, mas fingiu que havia acolhido às minhas falas. "Divergir para convergir" foi o que a !@#$%¨&* falou antes de nos levantarmos da mesa, naquele dia. Eu já sentia que seria demitido e, no dia seguinte, foi exatamente o que aconteceu.

Quando, no ato de minha demissão, eu contei ao Vice-Presidente da empresa sobre o que havia acontecido, ele disse que não sabia daquela situação, mas que se a decisão estava tomada, não havia o que ele pudesse fazer.

Hoje, eu entendo que até essa demissão foi uma providência divina (Sim! Eu acredito MUITO em Deus) pra que eu pudesse passar mais tempo com minha mãe em seus últimos meses de vida. Se, hoje, estou em paz, com certeza, os últimos quatro meses ao lado dela têm grande importância para isso.

Foi como disse a ele: "Eu espero que Deus também me honre pela minha escolha".

Enquanto isso, vou colocar em dia alguns trabalhos independentes que peguei, e que ficaram incompletos, pendentes, devido aos últimos dias, de correria, internação, perdas, mas, eu espero que após pelo menos uma semana de luto, eu consiga retomar e tocar a vida para frente.

Eu ainda me surpreendo com a forma como as pessoas pensam que podem chegar na vida da gente arrotando tudo o que elas pensam que sabem sobre a vida. Esse costume que muitos têm, de anular nossa história, nossa participação no mundo, nossas cicatrizes, o que aprendemos, o que podemos até ensinar sobre a vida, e chegam falando tudo o que deveríamos estar fazendo da nossa vida.

Pode parecer simples. Minha própria mente fala: "Quem paga suas contas é você. Ninguém tem nada a ver com sua vida". Mas, na prática, as falas, as sugestões, os conselhos, as mentes muito fechadas que vêm acompanhadas de bocas muito abertas (não sei de quem é essa frase), ainda mexem comigo, ainda me desestabilizam.

Enquanto ele falava, eu me contorcia na poltrona, tentando escrever esse texto. Me contorcia, num incômodo infernal. Eu não sabia para onde olhar, não sabia em que me segurar, mas, sabia que queria continuar meu texto sobre um dia onde eu simplesmente não vi o tempo passar porque estive ao lado de uma pessoa querida, que esteve ao lado da minha família quando precisamos de amigos. Mas, esse texto se tornou mais um desabafo sobre questionamentos do que a sociedade espera de nós.

E, sinceramente? Foda-se a sociedade. Porque a sociedade não fez nada pra que as pessoas a quem eu vi morrer nos últimos dias tivessem uma vida melhor, mais feliz. A sociedade não impediu que elas se fossem, com suas crises, seus medos, seus traumas. Aqui é cada um por si. Então, a mim só importa a opinião de quem conhece minha história, de quem me conhece e me respeita como sou, de quem acompanha meu caminho e espera ansioso para saber qual vai ser o próximo passo que a vida vai me permitir dar em direção ao futuro.

O cara olhou para o meu livro sobre a estante e o usou como exemplo, dizendo "Não sei se é um VHS ou um livro". Não sabe nem que o livro que ele usou como exemplo foi escrito e publicado por mim, e quer chegar aqui na minha casa, questionando minhas decisões, e os rumos que minha vida tomou até aqui? Faça-me um favor...

Na hora, mandei mensagem pro meu amigo Sanderson:
"Me liga", "Urgente", "Agora", "Por favor".
Felizmente, ele viu as mensagens e ligou.

Só assim, me livrei da "conversa" (ou seria um monólogo?).
Pedi licença, saí da sala e fui conversar no telefone com alguém que me conhece e acabei lembrando que, sim, eu sei conversar. Eu não sou antissocial. Só que eu não vou sair por aí falando o que penso sobre as coisas e sobre a vida das pessoas, sem ouvi-las, sem conhecer os contextos, sem deixá-las à vontade para falar.

Que cansativo, né?

Nem sei se vocês vão ter paciência de ler tudo isso aqui, mas... É o que temos para hoje.

Pra finalizar, um conselho que me deram hoje: "Façam terapia!", já que as pessoas que precisavam fazer não fazem.

Um abraço ;)


O desafio de entender o que sinto

Sabe aquela história de que todo mundo tem uma ligação, um telefonema que muda sua vida?

Sempre imaginei que a ligação que mudaria minha vida seria boa, um convite para fazer parte de algo grandioso, uma oportunidade única.

Hoje é quinta-feira, feriado de Corpus Christi. Faz uma semana desde o dia que recebi o telefonema da minha irmã, comunicando a partida do meu maior amor: minha mamãe.

Diria que foi essa a tal ligação, mas não quero acreditar que a ligação que mudou minha vida seja uma carregada de tamanha perda.

Depois de uma semana me mantendo estável emocionalmente, ontem foi o dia que não quis me levantar, não quis abrir as janelas do quarto, não quis arrumar minha cama, não quis ligar o computador, e tudo bem.

Os sentimentos estão um pouco confusos nesses dias. Eu não sei se essa fossa se deu pela data (uma semana sem minha mãe), ou por algum outro fato que esteja acontecendo e acaba se misturando com esse sentimento que está aqui, devido ao luto.

Infelizmente, a pessoa que eu pensei que estaria ao meu lado nesse momento de perda, não pode estar. Meu noivo, Rodrigo, está em um retiro espiritual e vai ficar incomunicável por duas semanas. Ontem, quando tentei desabafar essa frase com ele, ele ficou um pouco chateado. Entendeu que eu estivesse dizendo que ele não estava ao meu lado. Mas, ele esteve, sim. Ele veio aqui na casa dos meus pais, dormiu aqui pela primeira vez, permaneceu comigo o tempo todo. Só que, até ontem, eu não havia estado tão fragilizado, e justamente ontem, eu não poderia tê-lo comigo.

Meu pai é barbeiro há mais de 50 anos. Depois que se aposentou e fechou as portas de seu salão, continuou atendendo aos clientes antigos (e até novos) na varanda de casa.

Ontem, pela manhã, eu escrevia em meu caderno, sentado no sofá da sala, e ouvi meu pai conversando com um cliente, enquanto cortava seu cabelo. Eles conversavam sobre o fato de meu irmão ter abandonado os estudos e ter se dado muito bem na vida. Meu pai falou sobre a casa do meu irmão, sobre a pequena frota de caminhões pipa que ele tem, e como ele o ajuda financeiramente.

O cliente falou que realmente existem pessoas que se deram muito bem na vida e que não seguiram nos estudos. Deu o exemplo de um conhecido dele que trilhou o mesmo caminho, e perguntou pelo filho mais novo do meu pai (eu).

Meu pai respondeu que eu sou o filho que mais estuda. "Bacharel em Teologia". Uma fala antiga, de quando eu concluí minha primeira graduação, em 2011, e ainda era da Igreja Evangélica, Missionário, que acreditava que poderia viver pelo meu chamado ministerial.

Ao ouvir aquela fala, eu acessei um lugar interior que não visitava há tempos, e não imaginava que ainda me afetava tanto.

Eu sou o filho que mais estudou. Além de Bacharel em Teologia, como meu pai falou, sou licenciado em Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Pedagógica e estou cursando Recursos Humanos. Apesar disso, sou o filho que está desempregado desde fevereiro, que ainda não tem casa, carro, não tem sequer habilitação, o filho que mora com os pais e pra quem o pai deixou R$50,00 antes de viajar.

Minha tendência natural não é me enxergar assim. Mas, eu sei que na balança do meu pai o que mais vale é a estabilidade financeira.

Pelo meu olhar, eu sou o filho que mais se comprometeu com o meio religioso, mas que foi rejeitado por ele e precisou reconstruir a própria vida após a primeira graduação. O filho mais obediente, que sempre ouviu dos pais que os estudos eram o melhor caminho para a estabilidade, para ser alguém na vida, e que, por isso, não abandonou os estudos, pois queria ser o primeiro a dar aos pais o orgulho de ter um filho formado.

Pelo meu olhar, eu sou o filho que saiu de casa para morar sozinho por duas vezes, mas que ouviu da família que não precisava daquilo, que a casa dos pais era grande e que havia espaço suficiente para ele. Também ouvia da família que sua mãe precisava dele, que ela ficava muito feliz quando ele estava com ela, de um jeito que mais ninguém conseguia deixá-la.

Sou o filho que foi em busca de seus sonhos, apesar de nenhum deles ter sido lucrativo. O filho que acredita que o dinheiro é uma consequência de fazer a diferença no mundo, um meio para se viver bem e poder dar continuidade na realização de nossos projetos, e não um fim em si.

Agora, enquanto escrevo, eu tenho certeza do quanto esse episódio mexeu comigo. Talvez não tenha sido mesmo só pelo luto, mas o acúmulo de pensamentos. Pensar que não tenho mais minha mãe aqui, pensar que não terei o Rodrigo pelas próximas semanas, pensar que não tenho condições de sair, de me comprometer com o trabalho remunerado e que qualquer coisa que eu venha a fazer não é garantia de que eu vá conseguir pagar minhas contas... Enfim, são muitas coisas.

Porém, hoje é um novo dia.

Não quero ficar no quarto de novo. Não quero ficar alimentando maus pensamentos. Diferentemente de ontem, programei o despertador, acordei mais cedo, tomei um banho, tomei um café da manhã, liguei o computador e vim para a sala, escrever esse texto.

Enquanto escrevia, meu pai viajou para o Espírito Santo, onde vai visitar sua família. Essa viagem era aguardada pela minha mãe, há um tempo, mas ele não quis ir enquanto ela não estivesse melhor. Acabou que não deu tempo de que ela se recuperasse para ir.

Só Deus sabe o quanto eu acreditei que esse dia chegaria. O quanto eu acreditei que minha mãe se recuperaria e poderia voltar a fazer as coisas que ela gostava tanto de fazer, como cozinhar, viajar, ler a Bíblia, entre tantas outras coisas básicas que ela já não conseguia fazer no fim da vida.

Os pensamentos são muitos, fico o tempo todo pensando nela, me lembrando de momentos que tivemos enquanto ela estava aqui comigo. Vejo a tigelinha onde eu costumava servir seu mingau, o copinho onde eu costumava servir seu café... Meu coração se emociona, mas eu não consigo chorar. Talvez, pela certeza de que ela esteja em bom lugar. Pela certeza de que fiz tudo da melhor forma que pude, enquanto ela esteve aqui comigo.

Hoje, pela manhã, um raio de sol entrava pelas grades da cozinha. Eu me lembrei dela sentadinha ali, quietinha, esperando que eu me levantasse pra servir seu café da manhã.

Como eu repetia, quando ela pensava estar incomodando com sua dependência de ajuda, quero repetir, como se estivesse falando com ela: "Mamãe, pra mim é uma honra poder te servir. Você nunca vai ser um peso pra mim. Se eu estou aqui, é por você. Pode me chamar quantas vezes você precisar".

Eu sei que o tempo vai passar e o coração vai entender cada vez mais. A saudade, com certeza, vai aumentar. Mas, eu quero alimentar toda a gratidão que sinto pela mãe que tive. Quero me preparar pra, um dia, poder me reencontrar com ela.

Por hoje é isso.

Antipatia desumana

Ontem, fui inventar de conversar com uma pessoa religiosa. Eu já havia previsto a dificuldade que seria conversar (dialogar) por meio de mensagens instantâneas. Mas, a pessoa me chamou, começamos a conversar e acabamos chegando ao ponto onde cada um conta o seu lado. No caso dela, dizer os motivos de estar suportando os males de se submeter a uma religião. No meu, contar os motivos que me levaram a não participar mais de uma religião, apesar de manter minha vida de espiritualidade ativa, minha crença em Deus e meus valores pautados no que eu acredito.

Tudo ia muito bem até que eu dissesse que talvez ainda não tenha superado as feridas causadas pelas marcas de rejeição das pessoas que e esperava que me acolhessem. E isso está diretamente atrelado à minha incapacidade de me manter no meio religioso. Porque pra mim é incoerente dizer que se ama o próximo e não promover ações que demonstrem isso quando se faz mais necessário.

A pessoa começou a me responder com argumentos que defendem a fé, ou melhor, que defendem a postura dos religiosos e me colocam como alguém que ESCOLHEU sair do meio religioso por se sentiu moralmente agredido, porém, os argumentos dele me colocaram como errado. Me fizeram sentir culpa por ter saído, ao invés da liberdade de não ter mais que prestar contas ao meu agressor.

O pior de tudo, é que de acordo com a fé dele, ele tem razão. Quem sou eu para me posicionar contra as pessoas que me feriram, se eu também não mereço o perdão de Deus? Quem sou eu para "julgar" a falta de empatia e amor ao próximo promovidos pelo que chamamos de igreja, se eu também cometo erros, se eu saí do meio, sendo que poderia estar lá fazendo alguma diferença para essas pessoas que, segundo eu mesmo, estão mais perdidas do que que está no escuro, porque pensam estar caminhando na luz.

Como vocês vêem, eu consigo concordar com a visão dela, se enxergar a situação pelo ponto de vista dela. Isso é empatia (?). Mas, pelo ponto de vista de alguém que foi ferido e tem levado anos para se regenerar das marcas causadas pela religião, eu me senti violentado por esses argumentos. Porque em momento algum ela demonstrou empatia pela minha dor. Em momento algum eu senti que ela se colocou no meu lugar para chorar comigo e dizer: "Eles são culpados, sim, mas você é mais forte do que eles, pela força do amor que há em você. Você pode vencê-los com amor.". Cara! Eu ficaria radiante! Me sentiria abraçado, acolhido e fortalecido pra cumprir uma missão a mais. Mas, aquilo virou um tipo de debate em que não se busca compreender o que o outro diz. Apenas defender o próprio ponto de vista.

A diferença é que eu não estava tentando defender minha posição. Eu não estou tentando induzir ninguém a sair da religião. Se você se sente bem na sua, se te aproxima de Deus, se te faz uma pessoa melhor, força! Continua! Mas, respeite a minha decisão de não pertencer a uma. Respeite ao invés de usar seus argumentos cheios de teologia para me dizer o que você fez quando viveu uma situação "parecida" com a minha. Porque somos pessoas diferentes, com histórias diferentes, sentimentos diferentes. Além disso, o que Deus (sim, eu acredito muito em Deus) tem feito no meu interior é algo muito pessoal meu. Então, não se dê o direito de me medir pela sua régua.

Eu pensei que haveria diálogo, pensei que haveria a possibilidade de uma nova amizade improvável, mas, infelizmente, a religião falou mais alto do que a humanidade.

Tem gente que pensa que se colocar no lugar do outro é concordar. Foi bem isso que essa pessoa me disse: "Você pensa que estou debatendo porque não apertei sua mão em concordância". Gente! Quem pediu que concordasse?! Eu só não senti que houvesse uma possibilidade de relação humana entre alguém que se expõe (eu - idiota, porque não deveria ter me exposto) e alguém que ao invés de tentar enxergar minha história pelo meu ponto de vista, sequer se esforça, porque os argumentos religiosos sempre falam mais alto.

Fui dormir 2h30 da manhã, totalmente frustrado e com o pensamento a mil.

Ainda tive que ouvir que seria inútil da parte dela tentar explicar melhor porque eu ainda estou ferido. Ou seja, usou a abertura que eu dei contra mim mesmo.

É por isso que eu me fecho cada vez mais para as relações humanas. Prefiro eu mesmo cuidar da minha vida e deixar que leve o tempo de Deus para que qualquer ferida feita seja curada a ponto de eu poder caminhar acima de qualquer coisa que pessoas como essa possam me fazer.

Só espero que nunca façam com ela o que já fizeram comigo. Que nunca virem as costas para ela quando ela precisar de um amigo. Que ela nunca seja tema de fofocas amplificadas. Mas, se isso vier a acontecer, que ela encontre pessoas que a abracem ao invés de usar argumentos teológicos contra ela.

Que possamos ser mais empáticos em nossas relações. Que possamos oferecer mais amor e menos opinião sobre as dores dos outros. Eu ainda sinto que estou longe de fazer o que Jesus ensinou, que é perdoar incondicionalmente, mas isso só reforça minha dependência d'Ele. Pra mim é um mecanismo de defesa, de sobrevivência, para que as pessoas não façam novamente a mim o que um dia fizeram.

Ainda estou processando tudo isso.

Douglas.

A culpa é do Walt Disney!

Não sei se você, assim como eu, cresceu cercado pelo maravilhoso e mágico mundo de Walt Disney. Sim, eu sou daqueles que iam ao cinema acompanhados pela família (com direito a Big Mac após a sessão) e, quando as pessoas começaram a me achar grande de mais para gostar de desenhos, passei a ir sozinho mesmo, afinal, definitivamente, não concordava com elas.

Imagine! Um homenzarrão na sala de projeção escura, reclamando sozinho das mães que insistiam em levar crianças para ficarem chorando durante o filme. Que absurdo!

A questão aqui é: Eu sou do tempo em que os desenhos animados relatavam príncipes em busca de princesas que seriam o eterno amor de suas vidas. Criadas que, com muita sorte, ascendiam socialmente e bastava chorar em desespero para serem consoladas por suas fadas madrinhas.

Sou do tempo em que as personagens se conheciam, se apaixonavam à primeira vista e já sabiam que passariam o resto de seus dias ao lado de alguém (e que, assim, seriam FELIZES PARA SEMPRE).

Lamento informar, mas nada disso é verdade.

Nem mesmo os contos de fadas são tão belos quanto nas versões de Walt Disney. Acredite! O caçador não chegou a tempo de salvar a Chapeuzinho, nenhum beijo de amor trouxe alguém de volta à vida, nenhum príncipe salvou alguém de um sono de cem anos (apesar de muita gente por aí jurar que, se o desafio fosse dormir, o faria tranquilamente até por mais tempo).

As versões originais são completamente sombrias (macabras), e querem ensinar as pessoas sobre a realidade da vida. É como se os irmãos Grimm, ou tantos outros contadores de histórias, chegassem bem na sua cara e dissessem: "Acorda e se prepara, porque a vida não vai te ajudar em merda nenhuma!".

Tudo pode parecer muito mágico e perfeito quando vemos por alguns minutos de história, algumas fotos nas Redes Sociais, mas a verdade é completamente diferente. Dificilmente alguém vai esbarrar nos seus livros no meio da rua, te ajudar a catá-los do chão e te convidar para um jantar naquela mesma noite, dizendo que se apaixonou completamente por você.

Feliz mesmo deve ser essa geração que cresceu imersa na filosofia de que a princesa virou ogro, se salvou sozinha da torre e não espera absolutamente nada da fada madrinha, uma megera egocêntrica. Contudo, não vamos desanimar totalmente, ok? A vida pode, sim, imitar os contos de fadas. Eles realmente podem acontecer. Talvez, estejamos apenas esperando viver a versão errada.

Sobre Escritores, Bloqueios e Ganha-pães...


Faz pouco mais de uma semana que estou "morando" em Concórdia - SC. Confesso que, vim para cá aberto ao que pudesse acontecer. Inclusive para a possibilidade de não dar certo e eu precisar/querer voltar para o Rio.

Conforme os dias foram passando, eu passei por aquele primeiro momento de adaptação, conhecendo a cidade, saindo com a Camila e com o Wallace, donos da casa onde estou hospedado, procurando emprego, e não conseguindo escrever uma linha sequer do livro. É... Pra quem (ainda) não sabe, eu trabalho numa história há mais de dez anos. Inclusive, famosa entre aqueles que sabem que estou escrevendo, mas nunca termino.

Dessa vez, eu me dei um desconto. Até comecei a querer me cobrar: "Você não está trabalhando no livro!", mas me dei conta de que era necessário passar pela adaptação inicial.

Foi pelo fato de não me punir psicologicamente por não estar trabalhando na história, que eu consegui escrever alguma coisa referente a ela (mais do que eu imaginava). Na verdade, rascunhar num bloco de notas. Algumas boas páginas desenvolvidas, prontas para serem melhoradas. Mas, isso nem se compara com o tanto que já foi descartado. O bom é que, com o tempo e a experiência, a gente aprende que o "descarte" de material é excelente para o escritor. Isso mostra que temos senso crítico de que não está bom o bastante para o nível de nossa história. Além de provar pra nós mesmos que sabemos onde queremos chegar, nos dá autonomia para entender que se aquela parte (por maior que seja) foge do nosso foco, sabemos tirá-la de jogo e escrever algo melhor.

Dá pra ler um pouquinho do andamento da história no Bloco. A folha em branco é um tipo de Roteiro, pra direcionar os fatos

Ultimamente, o que estava me atrapalhando bastante a escrever era a preocupação com minha estadia aqui. Com o tempo, o dinheiro vai saindo da conta, sem entrar nada (já que não havia recebido nenhum retorno sobre os curriculuns distribuídos) e ainda não resolvi nada sobre aluguel de casa ou compra de móveis e eletrodomésticos. Isso vai causando uma neura, sabe? Por mais que você saiba e sinta que não está sendo um peso para as pessoas onde está, mas é o senso de responsabilidade falando mais alto.

Meu plano inicial era, sim, ficar desempregado por seis meses para me dedicar exclusivamente ao livro, mas, isso morando na casa dos meus pais, tendo dinheiro guardado para esse período, sem grandes despesas. Não contava que me mudaria de Estado, tendo que encarar uma nova realidade nada "estável" (se é que me entendem).

Mas, creio que parte do "problema" já foi resolvido. Pois, desde semana passada, eu tenho ido à Secretaria de Educação daqui, e fiquei por dentro da Chamada Pública para professores da Rede Estadual de Ensino. Eram vagas remanescentes de professores que prestaram concurso e não compareceram para tomar posse das vagas. Sendo assim, eles chamam quem tiver formação ou esteja cursando a faculdade que habilita para cada disciplina, dando prioridade para os já formados.

Dentre todas as vagas, havia Ensino Religioso. Pouca gente sabe, mas eu sou formado em Teologia. Comumente, quem assume essas vagas são professores de História, Filosofia, Sociologia, que acabam "tapando o buraco" devido à escassez de gente formada nessa área específica, e, lá havia muitos interessados nas vagas. Mas, como a prioridade é para quem tem habilitação na área, a moça perguntou e eu fui o único a me apresentar.

Eu poderia ter pego cerca de 15 tempos em três escolas diferentes, mas eram longe e como eu (ainda) não dirijo. O que fez com que a moça me recomendasse não arriscar a me desgastar com transporte público toda semana para dar aula nessas escolas mais distantes. Assim, peguei 5 tempos numa única escola atrás da casa da Camila (onde estou hospedado). Chegando lá, a moça perguntou se eu tenho interesse em outras disciplinas, como Sociologia e Filosofia. E eu só respondi: "Claro! Podem contar comigo para o que precisar. Eu quero trabalhar.".

Então, é isso. Começo na segunda-feira, uma semana inteira de Seminário para os Professores, com 40 horas de duração, para iniciar o ano letivo. Eu sei que vou conseguir conciliar isso com o Projeto do livro. Eu sinto. Meu compromisso comigo mesmo é não abrir mão do meu objetivo principal por causa de qualquer emprego. Eu vou trabalhar para que o dinheiro não me falte, gerando recursos para a realização do meu projeto principal.

Se algum dia, vocês virem que eu estou perdendo o foco por causa de trabalho, por favor, me avisem, pois eu tenho coragem de largar tudo de novo, até acertar de vez e, finalmente, ver esse livro impresso.

Obrigado por lerem até aqui.
Um abraço!
Me desejem sorte.
Douglas =)

P.S.: Esse vídeo da JoutJout me motivou bastante, porque fala exatamente tudo o que eu acredito e tenho me inspirado a viver!






Nunca pensei que escreveria um Post desses...

Ainda no plástico. Só pretendo abrir quando for para a minha própria casa alugada - vista do quarto onde estou hospedado - SC

Uma vez que me mudei, estou naquela fase de procurar casa e comprar móveis, eletrodomésticos e eletrônicos (Fiquem tranquilos, pois não pretendo publicar fotos de panelas, geladeiras, fogões ou aparelhos de TV aqui). Hoje, indo ao centro da cidade (a pé, pois é muito perto da casa onde estou hospedado), eu acabei me deparando com uma lojinha INCRÍVEL, aqui em Santa Catarina! Coisa difícil de se encontrar no Rio.

Lá, o máximo que a gente encontra são aquelas lojas cheias de bugigangas sem graça, ou lojas com produtos legais de se ter em casa, porém, a preços altíssimos (Imaginarium, por exemplo).

Eu sempre vi aqueles Blogs que falam sobre decoração para casa, quarto... Que fazem "propaganda" de livros, séries, álbuns musicais, etc., e confesso que não gosto muito (nada) desse tipo de Blog. Primeiro, porque, na minha humilde opinião, parece que seus donos vivem comprando coisas bonitinhas, porém desnecessárias, só para mostrar. Em segundo lugar, porque eu não sou de ficar comprando coisas que me deem vontade de mostrar a ponto de dedicar um Post inteiro para isso. Abaixo o consumismo!

O que eu gosto mesmo são de Blogs que falam sobre pessoas reais vivendo situações reais, contando sobre a vida, o que aprenderam com alguma situação resolvida, ou desabafando sobre problemas que estejam enfrentando (pois sei que logo serão apresentadas as soluções desses problemas).

Sendo assim, quero deixar claro que, apesar de eu estar me mudando, o foco do Blog não mudou, ok?

Detalhe para o Box "A Feiticeira" (paixão de infância) e para a caneca linda que ganhei de aniversário, da minha irmã.

Vim apenas mostrar, e deixar registrado, as coisinhas que encontrei na tal lojinha, por R$10,99, cada. Eu achei um preço justo. Especialmente por serem coisas que trazem coisas boas para o ambiente da casa, com mensagens positivas (para espantarem os "Vampiros Emocionais", quem sabe) e por serem excelentes artigos decorativos, além de proporcionarem um lar mais aconchegante. (Quando a gente quer justificar alguma coisa, a gente consegue. Me saí melhor que vendedor da Polishop).

Sendo assim, tirei umas fotos das nossas novas aquisições (digo "nossas", porque a casa vai ser minha e da Caren, minha sobrinha) e estou compartilhando aqui com vocês. Espero que gostem, porque eu gostei de tudo!


1. A culpada de tudo foi essa lixeirinha, de inox. Eu entrei na lojinha só por causa dela. Lá no Rio eu tinha uma no meu quarto, quando comecei a comprar coisas pra casa. Tinha comprado por R$19,90 na "Casa&Video", e já tinha achado barato. Por R$10,90, nem preciso dizer, né?

2.Esse quadrinho de varal, para fotos, é tão lindo, que a gente fica em dúvida se substitui as fotos que vieram nele por fotos nossas.

3. Aproveito pra mostrar essa garrafinha linda de "Harry Potter" que ganhei de aniversário, da minha amiga Carol. Está sendo super útil, além de manter a água geladinha. Com certeza não foi R$10,99. 


4. Toda casa precisa de princípios verdadeiros para regerem a convivência. Adorei estes dizeres desde a primeira vez que os vi impressos na parede da Ana, uma amiga da Camila aqui de Concórdia. Não tive dúvidas sobre comprar, ou não, esse quadrinho.


5. Comprei a almofada com o tema "Londres" primeiro. Achei que essa outra, cinza, complementa a primeira. Achei que as cores "conversam" entre si. Se estiver errado, me perdoem. Não sou designer de interiores (Rs).

6. Eu fiz a moça pegar uma escada para pegar esse quadro de "Cupcake". Acho ideal pra o ambiente da cozinha. Tô a fim de comprar os eletrodomésticos de cores pastel, se não me custarem os olhos da cara, claro.

7. Esse do "Muffins" é primo do "Cupcake". Bom pra gente se lembrar de que os dois bolinhos são completamente diferentes um do outro.


8. Por fim, tem esse quadrinho com essas mensagens super positivas! "Apenas boas vibrações"; "Meu amor", "Desfrute das pequenas coisas" (tradução livre do meu inglês básico).

Obs.: Também teve um outro quadrinho de Londres, mas eu não tô a fim de mostrar.

Então, é só isso tudo.

Peço desculpas aos que não gostam desse tipo de postagem, mas prometo não estabelecê-lo como padrão. O Blog vai continuar falando sobre minhas neuras (como diz JoutJout), tá bem? Então, tá bem!

Um forte abraço!

Até o próximo Post.

Douglas ;)

Minha tentativa de ir à Igreja


Acabo de chegar de uma volta completa ao quarteirão do prédio onde estou hospedado, pois não tive coragem de entrar na Igreja que fica na rua aqui perto.

Desde que cheguei em Concórdia - SC, sinto vontade de me agregar a alguma instituição que cuide da minha parte espiritual. Não que eu seja alguém fragmentado, mas se fosse para fragmentar os setores da minha vida, sinto que o que está sendo menos cuidado ultimamente é o espiritual.

Eu acredito que Deus existe e que nossa vida é uma esfera que se completa quando olhamos para o nosso interior como um todo. Não creio que estejamos aqui no mundo apenas para existir, trabalhar e pagar contas, mas que há algo muito maior do que nós mesmos e do que nossa própria vida. A isso, eu chamo de "espiritualidade". É o que transcende a nossa vida física e psicológica. É a nossa ligação com Deus e com um mundo que não vemos.


Não quero ser radical. Sabe aquelas pessoas que só sabem falar de Deus, que se dedicam somente à sua fé, não tendo tempo nem mesmo para se divertir durante um passeio livre? Eu já fui assim, mas mudei tanto que não consigo me imaginar assim novamente (especialmente, porque eu não quero). Mas, ao mesmo tempo, me lembro da fala de alguém a quem admiro muito, dizendo que é necessário ser radical quando o assunto é sua fé em Deus.

Radical, nesse caso, não é como aqueles que explodem o próprio corpo em nome de uma fé, que matam pessoas inocentes por acreditarem que esses sejam impuros, mas radical em relação a mim mesmo. Viver aquilo que em que se diz acreditar! Porque o que me mata de raiva é gente que tem um discurso lindo e vive tudo diferente do que fala. E isso não se resume a questões religiosas. São chefes que dizem pensar no melhor para os funcionários, mas quase os escravizam; pais que dizem educar bem os filhos, mas os entregam totalmente às mãos de escolas, babás, avós, etc.

O problema é que, como diz a Caren, eu sou muito "Oito ou Oitenta". Por mais que, em relação a todos os demais seres da humanidade, eu busque um equilíbrio, quando a mim mesmo, eu não consigo caminhar num meio termo. Para tudo o que eu faço, ou eu me dedico muito, ou eu deixo de lado. E, como eu tenho me dedicado à minha vida pessoal, projetos, trabalho, etc, eu acabei deixando de me dedicar a esse meu "lado" tão importante, que é o espiritual, meu contato íntimo com Deus.


Imaginei que ir à Igreja aqui seria uma forma de conhecer pessoas novas, que pudessem, talvez, me aproximar um pouco mais da espiritualidade. Mas, por ser sábado, a reunião marcada se intitulava como "Culto Jovem". Eu sabia o risco que corria. Em muitos lugares, os jovens, na verdade, são os adolescentes da igreja (até dezoito anos) que, sem dúvida, destoariam muito de mim. Foi dito e feito. Chegando perto do local, eu vi do lado de fora, vários adolescentes conversando, se abraçando, cheios de amizade (aquelas típicas de Igreja). Enquanto eu passava, alguns olharam, mas não senti confiança para me aproximar e ter que ficar por ali esperando as pessoas entrarem para a reunião.

Enfim... Acho que vou tentar novamente amanhã, domingo, um dia mais tradicional para se ir à Igreja, onde estarão pessoas de todas as idades, talvez, reunidas dentro do local, no horário marcado e eu vou poder entrar e sair invisível, como normalmente aconteceria.

Agora, me resta fazer alguma coisa em família, ir no supermercado, assistir algum filme, ler alguma coisa, ou escrever...

"Mãe, por favor, me desculpe, mas, eu ao menos tentei..."

Douglas

"Um belo dia resolvi mudar..."

Muita coisa mudou desde o último Post.

Eu fiquei de saco cheio do meu emprego que só me sugava e não estava me fazendo crescer em nada. Então, decidi pedir um reajuste na minha carga horária, o que foi negado. Sendo assim, eu pedi minha demissão, com o cumprimento do mês de aviso prévio.

Como trabalho (ou melhor, trabalhava) em escola, eu esperei o fim do ano para que tudo fosse favorável, afinal, não queria causar nenhum tipo de escândalo, ou mal estar para a Direção, só queria que o trabalho deixasse de ser o foco principal da minha vida, para voar aos lugares mais altos que todos dizem (e eu também sinto) que eu vou alcançar.

Pra ter uma noção, eu não estava conseguindo fazer mais nada além de trabalhar. Acordava extremamente cedo, chegava tarde, cansado mentalmente e sem disposição para mais nada. Fim de semana era para ficar em casa, vendo filme e reclamando da minha vida parada. Eu juro que tentava fazer algo para mudar, movimentar a minha vida, mas toda vez que eu tentava, o trabalho sofria e vinham as falhas, seguidas diretamente pelas cobranças.

Cheguei a pensar em fazer sessões no Psicólogo e, enquanto não chegava o dia marcado, eu estudava minha própria vida, para descobrir onde estava o ralo que sugava toda a minha alegria de viver. Eu pensei em me mudar, pensei em começar a estudar canto, pensei em fazer atividades físicas, e eu fiz tudo isso, mas nada resolvia a falta de vontade que eu tinha de me levantar da cama todos os dias.

Somente quando eu falei em voz alta que não queria continuar na mesma função no trabalho no ano de 2018, foi que um mundo fantástico se descortinou diante dos meus olhos. Eu fui para casa naquele dia como não ia há muito tempo. Eu sorria sem motivo, ou melhor, sorria porque estava sem o peso de toda a responsabilidade que jazia sobre meus ombros.

Se ainda fosse um emprego que me pagasse o suficiente para eu ter minha casa, meu carro, comprar tudo o que preciso e ainda conseguir guardar algum trocado pra uma viagem nas férias, tudo bem. Mas, por mais que eu economizasse, eu não tinha condição de fazer nada disso. Pra piorar, minhas férias caíam sempre em alta temporada, o que realmente impossibilitava qualquer pensamento de viajar para longe.

Só havia contras.

Por fim, durante o mês de aviso prévio, eu desenrolei tudo o que faltava no enredo do livro que eu escrevo desde 2007 em parceria com minha irmã (são mais de 10 anos num projeto que só vem sendo adiado por causa de trabalho e estudos). Em um mês, ou menos, eu finalizei todo o Roteiro da história dos pontos de vista dos diversos personagens. Depois disso, na véspera do Ano Novo, para ser mais exato, eu comecei a reescrever a história partindo de outro ponto, e a cada dia eu caminhava em um novo capítulo. Minha mente estava livre para fluir na escrita, para imaginar novos mundos, o lado criativo do meu cérebro havia sido liberado para criar, sem toda aquela burocracia e problemas teóricos do dia a dia do meu trabalho.

Deixei de viajar com a família, deixei de sair de casa, tudo para me dedicar 100% ao Projeto, na única intenção de vê-lo concluído.

Já estava novamente no Capítulo 10 quando minha irmã chegou com a proposta de eu me mudar do Rio de Janeiro para Santa Catarina (Concórdia), para morar com a Caren, minha sobrinha de 19 anos, que faz faculdade nessa cidade. Eu simplesmente aceitei. Dentro de mim, era como se mais uma parte de mim também voltasse a vida! Não havia nada que me prendesse. Eu tinha minhas economias e poderia, sim, atender à proposta, indo para uma cidade muito melhor estruturada do que onde cresci. Um lugar propício para me dedicar à escrita do livro.

Foi assim que, em uma semana, tudo se movimentou para que eu pudesse me mudar.

E posso dizer que, felizmente, a vida é feita de mudanças. Eu mesmo percebo o quanto mudei ao longo de todos esses anos. Antes eu sonhava em simplesmente ter uma casa própria, um carro, uma estante cheia de livros, tempo para fazer o que eu gosto, mas hoje eu percebo que se eu preciso negociar a minha felicidade em troca de uma (falsa) estabilidade, eu prefiro morar de aluguel, pegar UBER quando eu precisar sair (ou até mesmo o busão), prefiro não ter minha carteira assinada, desde que eu esteja fazendo aquilo que me realiza, que torna meus dias mais coloridos e felizes por dentro, mesmo que lá fora esteja tudo cinza e nebuloso.

Não consigo mais me conformar com uma vida "comum" se eu sei que diante de mim existe algo extraordinário aguardando para ser vivido. Basta o primeiro passo de ousadia, de desapego, de fé, para que possamos sair das águas rasas e nos aventurar em alto mar.

Este texto tomou um rumo totalmente diferente do que deveria, mas ele traduz exatamente a mim mesmo, como estou me sentindo por dentro.

Espero conseguir escrever mais vezes aqui, mesmo que ninguém leia.

Até o próximo Post.

Douglas
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Fotos tiradas do meu próprio ponto de vista durante a viagem de ônibus Rio x Santa Catarina

Passando por Jacareí, São Paulo, o cair da tarde com a chuva - 23 de janeiro

Parada de Ônibus no meio da madrugada chuvosa - 24 de janeiro

Vista do quarto onde estou hospedado, na tarde em que chegamos da viagem - 24 de janeiro

Foto do Primeiro dia oficial em Concórdia - 25 de janeiro