Be yourself!

Quando eu era criança, não queria crescer.

Eu confesso que, às vezes, me perdia em pensamentos, imaginando como seria minha vida adulta e, apesar de todos os prós, havia muitos contras que, em maioria, me impediam de querer que o tempo passasse para mim.

Eu queria morrer cedo.

Minha expectativa de vida era de, no máximo, até os 18 anos. Mesmo assim, eu não conseguia me imaginar com essa idade.

Aconteceram muitas coisas boas ao longo da minha infância, mas também houve momentos ruins. O pior era quando esses "momentos" duravam longos períodos de tempo, às vezes dias, ou anos.

Crescer, para mim, significava ser obrigado a enfrentar a realidade da minha própria vida como ela é. Assumir a responsabilidade de ter uma história totalmente diferente das que eu costumava ler, assistir em desenhos animados, ou ouvir de outras pessoas.

As histórias alheias eram tão bonitas! Cheias de viradas favoráveis ao protagonista (quando este não se tratava de mim), e eu me envergonhava da minha própria trajetória. Eu não queria ser eu. Queria ser eles: os donos das boas histórias felizes e famílias aparentemente perfeitas. Na minha visão, eles eram filhos preferidos de Deus.

Mas, algo em mim mudou.

Antes, eu procurava culpados para minhas feridas, porém, com a maturidade, passei a encarar tudo como "o rumo que a vida tomou", aceitar que essa é a minha história e que eu não devo me envergonhar dela.

Chega uma hora em que você se sente pronto. Pronto para compartilhar com o mundo quem você realmente é, suas imperfeições, detalhes sobre sua história que podem servir de aprendizado se compartilhados com outras pessoas que, talvez, estejam vivendo algo parecido com o que você já viveu (ou esteja vivendo), e poderão perceber que não estão sozinhos nesse lugar que chamamos de mundo. Que podem te chamar de amigo e se sentir acolhidas, fortalecidas para continuar caminhando pelas estradas da vida.

É claro que também haverá muitos julgamentos, reprovações, etc, mas, hoje, suas intenções já não irão consistir em agradar a alguém além de você mesmo. Antes de tudo, ame-se, aceite-se, faça a si mesmo feliz.

O resto vem!

Douglas ;)

Furacões, Fases e Normalidade

Quando estamos em meio aos "furacões" da vida, a sensação é a de que tudo se mistura, se confunde, nossa visão a respeito da realidade fica totalmente afetada. Era assim que eu me sentia.

Na verdade, eu nunca estive, literalmente, dentro de um furacão, mas acredito que definitivamente não seja exatamente como naquela cena em que a Dorothy viaja até o País de OZ, podendo enxergar tudo tão claramente, a ponto de identificar outras pessoas que estavam na mesma merda situação que ela.


Apesar dos furacões, porém, há um momento em que tudo volta ao devido lugar, a um pleno estado de normalidade. Porém, a normalidade, nem sempre é bem-vinda, por uma tendência natural de se desvalorizar o que é comum.

Contextualizando algo que li em um dos livros perfeitos do querido Fabrício Carpinejar (Sim! Estou apaixonado por ele!), aprendi que os dias normais são necessários, para podermos dar mais valor aos dias felizes, especiais. Afinal, o que seria dos fins de semana, se todos os nossos dias fossem livres? Não valorizaríamos tantos os dias em que podemos acordar mais tarde, ou ficar de pijama em frente à televisão durante toda uma tarde. O fim de semana seria só mais um dia da semana.

Por favor, não ouse pensar que seria perfeito se todos os dias fossem assim, pois há milhares de pessoas desesperadas por poder acordar cedo e bater cartão em uma empresa, para se sentirem novamente integrantes ativas da sociedade, e não podem, devido ao desemprego. E por muitas vezes reclamamos "de barriga cheia" do que temos, ingratamente.



Estou plenamente consciente de que essa posição de normalidade não é definitiva, pois os furacões vão e vêm. Eles não são algo do qual a gente possa dizer que se livrou definitivamente. Mas, o importante mesmo é saber reconhecer que os momentos (tanto os altos, como os baixos, e os comuns) são fases.

Pode parecer um pouco triste imaginar que um momento especial que estejamos vivendo, seja temporário e acabará dando lugar à normalidade, ou a um momento ruim (é... isso faz parte da vida); mas viver consciente de que a vida é feita de fases, torna-se uma estratégia para dias maus, pois se temos essa verdade em mente, saberemos que os "baixos" são tão temporários quanto os altos, e irão passar, igualmente, dando lugar a novos e bons dias.


O que eu ainda estou aprendendo é a olhar a vida com esses olhos. Um olhar que tenta me fazer enxergar que não somos só mais um número em meio a milhões de pessoas, mas somos especiais, sim! Dentro da individualidade de quem nós somos, da diferença que fazemos na vida das pessoas, mesmo sem perceber, não pelo que temos, mas pela nossa essência.

Eu não quero que o furacão volte, deixando tudo devastado novamente. Mas, se ele voltar (porque eu acho que vai), eu só quero me lembrar de uma coisa: ele sempre vai passar.

SEMPRE!

Meus chefes te agradecem...


A você que, um dia, me desiludiu no amor, gostaria de transmitir os sinceros votos de gratidão da parte de meus chefes.

É inexplicável a forma como o trabalho rende!

Assuntos inacabados são prontamente resolvidos. Papéis acumulados logo recebem um fim, tal quais as cartas, bilhetes e mensagens apaixonadas que trocamos.

Os telefonemas para agendamentos de reuniões que naturalmente deveriam ser feitos pela Secretária, os faço eu mesmo de bom grado, na tentativa de suprir a falta de discar seu número de telefone, ter alguém com quem marcar um encontro e desejar que tenha um bom dia.

Organizo a bagunça da minha própria sala com a mesma intensidade e rapidez que gostaria de conseguir organizar de uma vez por todas a bagunça que você deixou dentro de mim.

Meus chefes te agradecem pelas horas-extra que tenho feito. Tudo para ocupar minha mente com trabalho, já que o vazio de meus pensamentos só me levam de volta a você.

Por fim, eu mesmo preciso agradecer. É incrível como, logo que você se foi, voltei a pensar em prosseguir com meus estudos aos fins de semana, antes reservados a nós dois. (Já vi até o preço da Pós!).

O melhor disso tudo é que todo o meu compromisso com o trabalho pode me render uma promoção, quem sabe um aumento. E uma vez que o Dia dos Namorados se aproxima, terei condição suficiente para o presente que darei, e o jantar romântico que proporcionarei a mim mesmo.

Afinal, eu mereço, né?!

***

Playlist "Work"



Receita para um coração partido


Texto dedicado "aos corações que sonham, tolos como podem parecer. Para os corações que sofrem e para a bagunça que nós fazemos".

  • Primeiro, escolha alguém que prometeu a si mesmo não mais se apaixonar.
  • Torne-se presente no dia a dia dele, a ponto de sua presença poder ser sentida mesmo quando ausente.
  • Responda prontamente às suas mensagens, ligações e até mesmo àquelas figurinhas, com mensagens fofas de aprovação.
  • Faça com que ele eternize diversos momentos especiais que vocês tiverem ao lado um do outro.
  • Deixe que ele se abra para a sua amizade e dê muitas esperanças de que o interesse por algo mais seja mútuo.
  • Faça-o acreditar que você sente o mesmo que ele. Inclusive, que você sente como se o procurasse há muito tempo e finalmente o houvesse encontrado.
  • Espere até que ele não deseje nenhuma outra companhia além da sua.
  • É importantíssimo fazê-lo acreditar que TUDO é recíproco. Especialmente o fato de nada nele ser um incômodo ou um defeito aos seus olhos.
  • Ele precisa chegar a dizer que você tem sido seu melhor amigo nos últimos tempos, e que tem compartilhado toda a sua vida com você.
  • Aguarde até que ele fale de você para as pessoas mais especiais da vida dele.
  • Deixe que ele diga estar apaixonado. Aproveite para pedir que ele disserte sobre o próprio sentimento.
  • Adicione alguns dias sem se ver, dê esperança de algum dia possível e mude os planos para outro dia posterior.
  • Deixe-o esperando por respostas às mensagens. Especialmente àquelas mais sentimentais.
  • É fundamental demonstrar que ele não faz mais parte de suas prioridades.
  • Quando ele perceber a mudança e quiser conversar sobre, coloque a culpa no trabalho, na rotina, no estresse, no mundo! Mas, não entre em detalhes, afinal, ele precisa se afligir por dias e questionar o que pode ter feito de errado.
  • Adicione muito fermento aos menores vacilos dele, fazendo-os parecer grandiosos. Especialmente àqueles relacionados a pedidos por atenção, carinho e mensagens de saudade.
  • Passe a ser monossilábico em suas respostas, sem desenvolver muito (ou nada) os assuntos. Principalmente aqueles que, para ele, são mais importantes e que ele costumava compartilhar com você.
  • Deixe que somente ele te chame, demonstre, se preocupe, insista...
  • Bata tudo com canções que tragam a ele memórias passadas.
  • Dias frios e chuvosos, poucos afazeres/distrações e poucos amigos vão à gosto.
  • Pronto! Assim, você terá o que deseja.

Coração com Coração


Era feriado. Os grandes centros culturais estavam lotados de pessoas que desfrutavam de tempo livre.

As praças também dividiam espaço entre ambulantes, jovens em seus skates e patins, e pessoas que simplesmente caminhavam desfrutando da brisa gelada que contrastava com o sol que aquecia a pele.

As ruas, porém, estavam praticamente vazias. O comércio permanecia fechado, com poucos restaurantes, cujas mesas se espalhavam pelas velhas ruas ladrilhadas do centro do Rio de Janeiro.

Foi nesse cenário que eles se encontraram pela primeira vez.

Um coração machucado e outro, cheio de vida, disposto a doar-se para sarar as feridas do primeiro.

Entre conversas, surgiram os primeiros gestos de carinho, o coração ferido pôde ouvir por diversas vezes o que há muito não ouvia. Palavras que o fizeram se enxergar como já não conseguia.

Ele olhava para o sorriso de seu companheiro e era iluminado por seu olhar vivo, sua sinceridade e a felicidade estampada em seu rosto.

Será que ele poderia confiar?
Ele poderia mostrar suas feridas?

Ele acreditou que sim. Deu o primeiro passo. Pediu diversos abraços. Parecia mágica. Ia além do que ele poderia explicar. Ele realmente não se sentia assim há muito tempo.

Quando os dois corações se encontraram, puderam ouvir o som de harpas célticas tocarem em meio à penumbra. Um calor os rondava, mas isso não os impediu de se aconchegarem no abraço um do outro. Eles não se importavam com nada, com ninguém ao redor. Só havia os dois ali.

À medida em que o dia passava, a hora da despedida se aproximava. O coração ferido, sem habilidade para despedidas (depois de todas as que já teve que fazer ao longo da vida), não sabia o que sentir, o que fazer, o que sentir. Só sabia que, depois daquele dia, o que ficaria seria uma conhecida amiga, a quem ele chama intimamente de saudade.

O que fizeram com a sua felicidade?


Ontem eu comentava com um amigo sobre algo que aconteceu comigo, recentemente.

Vinha de uma semana cansativa de trabalho e atividades extras. Muita correria, um cansaço mental e estresse que me faziam não render, não desfrutar dos melhores momentos do dia, não viver.

Na primeira oportunidade que tive, eu não planejei nenhuma festa, passeio ou filme na companhia de alguém (por melhor que a companhia pudesse parecer). Na verdade, eu estava tão acabado, que não tinha cabeça sequer para planejar algo. Eu estava ansioso pelo meu mais que merecido descanso, que finalmente chegara.

Lembro de ter dormido até tarde, ficado na cama, ouvido música, tomado vários banhos e voltado (novamente) para a cama, devo ter lido alguma coisa, escrito algo. Enfim, vivi um dia desconectado e isolado no que, para mim, havia sido um dia, acima de tudo, feliz. Eu me sentia preenchido pela minha própria vida, na simplicidade de viver o que eu precisava ter vivido naquele dia.

Meu grande erro, porém, foi, ao fim daquele dia, até então, maravilhoso, ter entrado numa maldita rede social chamada Facebook (alguém aí já ouviu falar dela?). Eu comecei a zapear a tela do celular, mesmo deitado, pouco antes de dormir o sono da noite, e vi fotos de pessoas sorridentes, acompanhadas de outras pessoas sorridentes, em praias, festas, passeios, ou até mesmo em casa, na piscina, tomando sol naquela tarde de verão que havia passado.


Lembro que, instantaneamente, uma sensação de descontentamento com minha própria vida tomou conta do meu interior. Meu coração entrou num estado de desagrado com meu próprio dia. Minha mente me dizia que "aquilo sim (o que via nas fotos) era viver, e não o que eu 'vivi' durante meu dia de descanso", e eu comecei a me entristecer por ter "desperdiçado" meu dia dentro do quarto.

Naquele momento um estalo me salvou do sono que tentou paralisar minha alegria pela minha própria vida, e eu repreendi a mim mesmo pela forma como estava me permitindo pensar. O meu dia havia sido maravilhoso, SIM! E eu não deveria comparar minha vida com a de outras pessoas.

O dia delas poderia, sim, ter sido maravilhoso em suas praias, passeios e amizades, porém, isso não significava que o meu dia longe do celular ou das lentes de uma câmera a divulgar minha alegria nas Redes Sociais, tinha feito com que minha vida fosse considerada medíocre e inválida.

O problema que nós, seres humanos, precisamos consertar em nós mesmos (e em mais ninguém), é esse: parar de comparar nossa vida com a vida das outras pessoas.

Como diz uma querida mentora, estamos tão felizes com a nossa TV de 14 polegadas, até chegar o caminhão das Casas Bahia na casa do vizinho, com uma TV de 42. Começamos a não gostar tanto assim da nossa, de 14.


Meu desafio diário é viver minha própria vida, ser feliz ao meu próprio jeito, proporcionar alegria às pessoas ao meu redor, e não ficar invejando (sim, invejando - porque essa é a palavra ideal para esse sentimento) a felicidade alheia.

Portanto, sejamos mais gratos pelo que temos, sem questionar o motivo de alguém aparentemente possuir mais do que nós. Porque viver esse tipo de vida que compara e compete, é uma triste maneira de viver.

Enjoy the day! Enjoy the life! Be happy! Carpe Diem!

Beijos
Douglas ;)

Palavras, apenas palavras


Estou em uma casa silenciosa, o tempo está fresco, acabou de chover. Diante de mim há uma bela janela que dá para um vasto espaço com árvores. Sobre a mesa onde estou escrevendo há um jarro com rosas. A paz reina do lado de fora, mas não dentro de mim. Aqui dentro há um turbilhão de dúvidas, medos e incertezas. Arrependimentos por atitudes tomadas, precipitações... Tudo o que alguém poderia sentir por ter cometido um erro está se remoendo dentro de mim.

As vezes me sinto centrado, outras inconstante. Quando penso que a maturidade finalmente se desenvolveu em mim, de repente, sou surpreendido por um sentimento de infância, insegurança, necessidade de proteção.

Tento colocar para fora, em forma de palavras o que realmente sinto, mas não consigo.

Tenho a necessidade de narrar meus sentimentos de forma indireta, tentando expressar como estou por dentro, quando por fora tudo está do jeito que sempre desejei. O que me falta? Eu confesso não saber explicar.

O medo de colocar no papel as palavras que me apunhalam o interior vem de minha fama de pacificador. Aquele que não cria problemas, o bom filho, o exemplo a ser seguido... O que pensariam se essa pessoa tão perfeita dissesse o que realmente pensa? O que realmente sente?

Assim, novamente calo meu interior, aquieto as palavras, fecho as portas para a liberdade que deseja ser aprisionada em mim.