sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Como conheci você


Brendha

Se não me engano, foi no ano de 2014 (Sim. Foi em 2014!). Eu estava desempregado, após dois anos trabalhando numa escola de bairro, sem carteira assinada (ou seja, como diz o ditado, eu estava “com uma mão na frente e outra atrás”). Passei a dedicar minha vida ao meu TCC de graduação e aproveitava o embalo para escrever no meu extinto Blog. Não faço ideia de como conheci o Blog de uma garota chamada Ana Luíza, mas sei que eu adorava acompanhar o que ela escrevia (até porque era uma excelente escritora). Lembro que foi nos comentários do Blog da Ana Luiza que encontrei um link de alguém a quem a Analu (nome pelo qual a dona do Blog era carinhosamente chamada - até por desconhecidos, como eu) dava moral.

Era a Brendha.

Eu não lembro qual era o nome do Blog dela naquele tempo, mas sei que li (quase) tudo o que ela escreveu e o que mais me atraiu (além da beleza indescritível daquela moça) foi o fato de ela estar lendo pela primeira vez a saga do Harry Potter. Havia posts sobre os livros, com as impressões dela. Também me atraiu o fato de que os livros que ela lia, eram emprestados de uma biblioteca. Ela os lia em tempo recorde! (Isto ao meu ver, visto que demoro meses para ler um livro, quando estou de ressaca literária).

Sei que decidi acompanhar aquele Blog e comentei todos os Posts que consegui. O mais legal de tudo foi que a dona do Blog (a Brendha) não se fez de difícil. Muito pelo contrário. Ela respondeu aos meus comentários no meu próprio Blog e passou a ler o que eu escrevia, mostrando-se interessada.

Trocamos links do facebook. Tornamo-nos amigos de internet.

No meio da madrugada, quando eu estava escrevendo algo para o Blog ou simplesmente navegando (à toa) na Internet, eu a chamava para conversar sobre qualquer coisa.

Ela mora em Santa Catarina e eu no Rio de Janeiro. Pode parecer difícil uma aproximação qualquer, mas não foi. Confesso que tem gente que mora mais perto de mim (talvez, sob o mesmo teto), mas que vive mais distante do que ela.

A Brendha e eu conversávamos sobre tudo e sobre nada. Estou até tentando, mas não consigo explicar em palavra nossas conversas de antigamente. Mas, sei que passamos a conhecer um pouco mais sobre a vida um do outro.

Lembro que ela fez aniversário no dia dos namorados (se eu não me engano, 12 de junho) e eu decidi mandar pra ela um “presente”. Um dos livros que estavam em sua “Lista de Desejados” no Skoob - um site para leitores (que também ajudou nos nossos assuntos sem roteiro – além do fato de ela ser cinéfila [com um gosto especial para filmes antigos], e eu não saber nada sobre filmes, e querer conhecer mais sobre o gosto dela por filmes e livros).

Apesar de o “presente” ter chegado com algum muito tempo de atraso, ele chegou e aquilo nos aproximou mais ainda. Lembro que ela elogiou minha letra e postou foto do que escrevi no Instagram. Fiquei feliz pela gratidão dela.

Por aquele tempo, eu arranjei emprego e meu tempo para a Internet diminuiu, e a gente perdeu nossas oportunidades de conversar durante a madrugada. O fato de ela ser uma dedicada estudante de odontologia (eu acho que é isso) também fez com que tivesse menos tempo, tanto para os papos quanto para os Posts no Blog, assim como eu. Nesse tempo, eu já tinha o número do celular dela, e nós poderíamos conversar por mensagem via whatsapp – coisa que raramente fazíamos (muito mal, nos dávamos “Bom dia”, ou “Boa noite”).

Foi aí que a gente se afastou um pouco, mesmo sem querer.

Ela nunca foi de publicar muita coisa no facebook, creio que por ser sulista (o que faz dela alguém mais reservada), ou pelo fato de ser uma pessoa chique, que se expõe pouco (risos). Mas, o tempo passou e, em meus acessos corriqueiros no horário de almoço, eu vi fotos da Brendha onde as pessoas escreviam palavras de conforto e ela agradecendo pelas palavras das pessoas. Nas fotos, ela estava vestida com roupas hospitalares, mas, naquele caso, ela era a paciente. Parte do rosto lindo dela parecia inchada e eu me preocupei. Na hora me bateu um leve desespero por ver alguém tão especial passando pelo que parecia ser uma barra. E era.

Chamei-a no chat do facebook e ela me contou o que havia acontecido. Ela teve trombose no rosto. Eu não saberia explicar, mas, meu Deus, como aquilo cortou meu coração! (Eu me emociono até hoje, só de lembrar). Enquanto ela me contava, eu não aguentei o aperto no peito e desatei a chorar diante do computador. Eu precisava estar por perto para ajudar minha amiga! Que amigo era eu, a ponto de não saber quando alguém tão querido está passando por uma dificuldade como aquela? No mesmo instante, minha chefe entrou na sala e se assustou com meu estado. Eu estava em choque com a notícia. Fui para o banheiro do Colégio onde trabalho, chorar onde ninguém pudesse me ver. Solucei, questionei a Deus, banhei meu rosto com as lágrimas pela dor da minha amiga antes de banhá-lo com água, na tentativa de disfarçar meu choro.

Graças a Deus, ela estava se recuperando. Quando me contou, já estava em fase de recuperação, sem grande risco. O rosto já desinchava e ela me explicou detalhadamente o que aconteceria para que aquele problema não retornasse.

Escrevi uma carta para ela e tentei enviar um novo livro de presente, mas, dias após o pedido ter sido fechado, o Site me comunicou que não havia mais daquele produto no estoque. Mesmo assim, a carta foi e eu pude me fazer um pouco mais próximo a ela, com minhas palavras. Novamente ela agradeceu, e meu coração se acalmou.

Depois disso, continuamos a nos falar quando dava. Às vezes, através de comentários nas fotos do Instagram, onde eu sempre fiz questão de deixar meu “Lindaaaaa!!!”, toda vez que via uma foto dela. Isso aconteceu a ponto de uma amiga dela perguntar quem era eu.

Porém, nada fortaleceu mais nossa amizade do que numa noite em que eu não tinha mais a quem recorrer. Estava chorando muito no meu quarto por algo ruim que alguém havia feito a mim. Precisei de um amigo, e foi naquele momento em que, mais do que nunca, eu pude contar com a Brendha. Ela me ouviu, leu cada palavra que escrevi, me aconselhou, e acompanhou todo o caso até o fim.

Eu pensei que contando tudo o que contei para ela, ela se afastaria de mim, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário: nos tornamos ainda mais próximos, e eu passei a contar com ela (e para ela) para coisas que quase ninguém mais sabe. Desde então, ela é uma amiga mais que especial, pois decidiu me amar e permanecer ao meu lado mesmo quando eu pensei que ela iria me abandonar, ou não se importar.

Espero pelo dia em que poderei conhecê-la pessoalmente, pois sei que será um tempo de compartilhar ainda mais coisas boas.

A Brendha é uma dádiva de Deus em minha vida, e eu agradeço a Ele por me presentear com a amizade dela.
Todas as pessoas deste mundo deveriam ter a oportunidade de tê-la como amiga. A Brendha é uma pessoa e uma amiga incrível!


2 comentários:

  1. Hey, Douglas tudo bem?

    Existem mesmo pessoas que aparecem nas nossas vidas e ganham um espaço tão grande que nem imaginaríamos, tenho um caso parecido com uma amiga, que nosso laço de amizade se fortaleceu apenas depois de acabarmos a escola, e ela é minha confidente, e passou comigo uma fase muito importante da minha vida, como minha aceitação enquanto gay.

    Abraços!
    Saudades dos teus posts!

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  2. Fazia tanto tempo que eu não entrava na minha lista de blogs preferidos que quando eu vim pra ler teu último post e me deparei com uma foto minha aqui eu senti um misto de alegria, surpresa e vergonha por não ter visto isso antes.

    Eu já li o texto antes, reli agora e a sensação que tive foi a mesma. É tão bom ler uma coisa assim sobre a gente de surpresa, quando a gente mais precisa, parece que renova as energias. Adoro como tu escreve e ser o assunto desse texto me deixou mais que lisonjeada.

    Você é uma pessoa iluminada enviada pra minha vida pra torná-la mais leve e feliz. Obrigada, amigo. Não só pelo texto maravilhoso, mas por tudo que tu já fez por mim - desde me enviar um livro que eu amei até os bons dias calorosos que recebo volta e meia.

    Que 2016 seja o nosso ano! <3

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