Redescobrindo meu caminho


Estou querendo voltar a escrever.

Quando que me mudei do Rio de Janeiro para Santa Catarina, minha vida como escritor da história na qual trabalho há alguns (muitos) anos passou por diferentes fases. Desde o bloqueio inicial, devido ao período de adaptação no novo Estado, novo emprego, nova cultura, até o tempo de retomar a escrita, em que as páginas pareciam fluir, trazendo aquela sensação de "Agora vai!".

Infelizmente, depois desse período de fluidez na escrita, eu fiquei desempregado. Meu contrato como professor do Estado de Santa Catarina acabou e, apesar de fazer as provas - e passar em primeiro lugar -, eu não pude assumir as vagas. Isso, porém, é história para outro momento. Na verdade, já publiquei um textão no Facebook sobre isso, explicando tudo, nos mínimos detalhes.

Enfim... De volta ao Rio de Janeiro, começou todo um novo processo, agora de readaptação. Quem disse que eu conseguia construir uma rotina para escrever? Na casa dos meus pais, sem um espaço propício para a escrita, sem ambiente que estimulasse a concentração. Tudo parecia praticamente perdido. Como disse: Parecia... até o momento em que alguém me falou sobre um curioso livro chamado "O caminho do artista", que busca trabalhar contra o bloqueio criativo em todas as áreas artísticas, entre elas a escrita.

Quem me conhece sabe que não sou de ler rápido. Já cheguei a comentar que acho uma tremenda falta de respeito com o autor (que demora tantos meses para escrever), ler um livro em poucos dias. Mas, no caso de "O caminho do artista", eu devorei o livro! Foi inevitável. Não conseguia parar. Em cada momento de meu dia, sentia a necessidade de abri-lo para ler mais uma linha, um parágrafo, uma página (que se tornava em várias), e vários capítulos! Eu nem guardava o livro. Andava com ele na mão, para cima e para baixo, lia andando, atravessando a rua, esperando o ônibus... E foi incrível  me sentir tão compreendido enquanto realizava a leitura. Sinceramente, acho que nunca fui tão compreendido quanto me senti através desse livro.

Fato é que "O caminho do artista" oferece um programa de aplicação pessoal a ser seguido durante doze semanas. Eu comecei a aplicar as principais práticas (que eu já usava antigamente, sem saber que eram capazes de liberar/estimular a criatividade) mas deixei para realizar o programa semanal quando estivesse relendo o livro. E foi inevitável começar a reler no dia seguinte à finalização da primeira leitura.

Comecei a fazer as atividades propostas que  focam desde os fatos de nosso passado que possam ter causado bloqueios artísticos, até reprovações de nossas expressões durante a infância e falta de apoio familiar, que podem ter resultado em insegurança... Acima de tudo, o livro trabalha o autoconhecimento. Isso me fascina, me inspira! Afinal, é muito bom conhecermos a nós mesmos. É bom de mais saber quem somos. Sabermos nos controlar diante dos impulsos (ou da falta deles).

Eu acredito que, seguindo o processo sugerido por esse livro, vou conseguir (ou melhor, já estou conseguindo) me desbloquear. A vontade de escrever já voltou, afinal, foi assim que comecei esta publicação.

Creio que seja esse o caminho. Os primeiros passos para o retorno do dom, no sentido mais puro que ele tem. Afinal, qualquer tipo de arte deve ser natural, prazeroso, divertido! Quantas vezes entrei no meu quarto para brincar de escritor, e escrevi histórias fantásticas, criei mundos e personagens incríveis! Quantas vezes fui brincar de compositor, imaginando que estava compondo canções para meu álbum que seria lançado, e consegui compor canções belíssimas, que chegaram a ser produzidas e gravadas de verdade! A arte PRECISA se divertir. Ela não deve ser uma obrigação.

Infelizmente a gente cresce e começa a encarar o mundo, o mercado, a sociedade, e deixa de ser artista por prazer.

Como artistas que somos, nos sentiremos expostos, seremos alvo de críticas (boas e maldosas), devemos nos dar o direito de ser artistas "ruins", mas nos dar o direito de ser artistas, produzindo arte, criando, através de toda a nossa forma de expressão. Infelizmente, por muitas vezes, eu preferi deixar de ouvir meu coração, que dizia "Expresse sua arte", para ouvir aos críticos que me diminuíam ou diziam em tom de autoridade: "Apaga aquilo que você publicou!".

As pessoas que nos criticam, na verdade, gostariam de ter nossa coragem. Gostariam de estar em nosso lugar, mas têm medo, estão bloqueados.

Quem é artista, no entanto, não faz arte pelo aplauso, pela aprovação, nem pelo público. Quem é artista de verdade, faz arte por instinto, por sobrevivência. Pois o artista que não faz arte, deixa de existir, perde o sentido da própria vida.

Se eu fosse falar mais sobre esse livro, acabaria escrevendo outro livro sobre tudo de bom que ele me proporcionou na primeira leitura, sendo assim, prefiro deixar que aqueles que se interessarem o leiam e deixem que o efeito dele aconteça de acordo com sua necessidade. Fato é que eu estou com muita vontade de escrever, trabalhar na minha história. Finalizá-la,  não como um dever, mas pelo prazer de sentir a criatividade se movendo dentro de mim. Para dar à luz um filho (meu trabalho concluído) e dar lugar a novas criações, povoar novos mundos e contar novas histórias, todos gerados através de mim.

É só o princípio do recomeço. E eu não estou nem aí para o que irão dizer.

O lado bom da normalidade

O mundo blogueiro não é mais o mesmo há tempos.
As próprias redes sociais, como Facebook, não têm sido bons lugares para publicar textos.
Em tempos onde as livrarias estão fechando, indo à falência, não há otimismo quanto à escrita e leitura.

Estou de volta à casa dos meus pais, onde costumava escrever meus textos mais reflexivos.
Acredito que o ambiente familiar seja um terreno propício para as crises e necessidade de isolamento que tanto me inspiraram a escrever.
O fato de sempre ter me sentido deslocado, diferente da minha família, sempre me fez refletir muito sobre minha existência, meus propósitos de vida.

Hoje em dia, considero-me alguém mais maduro.
Apesar dos pesares, eu venho crescendo por dentro, como um ser humano a quem admiro e me orgulho de ter me tornado.
Algo que tem se passado muito nos meus pensamentos é a questão de estar vivendo uma fase, afinal, a vida é feita delas. Nada é permanente. Tudo muda.

Estamos em um momento de comemoração em família, entre irmãos. Somos seis filhos. Temos meu pai e minha mãe com vida e saúde. E aqueles momentos em que reclamamos de ter que nos reunir para tirar fotos (obrigatórias) com todos em família, um dia serão lembrados com saudade, pois nem todos estarão presentes.

A vida é limitada. Meus pais, um dia irão partir, meus irmãos, eu... Por isso, preciso me lembrar todos os dias, de valorizar cada uma dessas oportunidades de estarmos todos juntos, felizes, apesar do calor, apesar dos sonhos ainda não realizados, apesar das diferenças que temos, mesmo sendo irmãos (vindos do mesmo lugar, feitos da mesma forma, como costumam dizer por aí).

Eu já tive uma amostra do que é viver longe da família que tenho. Sentia falta deles a cada momento em que gostaria de ter alguém para me alegrar, ou para me tirar de uma rotina cem por cento planejada. Eles me fizeram falta. O calor desse lugar me fez falta. Não apenas o calor do clima, mas principalmente o calor das pessoas, a sinceridade de querer bem uns aos outros. Por muito tempo foi disso que eu senti mais falta.

Que Deus preserve minha família assim por um bom tempo, e que preserve a mim e ao meu coração conscientes da necessidade de permanecer grato pelas pequenas coisas. Pela normalidade do dia a dia, pois se está normal, é sinal de que tudo também está bem.

Eu tô de saco cheio de algumas coisas.

Quem me conhece sabe que eu sempre tentei ser a melhor pessoa que posso.
Às vezes, pensando sobre isso, tento fazer um levantamento mental sobre os motivos de eu ser alguém que sempre teve facilidade de agradar a todos, de ponderar sobre a melhor solução comum, nada que pudesse me favorecer, mas o que fosse bom para a maioria.

De todas as vezes que penso sobre isso, fico entre duas respostas:

1. A "culpa" é do meio religioso no qual fui criado: Pra quem ainda não sabe, eu cresci numa casa onde a principal filosofia é cristã. Filosofia baseada no perdão, no "dar a outra face", na abnegação. E eu, particularmente, tenho como característica minha a entrega a tudo o que faço. Acredito que, se for pra pegar algo e fazer de qualquer jeito, é melhor nem fazer. Sendo assim, com minha vida religiosa não foi diferente. Sempre levei a sério e me entreguei totalmente a absolutamente tudo o que fazia. Tudo bem que eu só quebrei a cara por ser tão submisso, mas creio que com certeza o meio religioso tenha influenciado nesse meu jeito de ser.

2. A "culpa" é do meu sentimento natural de rejeição (que parece se confirmar a cada dia): Não sei o que houve durante minha gestação, porém, desde que me entendo por gente eu me lembro que tenho essa sensação constante de rejeição por parte de algumas pessoas e especificamente por algumas situações onde ficou bem clara a intenção delas em me fazer sentir rejeitado. Assim sendo, devido à sensação de reprovação, rejeição, ou por tudo o que eu já imaginava que aconteceria na minha vida e que, provavelmente me faria ser rejeitado, eu sempre tentei mostrar que eu poderia ser bom, fazer o que todos pensavam que eu não faria, ser quem pensavam que eu não me tornaria.

Eu estou de saco cheio de ser como sou? Sinceramente, não.
Mas, eu me pergunto por que parece que só eu tento ser assim.
Se todo mundo que me conhece, olha pra minha vida e diz admirar meu jeito de ser, a única pergunta que me atormenta é: "Por que essas pessoas não tentam ser assim também?".

Não estou querendo me usar como exemplo pra ninguém, até porque isso é um grande engano que só causa mais dor de cabeça na vida do "exemplo" (eu já tive essa obrigação e sei como é). Só que estou sentindo MUITO os efeitos da falta de empatia das pessoas para comigo.

À medida que tento aliviar as cargas dos outros, sinto que essas cargas vêm sendo cada vez mais descarregadas sobre mim, enquanto, o que realmente deveria acontecer, eram essas pessoas também tentarem aliviar as minhas.

À medida que só quero viver a minha vida, sem prejudicar ninguém, parece que as pessoas querem entrar na minha vida e quando, apesar da minha dificuldade de me abrir para novas amizades e confiar, eu finalmente cedo, elas revelam seu desejo oculto em me prejudicar como puderem.

À medida que tento ser o mais educado e amável possível, menos as pessoas tentam fazer o que eu peço com toda a minha educação e gentileza.

À medida que eu tento me aproximar de alguém com quem tive algum grau (mesmo que mínimo) de empatia, parece que essas pessoas se afastam um pouco mais a cada convite, a cada "oi", a cada "conta comigo".

É disso que eu tô de saco cheio.
De começar a duvidar de meus próprios valores e pensar: "E se eu fosse como eles?", "E se eu agisse como eles?", "E se eu pagasse na mesma moeda?".
Mas, aí eu me lembro que o que eu faço, as formas como ajo (ou reajo) não é pelo que as pessoas são, ou pelo que elas fazem a mim, mas por quem eu sou.
É muito difícil caminhar todos os dias (indo e voltando do trabalho) e pensar no quanto a vida poderia ser mais leve se as pessoas quisessem prejudicar menos umas às outras e se abrissem para ajudar à medida que são ajudadas por alguém.

Sei que não tenho o poder sobre essa situação.
Sei que não tenho o controle do mundo (e nem desejaria ter).
Mas... Um fato é que quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu gosto dos bichos.

Até qualquer hora.
Douglas ;)

A culpa é do Walt Disney!

Não sei se você, assim como eu, cresceu cercado pelo maravilhoso e mágico mundo de Walt Disney. Sim, eu sou daqueles que iam ao cinema acompanhados pela família (com direito a Big Mac após a sessão) e, quando as pessoas começaram a me achar grande de mais para gostar de desenhos, passei a ir sozinho mesmo, afinal, definitivamente, não concordava com elas.

Imagine! Um homenzarrão na sala de projeção escura, reclamando sozinho das mães que insistiam em levar crianças para ficarem chorando durante o filme. Que absurdo!

A questão aqui é: Eu sou do tempo em que os desenhos animados relatavam príncipes em busca de princesas que seriam o eterno amor de suas vidas. Criadas que, com muita sorte, ascendiam socialmente e bastava chorar em desespero para serem consoladas por suas fadas madrinhas.

Sou do tempo em que as personagens se conheciam, se apaixonavam à primeira vista e já sabiam que passariam o resto de seus dias ao lado de alguém (e que, assim, seriam FELIZES PARA SEMPRE).

Lamento informar, mas nada disso é verdade.

Nem mesmo os contos de fadas são tão belos quanto nas versões de Walt Disney. Acredite! O caçador não chegou a tempo de salvar a Chapeuzinho, nenhum beijo de amor trouxe alguém de volta à vida, nenhum príncipe salvou alguém de um sono de cem anos (apesar de muita gente por aí jurar que, se o desafio fosse dormir, o faria tranquilamente até por mais tempo).

As versões originais são completamente sombrias (macabras), e querem ensinar as pessoas sobre a realidade da vida. É como se os irmãos Grimm, ou tantos outros contadores de histórias, chegassem bem na sua cara e dissessem: "Acorda e se prepara, porque a vida não vai te ajudar em merda nenhuma!".

Tudo pode parecer muito mágico e perfeito quando vemos por alguns minutos de história, algumas fotos nas Redes Sociais, mas a verdade é completamente diferente. Dificilmente alguém vai esbarrar nos seus livros no meio da rua, te ajudar a catá-los do chão e te convidar para um jantar naquela mesma noite, dizendo que se apaixonou completamente por você.

Feliz mesmo deve ser essa geração que cresceu imersa na filosofia de que a princesa virou ogro, se salvou sozinha da torre e não espera absolutamente nada da fada madrinha, uma megera egocêntrica. Contudo, não vamos desanimar totalmente, ok? A vida pode, sim, imitar os contos de fadas. Eles realmente podem acontecer. Talvez, estejamos apenas esperando viver a versão errada.

Minha amiga, realidade


Durante toda a minha vida, fui alguém que acreditou na sorte. Sempre pensei que algo bom poderia acontecer comigo, como algum tipo de predestinação. Como alguém nascido e criado no contexto religioso, aprendi que sou escolhido por Deus para grandes coisas, que as nações do mundo conheceriam meu nome, em suma, cresci acreditando que uma vida excepcional e extraordinária estava reservada para mim. Sendo assim, vivia no nível intermediário entre o sonho e a realização.

Como eu sonhei! Fui uma criança criada nos padrões mais altos de Walt Disney. Imaginação aflorada, totalmente capaz de sonhar acordado, especialmente durante as aulas de Ciências e Matemática. Minha imaginação era meu maior refúgio.

O tempo foi passando, a infância indo embora junto a ele e eu passei a ser visitado (a cada dia com maior frequência) por alguém chamado realidade.

É claro que ela apareceu durante minha infância. Mas, infelizmente, não era vista por mim como uma amiga. Eu a considerava dispensável, desnecessária.

Realidade, para mim, eram meus irmãos implicando comigo, os meninos da escola caçoando do meu peso, de minha aparência. Realidade era a fome do mundo, as mortes dos noticiários. Eu detestava a realidade, não queria precisar viver nela.

Mas, ela chegou com tudo, derrubando os muros de fantasia atrás dos quais eu me escondia. Ela se impôs, me fazendo perceber que eu deveria aceitá-la, querendo ou não querendo.

Aos poucos, ela foi matando meus sonhos, me fazendo perder a capacidade tão natural de imaginar a ponto de me perder em histórias e mundos aos quais sempre visitei. Era como se a porta para o "País das maravilhas" houvesse encolhido e eu já não pudesse atravessá-la, por ter crescido demais.


Mas, o tempo disse: "Deixe-me passar". E eu deixei.

A todo tempo acreditei que, assim como eu estava mudando, um dia minha realidade também pudesse mudar. Uma vez que estava disposto a me adaptar a ela, ela também poderia se adaptar a mim.

Descobri que não preciso viver a realidade dos outros, mas posso construir a minha própria realidade. Percebi que a felicidade não consiste em se perder e refugiar num mundo de fantasia, mas em viver a verdade de quem se é, não aceitar o que a vida te impõe, mas em construir a vida que se quer ter.

EU escolho quem quero ser. EU decido minha realidade de amanhã, de daqui a cinco, dez, cinquenta anos... Mas, só viverei a realidade que espero no futuro se, hoje, fizer algo para chegar até lá.

Hoje vivo minha realidade: um mundo intermediário entre o que é fantástico e o que é real. Sei que ainda não cheguei onde desejo, mas, a cada dia, faço um pouquinho pelo meu eu do futuro. Estou caminhando um passo de cada vez, escrevendo uma página por dia, conquistando pequenos objetivos diários.

Assim (só assim), sei que vou construindo meus sonhos, povoando meus mundos e, acima de tudo, vivendo a realidade de ser eu.



Nenhuma tempestade dura para sempre

Sabe aqueles dias que você sente com vontade de mandar o mundo parar porque você quer descer? São dias onde começam a acontecer inúmeras coisas que conseguem te desmotivar. Apesar de dar seu melhor, você acaba se tornando alvo fácil de críticas e reclamações sobre o que faz, ou seja pela simples falta de reconhecimento ou valorização de seu esforço constante. Tudo o que você faz parece não ser mais do que sua obrigação e você passa a não enxergar nenhuma expectativa de futuro.

Mas, calma, como diz a placa em frente à livraria que entrei, hoje: "Nenhuma tempestade dura para sempre", e essa simples frase escrita com giz me fez perceber (ou melhor, me lembrar de) que logo, logo essas fases ruins vão passar, como tantas outras que vieram e se foram. Mas, você não pode se concentrar nela. Ao contrário, você deve tirar desse momento, forças e motivação para fazer algo diferente por si mesmo.

Chega de se ver como coadjuvante de sua própria história! De aceitar o que a vida traz, como se fosse uma esmola por você ser bonzinho com todo mundo. Comece a fazer algo por si próprio. Tome as rédeas da história que é sua (e de mais ninguém). "Se for pra desistir, desista de ser fraco". Planeje, projete, mas não deixe que coisas tão menores do que seu sonho (como a rotina, ou pessoas tóxicas) roubem o seu ânimo de viver.

Que tal fazer do hoje um novo começo para algo diferente? Algo que realmente valha a pena. Por que a importância do seu salário não pode cobrir o valor dos seus sonhos. Então, se atrase para o trabalho, perca a hora, seja visto como o funcionário menos qualificado para sua profissão, seja motivo de deboche da galera da empresa, desde que os seus sonhos estejam em dia. Mas, não se deixe vender pela quantia que lhe pagam.

Sua felicidade vem primeiro e deve estar acima de tudo mais nessa vida. Combinado?

Combinado.





Sobre Escritores, Bloqueios e Ganha-pães...


Faz pouco mais de uma semana que estou "morando" em Concórdia - SC. Confesso que, vim para cá aberto ao que pudesse acontecer. Inclusive para a possibilidade de não dar certo e eu precisar/querer voltar para o Rio.

Conforme os dias foram passando, eu passei por aquele primeiro momento de adaptação, conhecendo a cidade, saindo com a Camila e com o Wallace, donos da casa onde estou hospedado, procurando emprego, e não conseguindo escrever uma linha sequer do livro. É... Pra quem (ainda) não sabe, eu trabalho numa história há mais de dez anos. Inclusive, famosa entre aqueles que sabem que estou escrevendo, mas nunca termino.

Dessa vez, eu me dei um desconto. Até comecei a querer me cobrar: "Você não está trabalhando no livro!", mas me dei conta de que era necessário passar pela adaptação inicial.

Foi pelo fato de não me punir psicologicamente por não estar trabalhando na história, que eu consegui escrever alguma coisa referente a ela (mais do que eu imaginava). Na verdade, rascunhar num bloco de notas. Algumas boas páginas desenvolvidas, prontas para serem melhoradas. Mas, isso nem se compara com o tanto que já foi descartado. O bom é que, com o tempo e a experiência, a gente aprende que o "descarte" de material é excelente para o escritor. Isso mostra que temos senso crítico de que não está bom o bastante para o nível de nossa história. Além de provar pra nós mesmos que sabemos onde queremos chegar, nos dá autonomia para entender que se aquela parte (por maior que seja) foge do nosso foco, sabemos tirá-la de jogo e escrever algo melhor.

Dá pra ler um pouquinho do andamento da história no Bloco. A folha em branco é um tipo de Roteiro, pra direcionar os fatos

Ultimamente, o que estava me atrapalhando bastante a escrever era a preocupação com minha estadia aqui. Com o tempo, o dinheiro vai saindo da conta, sem entrar nada (já que não havia recebido nenhum retorno sobre os curriculuns distribuídos) e ainda não resolvi nada sobre aluguel de casa ou compra de móveis e eletrodomésticos. Isso vai causando uma neura, sabe? Por mais que você saiba e sinta que não está sendo um peso para as pessoas onde está, mas é o senso de responsabilidade falando mais alto.

Meu plano inicial era, sim, ficar desempregado por seis meses para me dedicar exclusivamente ao livro, mas, isso morando na casa dos meus pais, tendo dinheiro guardado para esse período, sem grandes despesas. Não contava que me mudaria de Estado, tendo que encarar uma nova realidade nada "estável" (se é que me entendem).

Mas, creio que parte do "problema" já foi resolvido. Pois, desde semana passada, eu tenho ido à Secretaria de Educação daqui, e fiquei por dentro da Chamada Pública para professores da Rede Estadual de Ensino. Eram vagas remanescentes de professores que prestaram concurso e não compareceram para tomar posse das vagas. Sendo assim, eles chamam quem tiver formação ou esteja cursando a faculdade que habilita para cada disciplina, dando prioridade para os já formados.

Dentre todas as vagas, havia Ensino Religioso. Pouca gente sabe, mas eu sou formado em Teologia. Comumente, quem assume essas vagas são professores de História, Filosofia, Sociologia, que acabam "tapando o buraco" devido à escassez de gente formada nessa área específica, e, lá havia muitos interessados nas vagas. Mas, como a prioridade é para quem tem habilitação na área, a moça perguntou e eu fui o único a me apresentar.

Eu poderia ter pego cerca de 15 tempos em três escolas diferentes, mas eram longe e como eu (ainda) não dirijo. O que fez com que a moça me recomendasse não arriscar a me desgastar com transporte público toda semana para dar aula nessas escolas mais distantes. Assim, peguei 5 tempos numa única escola atrás da casa da Camila (onde estou hospedado). Chegando lá, a moça perguntou se eu tenho interesse em outras disciplinas, como Sociologia e Filosofia. E eu só respondi: "Claro! Podem contar comigo para o que precisar. Eu quero trabalhar.".

Então, é isso. Começo na segunda-feira, uma semana inteira de Seminário para os Professores, com 40 horas de duração, para iniciar o ano letivo. Eu sei que vou conseguir conciliar isso com o Projeto do livro. Eu sinto. Meu compromisso comigo mesmo é não abrir mão do meu objetivo principal por causa de qualquer emprego. Eu vou trabalhar para que o dinheiro não me falte, gerando recursos para a realização do meu projeto principal.

Se algum dia, vocês virem que eu estou perdendo o foco por causa de trabalho, por favor, me avisem, pois eu tenho coragem de largar tudo de novo, até acertar de vez e, finalmente, ver esse livro impresso.

Obrigado por lerem até aqui.
Um abraço!
Me desejem sorte.
Douglas =)

P.S.: Esse vídeo da JoutJout me motivou bastante, porque fala exatamente tudo o que eu acredito e tenho me inspirado a viver!