Sobre Escritores, Bloqueios e Ganha-pães...


Faz pouco mais de uma semana que estou "morando" em Concórdia - SC. Confesso que, vim para cá aberto ao que pudesse acontecer. Inclusive para a possibilidade de não dar certo e eu precisar/querer voltar para o Rio.

Conforme os dias foram passando, eu passei por aquele primeiro momento de adaptação, conhecendo a cidade, saindo com a Camila e com o Wallace, donos da casa onde estou hospedado, procurando emprego, e não conseguindo escrever uma linha sequer do livro. É... Pra quem (ainda) não sabe, eu trabalho numa história há mais de dez anos. Inclusive, famosa entre aqueles que sabem que estou escrevendo, mas nunca termino.

Dessa vez, eu me dei um desconto. Até comecei a querer me cobrar: "Você não está trabalhando no livro!", mas me dei conta de que era necessário passar pela adaptação inicial.

Foi pelo fato de não me punir psicologicamente por não estar trabalhando na história, que eu consegui escrever alguma coisa referente a ela (mais do que eu imaginava). Na verdade, rascunhar num bloco de notas. Algumas boas páginas desenvolvidas, prontas para serem melhoradas. Mas, isso nem se compara com o tanto que já foi descartado. O bom é que, com o tempo e a experiência, a gente aprende que o "descarte" de material é excelente para o escritor. Isso mostra que temos senso crítico de que não está bom o bastante para o nível de nossa história. Além de provar pra nós mesmos que sabemos onde queremos chegar, nos dá autonomia para entender que se aquela parte (por maior que seja) foge do nosso foco, sabemos tirá-la de jogo e escrever algo melhor.

Dá pra ler um pouquinho do andamento da história no Bloco. A folha em branco é um tipo de Roteiro, pra direcionar os fatos

Ultimamente, o que estava me atrapalhando bastante a escrever era a preocupação com minha estadia aqui. Com o tempo, o dinheiro vai saindo da conta, sem entrar nada (já que não havia recebido nenhum retorno sobre os curriculuns distribuídos) e ainda não resolvi nada sobre aluguel de casa ou compra de móveis e eletrodomésticos. Isso vai causando uma neura, sabe? Por mais que você saiba e sinta que não está sendo um peso para as pessoas onde está, mas é o senso de responsabilidade falando mais alto.

Meu plano inicial era, sim, ficar desempregado por seis meses para me dedicar exclusivamente ao livro, mas, isso morando na casa dos meus pais, tendo dinheiro guardado para esse período, sem grandes despesas. Não contava que me mudaria de Estado, tendo que encarar uma nova realidade nada "estável" (se é que me entendem).

Mas, creio que parte do "problema" já foi resolvido. Pois, desde semana passada, eu tenho ido à Secretaria de Educação daqui, e fiquei por dentro da Chamada Pública para professores da Rede Estadual de Ensino. Eram vagas remanescentes de professores que prestaram concurso e não compareceram para tomar posse das vagas. Sendo assim, eles chamam quem tiver formação ou esteja cursando a faculdade que habilita para cada disciplina, dando prioridade para os já formados.

Dentre todas as vagas, havia Ensino Religioso. Pouca gente sabe, mas eu sou formado em Teologia. Comumente, quem assume essas vagas são professores de História, Filosofia, Sociologia, que acabam "tapando o buraco" devido à escassez de gente formada nessa área específica, e, lá havia muitos interessados nas vagas. Mas, como a prioridade é para quem tem habilitação na área, a moça perguntou e eu fui o único a me apresentar.

Eu poderia ter pego cerca de 15 tempos em três escolas diferentes, mas eram longe e como eu (ainda) não dirijo. O que fez com que a moça me recomendasse não arriscar a me desgastar com transporte público toda semana para dar aula nessas escolas mais distantes. Assim, peguei 5 tempos numa única escola atrás da casa da Camila (onde estou hospedado). Chegando lá, a moça perguntou se eu tenho interesse em outras disciplinas, como Sociologia e Filosofia. E eu só respondi: "Claro! Podem contar comigo para o que precisar. Eu quero trabalhar.".

Então, é isso. Começo na segunda-feira, uma semana inteira de Seminário para os Professores, com 40 horas de duração, para iniciar o ano letivo. Eu sei que vou conseguir conciliar isso com o Projeto do livro. Eu sinto. Meu compromisso comigo mesmo é não abrir mão do meu objetivo principal por causa de qualquer emprego. Eu vou trabalhar para que o dinheiro não me falte, gerando recursos para a realização do meu projeto principal.

Se algum dia, vocês virem que eu estou perdendo o foco por causa de trabalho, por favor, me avisem, pois eu tenho coragem de largar tudo de novo, até acertar de vez e, finalmente, ver esse livro impresso.

Obrigado por lerem até aqui.
Um abraço!
Me desejem sorte.
Douglas =)

P.S.: Esse vídeo da JoutJout me motivou bastante, porque fala exatamente tudo o que eu acredito e tenho me inspirado a viver!






Nunca pensei que escreveria um Post desses...

Ainda no plástico. Só pretendo abrir quando for para a minha própria casa alugada - vista do quarto onde estou hospedado - SC

Uma vez que me mudei, estou naquela fase de procurar casa e comprar móveis, eletrodomésticos e eletrônicos (Fiquem tranquilos, pois não pretendo publicar fotos de panelas, geladeiras, fogões ou aparelhos de TV aqui). Hoje, indo ao centro da cidade (a pé, pois é muito perto da casa onde estou hospedado), eu acabei me deparando com uma lojinha INCRÍVEL, aqui em Santa Catarina! Coisa difícil de se encontrar no Rio.

Lá, o máximo que a gente encontra são aquelas lojas cheias de bugigangas sem graça, ou lojas com produtos legais de se ter em casa, porém, a preços altíssimos (Imaginarium, por exemplo).

Eu sempre vi aqueles Blogs que falam sobre decoração para casa, quarto... Que fazem "propaganda" de livros, séries, álbuns musicais, etc., e confesso que não gosto muito (nada) desse tipo de Blog. Primeiro, porque, na minha humilde opinião, parece que seus donos vivem comprando coisas bonitinhas, porém desnecessárias, só para mostrar. Em segundo lugar, porque eu não sou de ficar comprando coisas que me deem vontade de mostrar a ponto de dedicar um Post inteiro para isso. Abaixo o consumismo!

O que eu gosto mesmo são de Blogs que falam sobre pessoas reais vivendo situações reais, contando sobre a vida, o que aprenderam com alguma situação resolvida, ou desabafando sobre problemas que estejam enfrentando (pois sei que logo serão apresentadas as soluções desses problemas).

Sendo assim, quero deixar claro que, apesar de eu estar me mudando, o foco do Blog não mudou, ok?

Detalhe para o Box "A Feiticeira" (paixão de infância) e para a caneca linda que ganhei de aniversário, da minha irmã.

Vim apenas mostrar, e deixar registrado, as coisinhas que encontrei na tal lojinha, por R$10,99, cada. Eu achei um preço justo. Especialmente por serem coisas que trazem coisas boas para o ambiente da casa, com mensagens positivas (para espantarem os "Vampiros Emocionais", quem sabe) e por serem excelentes artigos decorativos, além de proporcionarem um lar mais aconchegante. (Quando a gente quer justificar alguma coisa, a gente consegue. Me saí melhor que vendedor da Polishop).

Sendo assim, tirei umas fotos das nossas novas aquisições (digo "nossas", porque a casa vai ser minha e da Caren, minha sobrinha) e estou compartilhando aqui com vocês. Espero que gostem, porque eu gostei de tudo!


1. A culpada de tudo foi essa lixeirinha, de inox. Eu entrei na lojinha só por causa dela. Lá no Rio eu tinha uma no meu quarto, quando comecei a comprar coisas pra casa. Tinha comprado por R$19,90 na "Casa&Video", e já tinha achado barato. Por R$10,90, nem preciso dizer, né?

2.Esse quadrinho de varal, para fotos, é tão lindo, que a gente fica em dúvida se substitui as fotos que vieram nele por fotos nossas.

3. Aproveito pra mostrar essa garrafinha linda de "Harry Potter" que ganhei de aniversário, da minha amiga Carol. Está sendo super útil, além de manter a água geladinha. Com certeza não foi R$10,99. 


4. Toda casa precisa de princípios verdadeiros para regerem a convivência. Adorei estes dizeres desde a primeira vez que os vi impressos na parede da Ana, uma amiga da Camila aqui de Concórdia. Não tive dúvidas sobre comprar, ou não, esse quadrinho.


5. Comprei a almofada com o tema "Londres" primeiro. Achei que essa outra, cinza, complementa a primeira. Achei que as cores "conversam" entre si. Se estiver errado, me perdoem. Não sou designer de interiores (Rs).

6. Eu fiz a moça pegar uma escada para pegar esse quadro de "Cupcake". Acho ideal pra o ambiente da cozinha. Tô a fim de comprar os eletrodomésticos de cores pastel, se não me custarem os olhos da cara, claro.

7. Esse do "Muffins" é primo do "Cupcake". Bom pra gente se lembrar de que os dois bolinhos são completamente diferentes um do outro.


8. Por fim, tem esse quadrinho com essas mensagens super positivas! "Apenas boas vibrações"; "Meu amor", "Desfrute das pequenas coisas" (tradução livre do meu inglês básico).

Obs.: Também teve um outro quadrinho de Londres, mas eu não tô a fim de mostrar.

Então, é só isso tudo.

Peço desculpas aos que não gostam desse tipo de postagem, mas prometo não estabelecê-lo como padrão. O Blog vai continuar falando sobre minhas neuras (como diz JoutJout), tá bem? Então, tá bem!

Um forte abraço!

Até o próximo Post.

Douglas ;)

Vampiros Emocionais

Já esteve com alguém tão cheio de vida e energia, a ponto de parecer que o simples fato de estar com essa pessoa por alguns instantes foram suficientes para te renovar as forças e encher de alegria?

Pois é... Assim como existe esse tipo de pessoa, também existem aquelas que costumam sugar rapidamente todo o nosso vigor, boas expectativas e vontade de ser o melhor que podemos. São pessoas que vivem discutindo sobre a vida, ao invés de vivê-la. Pessoas que sempre vão encontrar defeitos dos quais se queixar. Elas são conhecidas como "Vampiros Emocionais".

Eles estão por aí, em toda parte. Podem estar no nosso local de trabalho, entre pessoas de um círculo social, uma rede social na Internet... Mas o pior de tudo é quando esses "Vampiros" se encontram dentro da nossa própria família. Sim, porque seu tempo no trabalho é limitado, e você pode mudar de emprego se as pessoas (ou alguém específico) for uma sanguessuga emocional. Assim como nos círculos sociais é possível cortar os vínculos. Mas, e na família? Você não pode simplesmente selecionar as pessoas que fazem parte dela. Você nasceu nela e ponto.

Eu mesmo, por muito tempo, achei ter nascido na família errada. E isso não tinha (quase) nada a ver com o fato do meu irmão mais velho viver repetindo durante a minha infância que eu fui encontrado na lata do lixo, pela minha mãe. Eu pensava isso especialmente devido à discrepância gritante entre a personalidade da minha família toda e a minha.


Eu sempre fui muito tranquilo, falava baixo, preferia dialogar sobre assuntos com conteúdo, sempre gostei muito dos ambientes calmos, próprios à reflexão... Já minha família, sempre foi muito festeira. Adora uma farra, barulho, bagunça. Gostam de se reunir em volta da mesa com um pacote de pão quentinho e um refrigerante gelado para conversar sobre nada, ou para dar palpites nas vidas e conflitos uns dos outros (nunca se reúnem para falar mal de alguém em sua ausência, apenas falam de quem está ali, participando da roda de conversa).

E eu era tido como o "antissocial", por não conseguir ficar muito tempo em bando, ou falando sobre coisas que não me diziam respeito. Se alguém quisesse falar sobre a minha vida, eu preferia que me chamasse em particular para perguntar o que está acontecendo, se a intenção fosse a de me entender e me ajudar, e não que fizessem debates públicos-familiares na mesa da cozinha. (Ainda prefiro que seja assim). Eu tive que aprender a lidar com minha família e ela ainda está aprendendo a lidar comigo.

Sendo assim, o que fazer quando você está num ambiente familiar onde alguém parece carregar um peso estranho, capaz de sugar a alegria do ambiente? Basta imaginar que vai se encontrar com aquela pessoa, seja numa tarde qualquer ou numa festa, que você já se sente mal, sendo que você estava feliz até o momento. O pior é que outras pessoas (que não sabiam do que você sente na presença do "Vampiro") também já chegaram a desabafar com você sobre o que sentem na presença dele.


Entenda: o problema não é pessoal. Você não odeia o "Vampiro". Não sente raiva dele. Não quer o mal dele. Só que o fato de ele ser alguém que se vitimiza, que vê a si mesmo como incapaz, coitadinho, "Parece que nada dá certo na minha vida...", faz com que você sinta que ele suga tudo de bom que possa haver no ambiente. Você só deseja que ele pare de ser assim, tão "carregado" e que o sol volte a nascer para ele. (Não estou falando de um momento ou outro, a pessoa é negativa em mais de 50% das vezes que vocês se encontram).

Pior é quando o "Vampiro" não sabe que é uma sanguessuga emocional, e você parece já ter tentado fazer de tudo na intenção de mostrar para esse tipo de pessoa que ela é assim, mas parece inútil. É como dar murro em ponta de faca. É como jogar pérolas aos porcos. Ficar repetindo e repetindo a mesma coisa não adianta. Talvez seja um caso a ser estudado.

O fato é que há pessoas que simplesmente parecem ter escolhido viver assim. Uma vida que não anda pra frente, baseada no passado, cheia de feridas que não foram curadas, e infelizmente não serão porque não estão sendo tratadas, uma vez que só podem ser tratadas quando essas pessoas quiserem, permitirem que haja o tratamento.

Talvez este seja um Post sem conclusão. Mas me dou o direito de escrevê-lo como uma reflexão de algo que eu não entendo, apesar de sentir.

Gostaria apenas de deixar um convite a você que está lendo, assim como eu costumo fazer todos os dias (até mesmo inconscientemente, por já ter se tornado um hábito na minha própria vida):

Olhe para si mesmo e veja se tem sido esse alguém que não se coloca no lugar das outras pessoas, que não dedica tempo e esforços a algo que beneficie a mais alguém além de você mesmo ou que corresponda aos seus próprios interesses. Perceba se você é alguém pessimista, que só olha para a sua própria vida como algo que não deu certo, ao invés de olhar para si como um projeto que ainda está sendo construído, olhando para frente, vendo o futuro com boas expectativas (a curto e a longo prazo).

Se você se encaixa nesse perfil, por favor, permita-se ser ajudado pelas pessoas e, principalmente, por você mesmo. Porque existe alguém incrível esperando ser libertado de dentro de você. Acredite! Esse alguém só está sendo ofuscado pelas nuvens dos dias cinzas que você parece ter permitido que se formassem ao seu redor. Abra-se ao que é novo! Pare de dizer que você é assim e que não vai mudar! Porque todos nós, seres humanos, estamos em constante mudança e o nosso trabalho deve ser para que essa mudança seja sempre para melhor. Mude! Cresça! Evolua.

Todos nós erramos, todos caímos, mas precisamos fazer com que os erros (especialmente aqueles que envolvem e ferem outras pessoas) sejam raros, e que nossos "depósitos" de coisas boas na vida das pessoas possa ser constante e maior do que nossos erros.


Existe tanto bem a ser feito! Quer ver? Dá até pra fazer uma lista:

1. Escreva uma carta declarando seu carinho ou admiração por alguém (aposto que alguém vai responder dizendo o que sente por você também);
2. Torne sua casa um ambiente que te inspire. Por exemplo, distribuindo pelos cômodos cartazes com motivos pelos quais você tem a agradecer a cada dia (e leia-os em voz alta), ou frases motivadoras para um novo dia;
3. Faça desenhos e pinturas (mesmo que não saiba desenhar direito) e presenteie alguém com esse desenho feito por você;
4. Ligue para alguém por quem você tenha um carinho especial, simplesmente para dizer que pensou nessa pessoa e decidiu ligar, pois estava com saudade;
5. Ouça canções com boas mensagens, capazes de acalmar seu interior e renovar suas forças e envie essas canções para alguém especial, dizendo o que significou para você;
6. Vá ao cinema sozinho e compre pipoca, ou escolha um filme para assistir sozinho no escuro da sua casa, com pipoca de microondas. Permita-se gargalhar sozinho das cenas engraçadas, se emocionar nas tristes e falar em voz alta: "Sai daí, sua idiota! Ele vai pegar você!";
7. Contemple a paisagem durante uma caminhada (só ou bem acompanhado);
8. Leve café da manhã na cama, para alguém que não estava esperando;
9. Leia livros com histórias inspiradoras, que te façam querer se tornar alguém melhor;
10. Passe mais tempo na sua própria companhia. Assim, você vai perceber se é alguém agradável de se estar junto, ou se nem você mesmo suporta estar consigo.

Enfim... Esta lista só tem 10 itens, mas há tantas outras ideias legais que podem fazer você mesmo se encher de coisas boas e, assim, poder transmitir essas alegrias para outras pessoas ao seu redor!

Veja bem: É impossível alguém receber um café da manhã inesperado, na cama, e não se alegrar com sua atitude a ponto de te transmitir sua gratidão pela surpresa, e nutrir bons sentimentos por você. (Mesmo assim, não crie expectativas. Faça apenas por querer compartilhar coisas boas). Perceba que isso envolve muito mais do que dar e receber. Envolve mostrar para o mundo ao seu redor, que você não está aqui para sugá-lo, mas para compartilhar o que tem de bom em você, e receber das pessoas o que há de melhor nelas. Mas, pare de dar desculpas e aja! (Vontade de escrever esta última frase em letras garrafais).

Acho que é só isso tudo.

Espero que este texto não tenha servido apenas como um desabafo para mim mesmo, mas que sirva, acima de tudo, como uma inspiração para quem ler querer se tornar alguém melhor, como eu mesmo desejo me tornar todos os dias.

Ao invés de sugar, compartilhe!

Um super abraço, e até o próximo Post.

Douglas ;)

Minha tentativa de ir à Igreja


Acabo de chegar de uma volta completa ao quarteirão do prédio onde estou hospedado, pois não tive coragem de entrar na Igreja que fica na rua aqui perto.

Desde que cheguei em Concórdia - SC, sinto vontade de me agregar a alguma instituição que cuide da minha parte espiritual. Não que eu seja alguém fragmentado, mas se fosse para fragmentar os setores da minha vida, sinto que o que está sendo menos cuidado ultimamente é o espiritual.

Eu acredito que Deus existe e que nossa vida é uma esfera que se completa quando olhamos para o nosso interior como um todo. Não creio que estejamos aqui no mundo apenas para existir, trabalhar e pagar contas, mas que há algo muito maior do que nós mesmos e do que nossa própria vida. A isso, eu chamo de "espiritualidade". É o que transcende a nossa vida física e psicológica. É a nossa ligação com Deus e com um mundo que não vemos.


Não quero ser radical. Sabe aquelas pessoas que só sabem falar de Deus, que se dedicam somente à sua fé, não tendo tempo nem mesmo para se divertir durante um passeio livre? Eu já fui assim, mas mudei tanto que não consigo me imaginar assim novamente (especialmente, porque eu não quero). Mas, ao mesmo tempo, me lembro da fala de alguém a quem admiro muito, dizendo que é necessário ser radical quando o assunto é sua fé em Deus.

Radical, nesse caso, não é como aqueles que explodem o próprio corpo em nome de uma fé, que matam pessoas inocentes por acreditarem que esses sejam impuros, mas radical em relação a mim mesmo. Viver aquilo que em que se diz acreditar! Porque o que me mata de raiva é gente que tem um discurso lindo e vive tudo diferente do que fala. E isso não se resume a questões religiosas. São chefes que dizem pensar no melhor para os funcionários, mas quase os escravizam; pais que dizem educar bem os filhos, mas os entregam totalmente às mãos de escolas, babás, avós, etc.

O problema é que, como diz a Caren, eu sou muito "Oito ou Oitenta". Por mais que, em relação a todos os demais seres da humanidade, eu busque um equilíbrio, quando a mim mesmo, eu não consigo caminhar num meio termo. Para tudo o que eu faço, ou eu me dedico muito, ou eu deixo de lado. E, como eu tenho me dedicado à minha vida pessoal, projetos, trabalho, etc, eu acabei deixando de me dedicar a esse meu "lado" tão importante, que é o espiritual, meu contato íntimo com Deus.


Imaginei que ir à Igreja aqui seria uma forma de conhecer pessoas novas, que pudessem, talvez, me aproximar um pouco mais da espiritualidade. Mas, por ser sábado, a reunião marcada se intitulava como "Culto Jovem". Eu sabia o risco que corria. Em muitos lugares, os jovens, na verdade, são os adolescentes da igreja (até dezoito anos) que, sem dúvida, destoariam muito de mim. Foi dito e feito. Chegando perto do local, eu vi do lado de fora, vários adolescentes conversando, se abraçando, cheios de amizade (aquelas típicas de Igreja). Enquanto eu passava, alguns olharam, mas não senti confiança para me aproximar e ter que ficar por ali esperando as pessoas entrarem para a reunião.

Enfim... Acho que vou tentar novamente amanhã, domingo, um dia mais tradicional para se ir à Igreja, onde estarão pessoas de todas as idades, talvez, reunidas dentro do local, no horário marcado e eu vou poder entrar e sair invisível, como normalmente aconteceria.

Agora, me resta fazer alguma coisa em família, ir no supermercado, assistir algum filme, ler alguma coisa, ou escrever...

"Mãe, por favor, me desculpe, mas, eu ao menos tentei..."

Douglas

"Um belo dia resolvi mudar..."

Muita coisa mudou desde o último Post.

Eu fiquei de saco cheio do meu emprego que só me sugava e não estava me fazendo crescer em nada. Então, decidi pedir um reajuste na minha carga horária, o que foi negado. Sendo assim, eu pedi minha demissão, com o cumprimento do mês de aviso prévio.

Como trabalho (ou melhor, trabalhava) em escola, eu esperei o fim do ano para que tudo fosse favorável, afinal, não queria causar nenhum tipo de escândalo, ou mal estar para a Direção, só queria que o trabalho deixasse de ser o foco principal da minha vida, para voar aos lugares mais altos que todos dizem (e eu também sinto) que eu vou alcançar.

Pra ter uma noção, eu não estava conseguindo fazer mais nada além de trabalhar. Acordava extremamente cedo, chegava tarde, cansado mentalmente e sem disposição para mais nada. Fim de semana era para ficar em casa, vendo filme e reclamando da minha vida parada. Eu juro que tentava fazer algo para mudar, movimentar a minha vida, mas toda vez que eu tentava, o trabalho sofria e vinham as falhas, seguidas diretamente pelas cobranças.

Cheguei a pensar em fazer sessões no Psicólogo e, enquanto não chegava o dia marcado, eu estudava minha própria vida, para descobrir onde estava o ralo que sugava toda a minha alegria de viver. Eu pensei em me mudar, pensei em começar a estudar canto, pensei em fazer atividades físicas, e eu fiz tudo isso, mas nada resolvia a falta de vontade que eu tinha de me levantar da cama todos os dias.

Somente quando eu falei em voz alta que não queria continuar na mesma função no trabalho no ano de 2018, foi que um mundo fantástico se descortinou diante dos meus olhos. Eu fui para casa naquele dia como não ia há muito tempo. Eu sorria sem motivo, ou melhor, sorria porque estava sem o peso de toda a responsabilidade que jazia sobre meus ombros.

Se ainda fosse um emprego que me pagasse o suficiente para eu ter minha casa, meu carro, comprar tudo o que preciso e ainda conseguir guardar algum trocado pra uma viagem nas férias, tudo bem. Mas, por mais que eu economizasse, eu não tinha condição de fazer nada disso. Pra piorar, minhas férias caíam sempre em alta temporada, o que realmente impossibilitava qualquer pensamento de viajar para longe.

Só havia contras.

Por fim, durante o mês de aviso prévio, eu desenrolei tudo o que faltava no enredo do livro que eu escrevo desde 2007 em parceria com minha irmã (são mais de 10 anos num projeto que só vem sendo adiado por causa de trabalho e estudos). Em um mês, ou menos, eu finalizei todo o Roteiro da história dos pontos de vista dos diversos personagens. Depois disso, na véspera do Ano Novo, para ser mais exato, eu comecei a reescrever a história partindo de outro ponto, e a cada dia eu caminhava em um novo capítulo. Minha mente estava livre para fluir na escrita, para imaginar novos mundos, o lado criativo do meu cérebro havia sido liberado para criar, sem toda aquela burocracia e problemas teóricos do dia a dia do meu trabalho.

Deixei de viajar com a família, deixei de sair de casa, tudo para me dedicar 100% ao Projeto, na única intenção de vê-lo concluído.

Já estava novamente no Capítulo 10 quando minha irmã chegou com a proposta de eu me mudar do Rio de Janeiro para Santa Catarina (Concórdia), para morar com a Caren, minha sobrinha de 19 anos, que faz faculdade nessa cidade. Eu simplesmente aceitei. Dentro de mim, era como se mais uma parte de mim também voltasse a vida! Não havia nada que me prendesse. Eu tinha minhas economias e poderia, sim, atender à proposta, indo para uma cidade muito melhor estruturada do que onde cresci. Um lugar propício para me dedicar à escrita do livro.

Foi assim que, em uma semana, tudo se movimentou para que eu pudesse me mudar.

E posso dizer que, felizmente, a vida é feita de mudanças. Eu mesmo percebo o quanto mudei ao longo de todos esses anos. Antes eu sonhava em simplesmente ter uma casa própria, um carro, uma estante cheia de livros, tempo para fazer o que eu gosto, mas hoje eu percebo que se eu preciso negociar a minha felicidade em troca de uma (falsa) estabilidade, eu prefiro morar de aluguel, pegar UBER quando eu precisar sair (ou até mesmo o busão), prefiro não ter minha carteira assinada, desde que eu esteja fazendo aquilo que me realiza, que torna meus dias mais coloridos e felizes por dentro, mesmo que lá fora esteja tudo cinza e nebuloso.

Não consigo mais me conformar com uma vida "comum" se eu sei que diante de mim existe algo extraordinário aguardando para ser vivido. Basta o primeiro passo de ousadia, de desapego, de fé, para que possamos sair das águas rasas e nos aventurar em alto mar.

Este texto tomou um rumo totalmente diferente do que deveria, mas ele traduz exatamente a mim mesmo, como estou me sentindo por dentro.

Espero conseguir escrever mais vezes aqui, mesmo que ninguém leia.

Até o próximo Post.

Douglas
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Fotos tiradas do meu próprio ponto de vista durante a viagem de ônibus Rio x Santa Catarina

Passando por Jacareí, São Paulo, o cair da tarde com a chuva - 23 de janeiro

Parada de Ônibus no meio da madrugada chuvosa - 24 de janeiro

Vista do quarto onde estou hospedado, na tarde em que chegamos da viagem - 24 de janeiro

Foto do Primeiro dia oficial em Concórdia - 25 de janeiro


Lembranças


Hoje eu estava me lembrando de quando era criança. Eu e Camila, minha sobrinha, temos praticamente um ano de diferença em nossa idade, então crescemos juntos. Por diversas vezes, tivemos as mesmas pessoas em nosso círculo de convivência e, na maioria das vezes, elas nos tratavam de formas diferentes.

Apesar de pouca diferença de idade, eu era o grandão. Camila era bem pequena, a ponto de receber o apelido de "nanicolina", na escola. Na relação familiar, ela era tratada como criança e eu como o tio responsável por ela.

A única pessoa que tentava nos tratar com igualdade era minha irmã mais velha, Mary (mãe da Camila), que tentava fazer com que a gente tivesse as mesmas oportunidades e as mesmas alegrias. Por exemplo: Se a Camila ia ganhar um CD de presente, eu ganhava o mesmo CD. Olhando por um outro ângulo pode parecer inútil, perda de dinheiro, uma vez que passávamos a maior parte do tempo juntos, mas ela fazia isso para que eu me sentisse tão especial quanto minha sobrinha, que sempre foi cercada de mimos por todos.

Não era a toa que minha irmã fazia isso. Ela, com certeza, percebia a diferença de tratamento que as outras pessoas tinham entre Camila e mim.

Eu confesso que eu percebia que estava ganhando o mesmo que a Camila pra não me sentir menos amado, inferior, etc. Mas era exatamente assim que eu me sentia.

Eu sentia que só estava ganhando o mesmo que ela, por pena. Quando ganhávamos os mesmos presentes, eu achava que não era digno dele. Só sentia que estava ganhando pra não "aguar". Tipo, "Temos que comprar dois, um pra ela e um pro Douglas".

É claro que, hoje, eu sei que não era essa a intenção, mas é incrível como a mente (mesmo a mente de uma criança) distorce as coisas. Parece algo diabólico, na tentativa de gerar complexos na mente de alguém, pra que cresça como uma adulto que se sente tolerado e não amado.

Por muito tempo foi assim que me senti. Como se as pessoas não sentissem amor real por mim. Como se não houvesse motivos para me amarem.

Isso passou? Confesso que não. Mas, eu aprendi a lutar contra meus próprios pensamentos. Aprendi que se eu me amar, vou conseguir enxergar o motivo de as pessoas também me amarem. Não que as pessoas devam me amar pelo que eu sei fazer, mas por quem sou. E é exatamente isso que tenho feito ao longo de todos esses anos. Tenho me conhecido intimamente, amado cada pequeno detalhe de minha personalidade, sido meu melhor amigo (nunca deixando de me cercar de pessoas especiais, mesmo que seja uma por vez), e assim, quando alguém parece me amar, eu sei que é de verdade, que é algo possível, pois eu também me amo.

Com toda essa reflexão, eu aprendo duas coisas: Os pais, irmãos mais velhos, responsáveis por alguma criança podem lutar com todas as forças para fazer com que ela veja o mundo colorido pintado por uma infância perfeita, mas nada está definitivamente sob seu controle. Não dá pra privar alguém da realidade da vida, pois todos nós estamos vulneráveis à maldade do mundo, desde bem pequenos.

O outro aprendizado é o seguinte: Toda história tem dois lados e, apesar de relatar o meu lado da história, hoje eu pensei no lado da minha sobrinha, a Camila. Que também teve seu lado ruim da história. Sempre tão comparada a mim em questões de aprendizagem. Sofreu uma cobrança injusta por parte das pessoas, quando eu continuei focado nos estudos e ela começou a ter tantas outras coisas chamando sua atenção.

A vida é isso aí... Vencendo nossa própria mente dia após dia. O segredo é enxergar a verdade nas intenções de quem nos ama. Essas distorções da realidade são naturais, coisas da fertilidade da nossa cabeça bagunçada.

No final de tudo, é só tentar arrumar.

Meu pai vs. Minha música


Fechei meu horário de aulas na escola de música. Não vou dizer o nome, porque não tô ganhando nem um centavo pra fazer propaganda... rs! Pelo contrário, estou tendo que pagar pra estudar lá. Enfim, foi o início de uma nova fase na minha vida, ou melhor, a continuação de uma fase paralisada, o despertar de um sonho adormecido. E eu não poderia ter feito escolha melhor!

É claro que não foi fácil o processo de inscrição e matrícula. Eu falei pra mim mesmo que só me inscreveria se alguém pagasse minha inscrição. Não que eu não tivesse o valor. Graças a Deus, estou trabalhando e tenho condição de pagar, mas decidi fazer assim pelo valor significativo que teria. Significava que alguém acreditava em mim. Alguém estava disposto a investir no meu talento musical (subestimado por mim mesmo). E, como eu acredito que nada acontece por acaso, quem pagou minha matrícula foi ninguém menos que meu pai.

Pra quem lê, talvez não seja tão especial assim, alguém que tem o costume de ver os pais pagando as coisas. Mas, deixe eu explicar o motivo de ser MUITO IMPORTANTE o fato de meu pai ter pago a matrícula?

Desde criança eu vejo minha irmã mais velha cantando, estudando música e recebendo todo tipo de investimento por parte do meu pai. Mas, em determinado ponto ela ficou um pouco desmotivada com tudo o que ocorre nos bastidores do meio musical e foi deixando um pouco de lado, vivendo mais para a vida do que para a música. Eu não sei quais foram os efeitos disso sobre meu pai, que sempre investiu nela, mas ele criou total resistência por pagar qualquer coisa relacionada a música para mim.

Ele nunca deu um centavo para aulas de canto, quando eu pedi para fazer fono, por estar em fase de mudança vocal (devido à puberdade), ele se negou veementemente a pagar pra mim. Eu chorava, implorava, mas ele estava totalmente fechado por fazer mais um investimento na área da música para outro filho dele. Acho que ele tinha medo de eu não dar retorno, virar um homem sem responsabilidade, porque realmente é essa a visão das pessoas em relação a quem trabalha com música (isso, aqui no Brasil). Acham que são um bando de desocupados (e muitos deles realmente dão razão a essa fala, né? Mas, deixa isso quieto).

Quando eu quis estudar música num internato em Minas Gerais, meu pai não deu nenhum tipo de apoio! NENHUM! Ele, inclusive, era contra. Falando palavras para me desmotivar, dizendo que eu não ia conseguir. Mas, quando fui informado de que não haveria vaga na Turma de Música, e que a outra opção era estudar na mesma escola fazendo outro curso, ele aceitou. Minha estratégia era trocar para a Turma de Música, dependendo das vagas de desistências, mas acabei não trocando.

O fato é que a reprovação do meu pai não estava em relação à minha ida, a deixar de ter um filho por perto, tanto que ele se abriu totalmente quando eu falei que não estudaria música no internato. Sua resistência era com a Música.

Entendeu por que foi tão significativo, ELE dizer que pagaria minha matrícula?

A sensação é de que aquele medo dele, que se revelava em sua rigidez quando o assunto era Música, ou qualquer coisa relacionada a ela, foi vencido. Ele viu quem eu me tornei e quem eu posso me tornar. Ele viu que realmente é meu sonho, pois, apesar de todos os conflitos que ocorrem nesse meio, depois de todos esses anos, foi algo do qual eu não desisti, e nem pretendo.

É só o começo.

(To be continued...)