sexta-feira, 29 de julho de 2016

O Dilema do Diamante Negro

Acho que meus amigos e pessoas próximas de mim descobriram meu segredo para presentear quando estou com pouca grana... Chocolate! Para mim era infalível, afinal, nunca conheci alguém que não goste declaradamente de chocolate.  E todas as vezes em que sou presentado (em ocasiões menos importantes) ganho chocolate. O que eu adoro, apesar de ser um inimigo para minha busca pela boa forma! Haha!

Só que algo, de repente, começou a me intrigar e minha filosofia sobre a infalibilidade do chocolate começou a falhar. É que, depois que eu disse para alguém que o chocolate que eu menos gosto é o Diamante Negro, todo chocolate que eu ganho é (adivinhem): Diamante Negro!

Nada contra o diamante, muito menos contra o fato de ele ser negro. Tá! Vou contar o motivo... O gosto dele é ótimo, mas... Os flocos de açúcar que vêm nele cortam minha língua todinha! Daí, fico naquele dilema: Será que sentir a dor em virtude do prazer valeria a pena? Porque, como eu já disse, o chocolate em si é delicioso! Contudo, não consigo ficar separando os floquinhos de açúcar e, sinceramente, não acho que o sacrifício da dor valha o sabor! Hahaha!

Ontem mesmo ganhei um. (Aff!) É claro que, na hora, eu finjo que A-DO-REI o chocolate! E, realmente, a intenção de quem presenteia é o que me alegra. Pelo menos, educado eu sou, né? Só que quando chego em casa, nem dou bola pro coitado do chocolate. Talvez, se fosse outro chocolate eu já teria devorado! Mas, como é o Diamante Negro, ele está lá, fechadinho, intacto na minha geladeira. Nem ligo se algum dos meus irmãos comer!

Pois bem, diante desse terrível e incessante dilema em minha vida, prefiro crer que seja provisão divina para que eu reduza a quantidade de doces para, quem sabe, continuar emagrecendo! Se você já me deu Diamante Negro alguma vez na vida, me perdoe o desabafo, mas saiba que se eu emagrecer, você colaborou com isso! Muito obrigado! Sigo vendo o copo meio cheio.

Abração e, até mais!

Douglas ;)

*Esta é uma republicação dos melhores textos do meu antigo Blog (Gota de Nanquim).

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Esse sou eu

Sempre fui muito imaturo. Nunca me importei em procurar um amigo quando precisei. Ligar, para chorar ao telefone. Nem me importei por me intrometer em conversas sem ser convidado. Ou falar sobre algum assunto, sem pensar, e acabar revelando inocentemente algo que era para ser segredo. Mas sempre fui alguém capaz de valorizar outras pessoas.

Alguns me chamavam de inocente (e isso, não era no bom sentido). Eu era daquelas crianças que aceitava as desculpas de quem vacilava só para que a brincadeira continuasse. Nunca me permitia guardar mágoas, pois preferia surpreender com demonstrações que revelassem que eu podia ser melhor do que esperassem que eu fosse. Sempre tentando agradar a todos, na tentativa de ser aceito. De ser amado.

O tempo passou... A vida exigiu que a infância passasse, que a imaturidade fosse embora junto com a inocência, que eu crescesse e me tornasse alguém. Mas eu não consegui obedecer à vida. E até hoje, todos os dias, ela tem exigido isso de mim. Eu ainda olho para mim mesmo e continuo a ver aquele menino de sempre, porém, sem aquela espécie de "corretor ortográfico", que não permitia que ele fosse quem realmente é, só pra ser aceito.

Aprendi que jamais vou conseguir agradar às exigências da sociedade. E que não preciso ser como esperam que eu seja para ser quem eu sou. O fato é que muita gente pensa que me conhece, mas na verdade, só sabe o que eu faço, mas não sabe nem parte de quem eu sou. Não que me esconda, mas pelo simples fato de ser uma torre muito alta, cercada por um muro. Quando as pessoas olham para a torre, imaginam o que estará no topo dela, mas ninguém tem coragem de transpor o muro que a cerca, muito menos de escalá-la até o topo.

Mas não sou uma torre feita de pedra. Sou feito de gente. Flexível. Capaz de me curvar até o solo para permitir que alguém entre em minha vida. Porém, o fato é que há muito tempo não encontro alguém peça para que eu me incline, que queira alcançar os lugares mais altos para saber o que estou sentindo. Alguém que queira me ouvir falar, sem estar me analisando para depois me criticar.

Sim. Me sinto só.
Mas prefiro estar só e ser eu mesmo do que estar cercado por muitas pessoas sendo aquele que elas querem que eu seja.

Os amigos? Estão por aí. Os verdadeiros sempre voltam. Estou certo de que os (re)encontrarei em algumas das curvas dos caminhos tortuosos que a vida nos obriga a seguir.

Essa é a vida.
Esse sou eu.