sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

'Douglas' exemplar



Nunca fui muito cinéfilo. Quando criança, assistia aos desenhos de Walt Disney ('Waldisney', para os íntimos) repetidas vezes, mas quanto a filmes, eu mal tinha paciência para assistir até a metade e logo queria que terminassem. Depois que cresci, meus filmes favoritos para assistir repetidamente foram "O Diabo veste Prada" e "De repente 30", e minha sobrinha sempre me 'zuava' por sempre assistir a estes filmes quando falava que estava com vontade de assistir a algum filme.

Em maio de 2015, peguei, sem compromisso ao "Garota Exemplar" na locadora pra assistir durante um feriadão (falei sobre isso neste Post). Assisti ao filme tão sem expectativa (pensando que fosse mais um daqueles filmezinhos em que investigam o desaparecimento da moça boazinha e no final o culpado era o marido que estava ali o tempo todo se fazendo de coitadinho) que, quando me deparei com o desfecho final da história, aquele filme se tornou incrível!

Gillian Flynn
Como todo bom escritor (modéstia à parte), eu quis entender como alguém teve aquela ideia fantástica para uma história e, como a autora (Gillian Flynn) havia escrito o enredo da história sem errar no andamento, para prender o leitor assim como o filme prende o expectador. Parecia algo difícil, na minha concepção. Na Bienal do Livro no Rio (2015) eu comprei o livro da história e, desde então, venho lendo cautelosamente, percebendo os detalhes e expressões da autora. Confesso que ainda não terminei, porque não quero perder nenhum detalhe.

O fato é que declarar simpatia por essa história tem me trazido consequências nada boas na minha vida pessoal. O que me leva a refletir sobre a maldade no coração das pessoas. Pelo pouco que vocês podem acompanhar aqui no Blog, ou na minha própria vida pessoal, devem perceber que eu sou só um cara querendo ser feliz e levar a vida numa boa. É claro que tenho minhas crises e paranoias inerentes à natureza humana, mas tudo o que eu quero é o bem (o meu próprio e o das pessoas ao meu redor).

Só que alguém a quem conheci há pouco tempo, começou a observar meu jeito de ser, de agir frente a algumas situações, minha tentativa de levar sempre as coisas na esportiva e também minha forma de querer agradar às pessoas, e começou a ficar desconfiada de mim, pensando que todo o bem que eu fazia era para entrar na vida dela e fazer algo ruim. A pessoa confessou que esses pensamentos começaram a brotar na mente dela depois que eu disse que meu filme preferido é 'Garota Exemplar'.

Confesso que fiquei chateado com a situação, porque eu só estava sendo eu mesmo o tempo todo, e não é legal você estar sendo você mesmo e ouvir de alguém a quem você pensava ser amigo (AMIGO) que ela não consegue confiar em você, por desconfiar que você seja um psicopata, pelo seu jeito "perfeito" de ser.

Quem me conhece há mais tempo, sabe que eu sou um perfeccionista assumido (e insatisfeito com essa condição). Gostaria de me cobrar menos, não querer impressionar tanto, surpreender tanto, agradar tanto, mas ao mesmo tempo, os lados bons do perfeccionismo me prendem e acabam fazendo de mim quem eu sou.

O que me entristece nisso tudo não é apenas o fato da minha entrega excessiva que me fez receber essa comparação injusta em troca, mas perceber que vivemos em um mundo tão acostumado com a maldade que as pessoas estão desconfiando dos atos bondosos. A que ponto chegamos... Mas, como eu li numa tirinha certa vez, quem está errado não é quem está sendo 'trouxa' em amar, mas aqueles que não sabem receber esse amor.

Ansioso por mudanças nos nossos padrões de avaliação interpessoal.

Douglas ;)

2 comentários:

  1. Doug! Cá estou eu escrevendo um comentário após ler um post teu. Finalmente. Como senti falta disso (dos teus posts e de escrever comentários sobre eles).

    Eu assisti a Garota Exemplar com o mesmo pé atrás que tu teve, confesso, mas também fui tomada por uma sensação de "caraca, esse filme é o melhor filme que assisti nos últimos tempos" porque ele é cheio de reviravoltas e é impossível parar quieto na cadeira quando a gente tá assistindo. Fui tomada pela mesma vontade de ler o livro, mas acabei não comprando :( Fico feliz em saber que tua opinião tá sendo positiva sobre o mesmo, sendo assim, sei que não vou me arrepender de comprar quando for possível <3

    Sobre a reflexão que o texto me gerou... As pessoas são desconfiadas por natureza, por instinto. Alguns sabem diferenciar isso da realidade, outras não. É claro que temos que manter os dois olhos bem abertos, mas gostar de um livro/filme como Garota Exemplar não te torna uma pessoa que quer o mal dos outros. Alguém aí tá querendo dar uma de psicólogo sem ter noção de quem tu é (uma pessoa maravilhosa, devo dizer).

    De qualquer forma, já te disse que a única coisa que tu precisa saber é que tu é uma pessoa especial, iluminada. Te conhecendo como conheço, posso afirmar que tu é, realmente, apenas um cara querendo ser feliz. E querendo fazer as pessoas ao te redor felizes. Mas algumas pessoas são desconfiadas demais pra perceber a bondade que existe nas pessoas.

    <3

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  2. Olá Douglas! Estou dando uma olhada no seu blog, e me identifiquei de diversas maneiras, "No Blog relata seus dramas, neuras, melancolias e reflexões sobre a aventura que todos resolveram chamar de vida." É basicamente o motivo de eu ter criado o meu blog atual haha
    Estou seguindo parar acompanhar seus posts! bjs

    http://cartasnoporao.blogspot.com.br/

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