quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Tinha tudo pra ser igual... Mas foi diferente.

Eu sou daqueles que acreditam que você coloca sua energia naquilo que faz. Uma pessoa que faz algo por obrigação, cheia de reclamação e maus fluidos dentro de si deposita coisas ruins naquilo que está fazendo. Alguém que faz algo com carinho e cuidado compartilha o bem que há dentro de si através daquilo que foi objeto de sua dedicação e de seu tempo.

Hoje, cheguei do trabalho após um dia bem corrido (como todos os meus dias de trabalho têm sido atualmente) e novamente fui recebido pela minha mãe sentadinha no sofá da sala, assistindo às suas novelas. Minha mãe já está na fase de um merecido descanso devido ao tanto que trabalhou, mas eu sinto que assumir essa posição de passividade diante da televisão não faz bem pra ninguém, inclusive para ela.

Ela adora acompanhar uma novela após a outra e, quando dá por si, já são oito da noite e ela se culpa por não ter feito nada. É uma rotina diária.

Me lembrei de que, antes de ela se render às histórias das "Novelas da Tarde" do SBT, eu chegava em casa lá pelas 18:30h e era recebido com aquele cheirinho maravilhoso de comida bem feita sendo preparada. Há algum tempo que eu venho percebendo que ela tem improvisado nas refeições de tal forma que eu não tenho sequer sentido vontade de levar almoço para o trabalho, preferindo comprar na rua.

Ao ver aquela cena, senti muita vontade de falar com ela sobre aquilo. Com carinho, cheguei perto dela e perguntei: "Posso te dizer uma coisa?", ela assentiu e eu prossegui: "O momento da refeição é quando toda a família se reúne em volta da mesa para compartilhar coisas boas. A senhora se lembra quando fazia o jantar com tanto carinho e a família toda ficava na cozinha conversando? Isso une a família.". Antes de me retirar, eu pedi para que ela refletisse sobre aquilo, e ela o fez, mas continuou ali assistindo a novela.

Enquanto isso, eu pensei sobre o que gostaria de comer e me lembrei que há pouco tempo fomos a um restaurante e minha irmã do meio falou que há muito não comia filé de frango à parmegiana, mas naquele dia pedimos pizza. Comprei o que precisava para completar o que já tinha em casa e tentar fazer a receita do filé.

Fui até a sala, puxei minha mãe do sofá e ela se levantou prontamente, pois teria um ajudante na cozinha (EU!). Comecei a picar os temperos com carinho e ânimo quando, de repente, minha irmã ligou para o meu pai (aquela mesma do restaurante). Eu pedi para que ele a convidasse para jantar conosco, mas não foi necessário, pois ela já estava chegando na minha casa.

Minha sobrinha de nove anos  pediu pra ajudar nos preparativos e eu deixei que ela colocasse os ingredientes na panela e me ajudasse no que fosse mais viável. Enquanto íamos fazendo a receita, involuntariamente as pessoas começaram a se reunir em volta da mesa para conversar, rir, desabafar, aconselhar, compartilhar coisas boas umas com as outras. Durante todo o tempo eu participava da conversa e abraçava minha mãe perguntando se ela estava feliz por ter um ajudante. (É incrível como ela não se importa nem um pouco que eu a "agarre" quando ajudo em alguma coisa! Ela fica tão boazinha [risos]). Ela disse que estava muito feliz e eu confirmei dizendo que nós formamos uma ótima equipe.

Quando o jantar ficou pronto, eu cheguei a dizer que quando eu mesmo cozinho perco o apetite, mas foi só dar a primeira garfada no filé que eu arregalei os olhos e viajei no tempo até os meus 10 anos de idade, quando, na "Quinta da Boa Vista" - um parque florestal do Rio de Janeiro -, eu comi pela primeira vez aquele prato e fiquei apaixonado! Tão apaixonado que minha irmã também se lembra até hoje do meu encanto naquela época. Eu tive que falar: "Gente! Não é porque fui eu quem fez, mas está MUITO bom!". Todos concordaram. Foi aí que minha irmã mais velha falou: "Quando você faz as coisas com carinho, fica gostoso porque você deposita ali o seu sentimento".

Precisa falar mais alguma coisa, gente?!

Eu só fiquei pensando o quanto essa noite poderia ter sido diferente... Se eu me conformasse com o revirado que minha mãe faria (por causa da novela), se tivesse feito um lanche e ido pro meu quarto ver filme (como pensei em fazer), ou se eu simplesmente criticasse minha mãe, mas não tentasse ajudá-la de alguma forma.

Enquanto a gente cozinhava, eu chamei minha mãe pra perto de mim e falei: "Olha só para a mesa... Seus filhos felizes, reunidos, conversando sobre coisas boas. Há quanto tempo não acontecia? Tá vendo como isso é importante?". Dava pra ver que ela estava feliz pelo olhar!

Foi uma noite especial. E eu me senti bem mais vivo! Quanta diferença uma simples atitude pode fazer não só na sua vida, mas na vida das pessoas ao seu redor.

Poderia tirar tantas conclusões sobre esse jantar inusitado... Mas prefiro ficar com ele na minha memória e agradecer a Deus por poder viver momentos como esse com minha família. Momentos tão simples, mas que precisam ser valorizados e eternizados enquanto os temos. Não quero, nem posso ser daqueles que só valorizam as coisas que perdem.

Meu dia de hoje está acabando ao som dos cantores maravilhosos do "The Voice", no Canal Sony e o clima (entre mim e eu mesmo) está tão especial que eu senti muita vontade de contar aqui no Blog. Quero muito ter oportunidades pra voltar a ajudar minha mãe, pois ela merece e toda a minha família PRECISA de mais e mais momentos assim.

Um abraço.

Douglas ;)

2 comentários:

  1. Obrigada pela noite! Comida perfeita, companhia agradável... TDB!😀

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  2. Obrigada pela noite! Comida perfeita, companhia agradável... TDB!😀

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