quarta-feira, 26 de julho de 2017

Meu pai vs. Minha música


Fechei meu horário de aulas na escola de música. Não vou dizer o nome, porque não tô ganhando nem um centavo pra fazer propaganda... rs! Pelo contrário, estou tendo que pagar pra estudar lá. Enfim, foi o início de uma nova fase na minha vida, ou melhor, a continuação de uma fase paralisada, o despertar de um sonho adormecido. E eu não poderia ter feito escolha melhor!

É claro que não foi fácil o processo de inscrição e matrícula. Eu falei pra mim mesmo que só me inscreveria se alguém pagasse minha inscrição. Não que eu não tivesse o valor. Graças a Deus, estou trabalhando e tenho condição de pagar, mas decidi fazer assim pelo valor significativo que teria. Significava que alguém acreditava em mim. Alguém estava disposto a investir no meu talento musical (subestimado por mim mesmo). E, como eu acredito que nada acontece por acaso, quem pagou minha matrícula foi ninguém menos que meu pai.

Pra quem lê, talvez não seja tão especial assim, alguém que tem o costume de ver os pais pagando as coisas. Mas, deixe eu explicar o motivo de ser MUITO IMPORTANTE o fato de meu pai ter pago a matrícula?

Desde criança eu vejo minha irmã mais velha cantando, estudando música e recebendo todo tipo de investimento por parte do meu pai. Mas, em determinado ponto ela ficou um pouco desmotivada com tudo o que ocorre nos bastidores do meio musical e foi deixando um pouco de lado, vivendo mais para a vida do que para a música. Eu não sei quais foram os efeitos disso sobre meu pai, que sempre investiu nela, mas ele criou total resistência por pagar qualquer coisa relacionada a música para mim.

Ele nunca deu um centavo para aulas de canto, quando eu pedi para fazer fono, por estar em fase de mudança vocal (devido à puberdade), ele se negou veementemente a pagar pra mim. Eu chorava, implorava, mas ele estava totalmente fechado por fazer mais um investimento na área da música para outro filho dele. Acho que ele tinha medo de eu não dar retorno, virar um homem sem responsabilidade, porque realmente é essa a visão das pessoas em relação a quem trabalha com música (isso, aqui no Brasil). Acham que são um bando de desocupados (e muitos deles realmente dão razão a essa fala, né? Mas, deixa isso quieto).

Quando eu quis estudar música num internato em Minas Gerais, meu pai não deu nenhum tipo de apoio! NENHUM! Ele, inclusive, era contra. Falando palavras para me desmotivar, dizendo que eu não ia conseguir. Mas, quando fui informado de que não haveria vaga na Turma de Música, e que a outra opção era estudar na mesma escola fazendo outro curso, ele aceitou. Minha estratégia era trocar para a Turma de Música, dependendo das vagas de desistências, mas acabei não trocando.

O fato é que a reprovação do meu pai não estava em relação à minha ida, a deixar de ter um filho por perto, tanto que ele se abriu totalmente quando eu falei que não estudaria música no internato. Sua resistência era com a Música.

Entendeu por que foi tão significativo, ELE dizer que pagaria minha matrícula?

A sensação é de que aquele medo dele, que se revelava em sua rigidez quando o assunto era Música, ou qualquer coisa relacionada a ela, foi vencido. Ele viu quem eu me tornei e quem eu posso me tornar. Ele viu que realmente é meu sonho, pois, apesar de todos os conflitos que ocorrem nesse meio, depois de todos esses anos, foi algo do qual eu não desisti, e nem pretendo.

É só o começo.

(To be continued...)


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